Após recalibrar a rota, o Detonautas finalmente pisou no acelerador para atravessar 2026 em alta voltagem. Após flertarem com a nostalgia em projetos acústicos e comemorativos, Tico Santta Cruz conversou com o TMDQA! sobre o novo e audacioso capítulo da banda: Rádio Love Nacional, lançado nessa sexta-feira (13).
Se antes era observado um grupo zelando pelo próprio patrimônio, o novo disco é o som de uma banda que recuperou o "instinto de sobrevivência". "Toda vez que somos desafiados, nos sentimos vivos", revela Tico, destacando que a urgência criativa do álbum nasceu de uma provocação que os tirou da zona de conforto após quase três décadas de estrada.
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Conexões
A jornada até Rádio Love Nacional não seguiu o roteiro tradicional. Tico relembra que, durante o isolamento da pandemia, o "exílio" digital no aplicativo Clubhouse gerou um encontro improvável; foi batendo papo madrugada adentro que nasceu a amizade com o produtor Pablo Bispo, uma conexão que mudou o rumo sonoro do grupo.
O que quase virou um porto seguro de regravações se transformou em um mergulho no desconhecido após o incentivo de Rafael Ramos (Deck). Com a chegada de Ruxell ao time, o Detonautas "hackeou o próprio algoritmo". Tico explica:
"Em 2024, entramos no estúdio para criar 10 músicas que não existiam, nem em rascunho. Foi imensamente libertador trabalhar sem a pressão de soar como o Detonautas de 20 anos atrás."
Essa ausência de amarras resultou em um álbum que o vocalista descreve como uma "estação de rádio completa", onde o rock encontra o tecnobrega, o trap e a pulsação das pistas brasileiras sem perder a essência de letras confessionais, fazendo com que o público ainda possa se encontrar com o Detonautas que conquistou o país.
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Além do Estereótipo: carnaval, vampiras e fé
O título do álbum, inspirado uma estética cinematógrafica, levanta a questão: pelo que uma banda que já tocou nos maiores festivais e emplacou dezenas de hits ainda luta? Para Tico, a batalha agora é contra o estancamento criativo e o preconceito.
A participação de Milton Cunha na faixa "Vampira" é o símbolo dessa quebra de barreiras, trazendo o "brilho" do Carnaval para o universo do rock, muitas vezes sisudo. "É um ato de ousadia contra o estereótipo", afirma o músico.
"Não é ambição por prêmios. É a ambição de conectar com quem está ouvindo coisas novas agora. Quero que esse disco tenha o frescor de quem está começando, mas com a bagagem de quem já viu muita coisa."
Para Tico, a batalha do disco também é espiritual. Entre "espadas de fogo" e "machados de justiça", o álbum presta homenagem a entidades como o "Capa Preta", combatendo o preconceito contra religiões de matriz africana através da arte.
"É uma oração. Quem conhece a Umbanda e o Candomblé vai entender de primeira. É uma forma de falar com o espiritual para resolver nossas fragilidades."
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Mais Discos Que Amigos
A relação com a música brasileira e a ancestralidade guiou toda a conversa. Fiéis ao nome do nosso site, Tico entrou na brincadeira e comentou sobre sua coleção. "Eu certamente tenho mais discos do que amigos", disse o vocalista rindo, revelando que seu álbum de "cabeceira" e formação de caráter seria o clássico Que País É Este, do emblemático Legião Urbana.
Com Rádio Love Nacional, o Detonautas prova que, após as tempestades e as mudanças de formação, o que resta é o prazer cru de se reinventar. Para os fãs, a mensagem é clara: a banda não quer ser um museu, mas sim uma frequência viva, solar e necessária para os dias de hoje.
Você pode ouvir Rádio Love Nacional abaixo:
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