A cantora e compositora Amabbi apresenta nesta quinta-feira (12) o álbum Crisálida, seu segundo trabalho de estúdio e o projeto mais pessoal de sua trajetória até agora. Com 13 faixas, o disco marca uma nova etapa na carreira da artista paulistana ao construir uma narrativa sobre transformação, autoconhecimento e feminilidade, equilibrando elementos de R&B e rap em uma obra que se assume como um retrato de transição.
O lançamento chega após os singles "Deu Fuga" e "Old School", apresentados no final de 2025 como primeiros sinais dessa nova fase. Se no álbum de estreia, Versos e Voos (2024), Amabbi explorava um olhar mais lúdico e inspirado por referências externas, agora ela assume um lugar mais direto dentro da própria história.
A ideia central do projeto surge a partir da metáfora da crisálida, estágio intermediário da metamorfose da borboleta — nem início, nem fim, mas o processo invisível entre os dois momentos. Segundo a artista, o conceito nasceu quando ela começou a refletir sobre o próprio momento de vida.
"Eu percebi que estava nesse lugar quando acordava de manhã e escutava podcast, principalmente o da Lela Brandão", conta Amabbi. "O principal ensinamento foi entender e aceitar quando estamos no meio de um processo e que tudo demanda um tempo. Falar sobre esse meio do caminho foi importante para aceitar o meu momento."
Dualidade de Amabbi
A cantora explica que o disco também se constrói como uma espécie de livro aberto, onde as músicas funcionam como capítulos que atravessam não apenas suas experiências pessoais, mas também histórias compartilhadas por outras mulheres. "Esse álbum é um livro. Eu conto histórias nas minhas composições, então tem assuntos fortes que falam sobre outras mulheres. Tudo isso faz parte desse processo pessoal e também da construção do disco."
Musicalmente, Crisálida se estrutura sobre uma dualidade que atravessa todo o projeto. O rap aparece como a base estrutural do álbum — mais direto e cru — enquanto o R&B ocupa o espaço emocional e melódico das canções. Para Amabbi, essa mistura reflete sua própria formação musical.
"Eu acredito nessa definição porque o rap vem da minha base e esteve comigo desde pequena. Eu sempre tentei ter um estilo mais gangsta e isso sempre inspirou minha composição", afirma. "Ao mesmo tempo, eu amo R&B e gosto de trazer a melodia junto às rimas."
O disco reúne participações de Clara Lima, YOÙN, Freeda, Cynthia Luz, DAY LIMNS, Elana Dara e Clau, artistas que ocupam papéis específicos dentro da narrativa do projeto. Na faixa "Do Que é Feito o Amor?", parceria com YOÙN, Amabbi mergulha em um R&B mais tradicional, construindo a música a partir de uma pergunta aberta sobre os afetos.
Já em "Mili, Mili", uma das faixas mais simbólicas do álbum, a artista amplia a discussão ao abordar ancestralidade e continuidade feminina, citando nomes como Negra Li, Anita Garibaldi e Dona Ivone Lara. Para ela, essa reverência também funciona como um gesto de posicionamento dentro da própria cena.
"É importante fazer essa reverência às mulheres que abriram caminhos antes de mim", explica. "Eu faço isso para pedir licença onde estou chegando e também para abrir espaço para essa nova fase."
Força das minas
Além das reflexões sobre identidade e linhagem, Crisálida também atravessa temas mais íntimos e dolorosos, como ghosting, luto, desilusão amorosa, ambição e conflitos emocionais. Essas experiências aparecem como parte das rachaduras que compõem o processo de transformação retratado no disco.
Ao longo do projeto, a artista também assume que não busca apresentar respostas definitivas. Pelo contrário: o disco se constrói justamente a partir da aceitação das dúvidas e da ideia de que o crescimento acontece no meio do caminho.
Essa perspectiva aparece também na dedicatória final do álbum, voltada às mulheres que acompanham sua trajetória. Para Amabbi, o objetivo do projeto é criar identificação e abrir espaços de diálogo entre suas ouvintes.
"Acredito que as fases que vivemos enquanto mulher não devem ser solitárias", diz. "Não são experiências únicas. Eu quero que ninguém se sinta sozinha. A ideia é mostrar que as mulheres não estão juntas só na música, mas em todos os lugares."
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