Exclusivo: diretor de documentário sobre o Raimundos fala sobre bastidores da série

Daniel Ferro conta como conseguiu coletar depoimentos e convencer os integrantes a contarem histórias O post Exclusivo: diretor de documentário sobre o Raimundos fala sobre bastidores da série apareceu primeiro em TMDQA!.

13 mar 2026 - 16h39
(atualizado às 17h33)
Foto: Patrick Grosner / Tenho Mais Discos Que Amigos!

Andar na Pedra - A História do Raimundos já deixa claro, logo em seu título, que se trata de um registro áspero, direto e necessário sobre a carreira de uma das maiores bandas do país.

Dirigido por Daniel Ferro, a obra foi dividida em 5 episódios de 1 hora de duração cada um, e conta com depoimentos dos quatro integrantes da fase mais produtiva da banda: Rodolfo, Digão, Fred e Canisso.

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O documentário irá estrear no dia 19 de Março de 2026 na Globoplay, e com exclusividade ao TMDQA!, o diretor da série compartilhou motivações, batidores e fotos do processo que resultou em um registro necessário sobre a história do Raimundos.

Andar na Pedra - A História do Raimundos

Daniel Ferro e Rodolfo Abrantes (foto por Karyme França)
Foto: Tenho Mais Discos Que Amigos!

Com currículo importante no rock independente brasileiro e muito prestígio no audiovisual, só Daniel Ferro poderia ter reunido depoimentos dos quatro integrantes separados pelo tempo.

E olha que não é a gente que está dizendo isso, foi o próprio quarteto que, de forma individual e separadamente, confidenciou a mesma frase ao diretor:

"Durante a produção do documentário, ouvi algumas vezes a mesma frase: "Daniel, eu não estaria fazendo esse documentário se não fosse você à frente disso." Isso me fez pensar sobre confiança e transparência — porque só chegando nesse lugar é possível contar uma história tão complexa. Mas isso levou tempo. Décadas, na verdade.

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Por acaso, nossas histórias se cruzaram ainda em 1999, quando testemunhei o Raimundos gravando a então inédita "Mulher de Fases". Um amigo meu, o Roger Fires — que inclusive é o ilustrador da série "Andar na Pedra" — tinha feito amizade com o Digão no surf, e acabamos convidados para acompanhar a gravação.

Mesmo depois das rupturas entre eles, sempre mantive uma relação transparente com todos. Anos depois da conversão do Rodolfo, quando ele estava há muito tempo longe da grande mídia, tive a ideia de gravar um episódio do meu programa Rock Estrada, no Multishow, com ele. Em 2011, fui o primeiro jornalista de grande mídia a acompanhá-lo nessa nova fase: peguei a estrada sozinho com uma câmera na mão. Existia muita curiosidade sobre o que ele estava fazendo, e acho que ali começou um processo de confiança.

Quando chegou a hora de formatar a série para o Globoplay, foram dezenas de horas de conversas individuais. Cada integrante tinha seus medos, mágoas e expectativas. Meu trabalho foi ouvir todo mundo e tentar reunir todos em torno de um objetivo: recontar essa história de uma vez por todas e fazer as pazes com o passado.

Desde o início deixei claro que o documentário teria independência editorial — não seria um conteúdo chapa-branca da banda atual, mas um retrato honesto da história. Eles respeitaram isso e não tiveram controle sobre o conteúdo nem sobre o corte final.

Acho que essa transparência ajudou cada um a se abrir. No fim, o processo virou uma sessão de terapia coletiva — surpreendendo muita gente, inclusive eu."

Origens do Documentário

Ao falar a respeito das motivações para a obra, Daniel fala sobre o processo que resultou na investigação:

"Eu me lembro bem: em 2001, quando eu ainda estava na faculdade de jornalismo, explodiu na imprensa a notícia de que o Rodolfo havia deixado o Raimundos. Parecia inacreditável. Muita gente achou que fosse boato, e demorou até cair a ficha. Depois veio a pergunta que ficou no ar: por quê?

Na época li tudo que saiu sobre o assunto, mas nenhuma explicação parecia suficiente. Aquilo virou um mistério para mim: como alguém com dinheiro, fama e poder abandonava a maior banda do Brasil, no auge, de um dia para o outro? Algo que até hoje nunca tinha sido explicado de forma realmente convincente, mesmo depois de tantas matérias e podcasts. Tinha muita coisa que não se encaixa. Decidi investigar.

Anos depois, já trabalhando com documentários e realities, a história reapareceu. Em 2011, fui o primeiro jornalista a viajar com o Rodolfo após sua conversão. Foi meu primeiro contato com ele nessa fase — mais reservado e distante da grande mídia, mas ainda assim muito receptivo. Ao mesmo tempo, acompanhei de perto a reconstrução do Raimundos e acabei trabalhando com a banda, dirigindo projetos como o DVD Acústico. De certa forma, eu estava próximo dos dois lados, mas sempre senti que não havia espaço para contar essa história.

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Era um tabu.

Tudo mudou em julho de 2020, quando, no meio da pandemia, saiu a notícia de que Digão havia perdoado Rodolfo após décadas sem se falarem. Quando li aquilo pensei: agora é a hora. Liguei para os dois no mesmo dia e propus: "Vamos contar a história do Raimundos em um documentário." Assim nasceu o pitch para o Globoplay e o projeto começou.

