Membro do Fleetwood diz não se lembrar de gravar álbum de 1987

'Tango In The Night' e a espiral tóxica que definiu uma lenda do rock

14 ago 2026 - 18h02
Membro do Fleetwood diz não se lembrar de gravar álbum de 1987
Membro do Fleetwood diz não se lembrar de gravar álbum de 1987
Foto: The Music Journal

A saga do Fleetwood Mac é uma tapeçaria rica em genialidade musical e caos pessoal. Em 1987, quando o álbum Tango In The Night chegou às prateleiras, uma década exata após o estrondoso sucesso de Rumours, ele não apenas marcou um ponto de virada sonoro, mas também selou uma era de turbulência que parecia nunca ter fim.

Este disco, apesar de seu brilho melódico, foi a trilha sonora de uma banda à beira do precipício, ecoando dramas já conhecidos, mas com uma intensidade renovada.

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Para os fãs, a constatação era dolorosa: a mudança era apenas uma ilusão, e o coração volátil do grupo permanecia intacto.

A Lenda da Toxicidade Criativa

Desde suas origens, o Fleetwood Mac sempre flertou com o limite da estabilidade. Mesmo antes da chegada de Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, o grupo já era um caldeirão de personalidades e transições musicais. A identidade da banda parecia moldar-se constantemente à sua formação, culminando na era de ouro com Peter Green. Contudo, o colapso mental de Green, induzido pelas drogas, forçou um reinício doloroso.

Mas foi com a adição de Nicks e Buckingham que a banda atingiu seu ápice dramático. A fusão de suas vidas amorosas e separações com a criação musical resultou em Rumours, um clássico atemporal que transformou a dor pessoal em arte universal. O álbum era a prova de que, para o Fleetwood Mac, o sucesso podia ser forjado na fornalha de sua própria toxicidade.

O Sexto Membro: A Cocaína

Foto: Warner Music / The Music Journal

De acordo com uma matéria da Far Out Magazine, na década de 1970, com toda a sua efervescência, oferecia uma válvula de escape perigosa para tamanha pressão: as drogas. A cocaína emergiu como um membro não oficial do Fleetwood Mac durante as sessões de Rumours, e sua presença se estendeu, implacável, pelos anos 1980.

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Longe de resolver os conflitos internos, Rumours, na verdade, expôs e aprofundou as feridas pessoais da banda, prenunciando um futuro ainda mais caótico. O que veio a seguir, com Tango In The Night, foi um retorno à forma em mais de um sentido. A banda, mais uma vez, se equilibrava na corda bamba entre a composição brilhante e o consumo desenfreado.

Um Declínio Sob o Holofote

O cofundador Mick Fleetwood, em uma revelação chocante, admitiu que a intensidade do uso de cocaína durante a produção de Tango In The Night superou até mesmo os excessos de Rumours.

"Na verdade, foi muito pior em Tango In The Night, com certeza", confessou Fleetwood, uma declaração poderosa vinda de alguém que, ironicamente, cogitou incluir agradecimentos à droga nos créditos de Rumours. Essa intensidade tóxica, segundo Fleetwood, tinha Stevie Nicks como uma figura central. Nicks, muitas vezes retratada como a "vítima" nas narrativas do Fleetwood Mac, mais uma vez enfrentou dificuldades durante as gravações, mesmo buscando um certo distanciamento do processo criativo.

A Ausência Presente de Nicks

"Ela não estava muito presente", rememorou Fleetwood. "Não me lembro porquê. E acho que nós também não nos lembraríamos - Stevie e eu éramos malucos!" Esse comportamento errático, alimentado por anos de excessos e dramas, confirmou uma suspeita que pairava sobre a cabeça dos fãs desde 1977: talvez, após o triunfo avassalador de Rumours, a separação tivesse sido a melhor saída para todos, livrando-os da dor incessante de ser um Fleetwood Mac.

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Tango In The Night, com seu brilho melódico e seus bastidores sombrios, é um testemunho da genialidade e da autodestruição que definiram uma das maiores bandas da história.

The Music Journal Brazil
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