A canção que surpreendeu até o próprio Phil Collins

Décadas após uma performance insana com o Brand X, ícone do Genesis mal reconhece sua própria genialidade na bateria.

29 jul 2026 - 16h52
A canção que surpreendeu até o próprio Phil Collins
A canção que surpreendeu até o próprio Phil Collins
Foto: The Music Journal

A trajetória de Phil Collins é um espetáculo de versatilidade, mas mesmo os maiores virtuosos têm momentos em que sua própria arte os surpreende. Anos após solidificar sua reputação como um dos bateristas mais inventivos da história do rock progressivo, Collins se viu diante de uma gravação que desafiava sua própria memória e percepção de habilidade.

O palco para essa epifania foi o Brand X, o projeto paralelo que ele co-fundou, um universo musical distante das convenções que regiam o Genesis.

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A música em questão, Nuclear Burn, a faixa de abertura do álbum Unorthodox Behaviour de 1976, é uma explosão sonora. Nela, o jazz fusion se entrelaça com ritmos frenéticos e linhas instrumentais intrincadas, culminando em uma performance de bateria que transcende o esperado. Longe da disciplina formal e dos arranjos meticulosamente orquestrados do Genesis, o Brand X era o laboratório de experimentação de Collins, um espaço para a improvisação desenfreada e a exploração de limites técnicos.

A Revelação de Uma Performance Esquecida

O choque veio quando Collins revisitou Nuclear Burn. Em suas próprias palavras, conforme revelado à Far Out, a experiência foi quase surreal:

Parece outra pessoa tocando aquilo. Quase não consigo acreditar que eu era capaz de tocar daquela maneira

A influência para essa incursão no fusion não era segredo. A Mahavishnu Orchestra, especialmente o icônico álbum The Inner Mounting Flame, serviu como bússola para o Brand X. Collins destacou a maestria de Billy Cobham nesse disco como um divisor de águas.

Billy Cobham tocou algumas das melhores partes de bateria que já ouvi naquele álbum. Todos nós do Brand X fomos influenciados por aquele grupo

Do Rigor do Genesis à Liberdade do Brand X

Embora o Brand X representasse uma fuga estilística, Collins nunca teve a intenção de abandonar o Genesis. Para ele, as duas bandas eram complementares, atendendo a diferentes facetas de sua expressão artística. O Genesis, com sua estrutura e composições elaboradas, era o lar onde a disciplina e a construção coletiva prevaleciam. Já o Brand X era o antídoto, o refúgio para a espontaneidade.

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O Brand X era o lugar para onde eu ia me divertir. Era como um lugar onde eu podia tirar a roupa e viver, fazer coisas que não podia fazer onde realmente morava, que era o Genesis

Essa dualidade foi, talvez, a chave para sua longevidade e inovação. O Genesis oferecia a base, a fundação sólida; o Brand X, por sua vez, abria as portas para o desconhecido, permitindo que Collins explorasse até onde sua musicalidade poderia levá-lo. E, em alguns casos, essa exploração o impulsionou tão longe que a própria autoria das batidas se tornava quase irreconhecível para o próprio mestre.

Essa é a essência da verdadeira arte: transcender a si mesmo, mesmo que isso signifique se deparar com um estranho em sua própria obra-prima.

The Music Journal Brazil
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