Mas nada me preparou para o que a gente acabou mergulhando. Uma história que vai além do que uma simples biografia de banda. Densa, conturbada e com algumas reflexões profundas."

Reunião com a Formação Original

Foto: Tenho Mais Discos Que Amigos!

É claro que a grande pergunta que fica no ar é sobre como Daniel Ferro conseguiu coletar depoimentos e convencer os integrantes a contarem histórias, já que a carreira do Raimundos ficou marcada por desavenças e separações.

Ao falar a respeito, ele esclarece:

"Sem dúvida, esse foi um dos maiores desafios do projeto: reunir, dentro do mesmo documentário, a formação original do Raimundos — Rodolfo, Digão, Fred e Canisso — que deixou de existir em 2001.

Quando começamos, apenas Rodolfo e Digão tinham retomado o contato. As outras relações ainda estavam bem estremecidas, o que deixava tudo muito delicado. Mas, ao mesmo tempo, isso virou um trunfo narrativo.

Cada um falava comigo e, de certa forma, respondia aos outros através do próprio documentário. Eles não estavam frente a frente, mas dialogavam por meio das entrevistas. Virou uma grande acareação de fatos, em que eu confrontava versões para tentar preencher as lacunas da história.

A série revisita momentos muito dolorosos — tragédias, brigas e conflitos —, mas também celebra momentos marcantes da banda. O grande drama da produção, porém, aconteceu em março de 2023, quando, depois de mais de dois anos de trabalho, o Canisso faleceu.

Isso mudou completamente a dinâmica da série. Felizmente já tínhamos gravado bastante com ele.

Então existe algo muito particular no documentário: vemos o Canisso vivo, refletindo sobre a própria história, enquanto a narrativa também precisa lidar com a sua morte. Isso acabou dando ao projeto uma dimensão ainda mais forte e emocional."

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Imagens e Depoimentos Inéditos

Foto: Tenho Mais Discos Que Amigos!

O que podemos esperar de "Andar na Pedra"? E quais materiais inéditos estão no documentário que tem data de estreia marcada para o dia 19 de março de 2026 no Globoplay?

Com a palavra, o próprio diretor:

"O grande diferencial da série é reunir todos — integrantes, familiares, amigos e testemunhas — contando essa história juntos pela primeira vez. E de maneira profundamente pessoal e confessional.

Somado a isso, temos dezenas de horas de imagens de arquivo inéditas que estavam guardadas e foram digitalizadas pela primeira vez.

Mesmo sendo uma história já muito comentada ao longo dos anos, sempre existiram lacunas, boatos e versões incompletas. O documentário vai além dos fatos e busca entender os porquês: as motivações psicológicas, as escolhas e suas consequências.

É uma visão profundamente humana da relação entre os quatro integrantes originais. Mostramos como pequenas decisões geram um efeito dominó — quase um efeito borboleta — que acaba impactando para sempre a vida de muita gente. Algumas de maneira irreversível."

Informações, Sinopse e Data de Estreia

Foto: Tenho Mais Discos Que Amigos!

"Andar na Pedra: A História do Raimundos" é uma série documental em 5 episódios que narra a trajetória de uma das bandas mais marcantes do rock brasileiro.

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Focada na formação original surgida em Brasília no fim dos anos 80, mostra como o grupo conquistou o Brasil na década seguinte. Por meio de depoimentos inéditos, a série revisita momentos de glória e tragédias, revelando arquivos raros que ajudam a reconstruir a jornada da banda. Do auge, com mais de 3 milhões de álbuns vendidos, ao choque de 2001 com a saída repentina do vocalista Rodolfo para seguir sua fé, a produção acompanha as dificuldades e tentativas de reerguimento até o renascimento da banda.

" Andar na Pedra: A História do Raimundos " é um convite a reflexão sobre a difícil, mas inevitável, reconciliação com o passado. Uma história de vitórias, perdas, tragédias, aprendizados e legado, contada pelos próprios envolvidos, familiares, amigos e desafetos, com o olhar de quem viveu a trajetória desde o início.

Principais Entrevistados

Foto: Tenho Mais Discos Que Amigos!

Rodrigo Campos (Digão): Guitarrista e vocalista do Raimundos

Rodolfo Abrantes: Ex-vocalista do Raimundos

Canisso: Ex-Baixista original do grupo

Fred: Ex-Baterista original do grupo

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Adriana Toscano: Viúva de Canisso

Alexandra Abrantes: Esposa de Rodolfo Abrantes

Dinho Ouro Preto: Vocalista do Capital Inicial

Serginho Groisman: apresentador Altas Horas

Caito Maia: Empresário e amigo

Sabrina Parlatore: Ex-apresentadora da MTV Brasil

Marco Britto: guitarrista do Charlie Brown Jr.

Tico Santa Cruz: Vocalista do Detonautas

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Gabriel Thomaz: Músico e amigo de infância

Ricardo Alexandre: Jornalista

Carlos Marcelo: Jornalista

Guilherme Bonolo: Ex-equipe do Raimundos

Martin Luthero (Telo): Compositor

Foto: Tenho Mais Discos Que Amigos!
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