"Foi?" - a pergunta, capturada quase como um sussurro entre o esgotamento e a epifania, encerra o clímax instrumental de "Mira Céu" e sintetiza a travessia espiritual que a Abissal propõe em seu EP de estreia, SUTRA (lançado na quarta-feira, 18/03). Após um hiato que serviu como período de gestação criativa, o quarteto de Jundiaí (SP) ressurge em 2026 não apenas para ocupar um espaço no rock alternativo paulista, mas para erguer um santuário sonoro onde a dor do passado é transmutada em uma cura luminosa e urgente.
Se o rock autoral muitas vezes se perde no niilismo, em SUTRA a banda mergulha em uma arquitetura de "melancolia luminosa". O disco é um organismo vivo que respira entre o peso das guitarras distorcidas dos anos 90 e a delicadeza etérea do dream pop contemporâneo; é a prova de que a Abissal não busca apenas o volume, e sim, utiliza o silêncio e o ruído para mapear os labirintos do autoconhecimento.
Preparamos um mergulho profundo no que esse lançamento representa. Bora entender essa jornada?
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Da garagem ao astral
A narrativa de SUTRA é desenhada como uma ascensão técnica e sensorial. O trabalho abre com o som orgânico de cabos sendo plugados, evocando o "chão" da sala de ensaio, para gradualmente nos elevar ao "céu interior". Sob a regência precisa do maestro e produtor Gui Godoy, a banda encontrou o equilíbrio entre a experimentação psicodélica e a sofisticação melódica.
Nas faixas, percebemos um grupo que refinou o olhar sobre os próprios traumas. Em "Meu Templo", a composição se transforma em um divã aberto: a letra aborda com coragem as cicatrizes de abandonos familiares, provando que o autocuidado espiritual é o verdadeiro cerne do projeto. Já em "Ouroboros", a sonoridade líquida e cíclica ecoa influências que visitam desde o Radiohead até a mineiridade do Clube da Esquina, consolidando a Abissal como um nome para ficarmos de olhos abertos no cenário do rock alternativo neste ano.
A qualidade técnica do projeto é um capítulo à parte, e marca a consolidação do selo Casalago Records. Gravado e arranjado com um preciosismo raro em estreias, o EP traz uma ficha técnica que reflete a força do coletivo - da cozinha rítmica pulsante de Uncas e Bruno Cavalcanti às camadas atmosféricas das guitarras de Dan e Murilo Ferragut, cada nota parece ter sido arquitetada para conduzir o ouvinte a um estado de imersão total.
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A certeza do novo rock paulista
Mais do que um registro de estreia, este EP é um manifesto sobre a capacidade humana de se reconstruir através da arte. Ao lançar SUTRA, a Abissal torna a certeza de que o rock independente brasileiro ainda sabe como ser profundo sem ser inacessível.
Enquanto muitos discutem a relevância do gênero, Jundiaí nos entrega um trabalho que respira vitalidade, técnica e, acima de tudo, verdade. Você pode ouvir o EP abaixo - prepare os fones, feche os olhos e permita-se o mergulho.
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