Após ser retirado dos shows de Ed Sheeran por manifestações políticas, Macklemore estreou em Dublin a turnê beneficente "Free Palestine", com renda destinada a causas humanitárias. O evento reuniu nomes como Hozier e o grupo Kneecap no palco, além de apoios em vídeo de Mark Ruffalo e Julian Casablancas. O rapper, que doou seu cachê de US$ 1 milhão à causa, defendeu a dignidade do povo palestino em uma noite de hits e discursos que seguirá para outras cidades europeias como Paris e Londres.
Com participações de Hozier e Kneecap, rapper abre turnê beneficente em Dublin após ser retirado dos shows de Ed Sheeran; Mark Ruffalo e Julian Casablancas também manifestaram apoio.
A música como instrumento de mobilização política foi o fio condutor da estreia da turnê Free Palestine, de Macklemore, realizada na segunda-feira (26), em Dublin, na Irlanda. Diante de uma arena tomada por bandeiras palestinas, o rapper reuniu artistas, ativistas e fãs em uma noite dedicada à solidariedade com a população de Gaza, transformando uma controvérsia recente em um movimento de apoio humanitário.
O espetáculo na 3Arena contou com participações de Hozier e do grupo irlandês Kneecap, além de mensagens gravadas de personalidades como Mark Ruffalo, Julian Casablancas, vocalista do The Strokes, e Ilana Glazer. Toda a renda dos shows da turnê será destinada a instituições que apoiam a Palestina. Macklemore também doou US$ 1 milhão, valor correspondente ao cachê que receberia na turnê de Ed Sheeran.
A polêmica que deu origem à turnê
A iniciativa acontece após Macklemore ser retirado da turnê norte-americana Loop, de Ed Sheeran. Em setembro, o rapper pronunciou as palavras "Free Palestine" durante apresentações no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e fez discursos políticos que ganharam ampla repercussão nas redes sociais.
A decisão de afastá-lo da programação provocou reações entre artistas e fãs. Integrantes da equipe musical de Sheeran, incluindo músicos do grupo Beoga, além de Finneas, Lukas Graham e Aaron Rowe, também deixaram a turnê em solidariedade a Macklemore.
O episódio ampliou o debate sobre os limites da manifestação política em grandes eventos musicais e sobre a responsabilidade de artistas diante de crises humanitárias. Em Dublin, o rapper retomou o assunto ao defender que o pedido de liberdade para os palestinos não deveria ser interpretado como uma mensagem de ódio.
"Liberdade que exige a opressão de outra pessoa não é liberdade", afirmou durante o discurso, relacionando sua manifestação à defesa da dignidade humana e ao sofrimento das famílias atingidas pela guerra.
Hozier destaca estudantes palestinos
Um dos momentos mais marcantes da noite foi a participação de Hozier. O cantor irlandês apresentou sucessos como "Too Sweet", "From Eden" e "Work Song", mas também aproveitou o palco para chamar a atenção para a situação de 55 estudantes de Gaza que aguardavam a aprovação de vistos para estudar na Irlanda.
O artista pediu uma solução para o caso e expressou orgulho pela mobilização de seu país em apoio à causa palestina.
Hozier também surpreendeu o público ao interpretar "The Prayer of Shields", uma canção folclórica do século XVIII, escrita por John Shield, que aborda a igualdade entre pessoas de diferentes religiões. A escolha reforçou a mensagem de convivência e solidariedade que atravessou o evento.
Já o Kneecap levou uma atmosfera mais intensa à arena, com faixas como "Fenian" e "H.O.O.D.". O trio agradeceu a Macklemore pela realização do concerto, enquanto a menção a Ed Sheeran provocou uma reação entusiasmada do público.
Mark Ruffalo defende igualdade como caminho para a paz
Mesmo sem comparecer ao evento, Mark Ruffalo participou por meio de uma mensagem em vídeo. O ator incentivou a continuidade da mobilização em defesa da Palestina e relacionou a construção da paz à igualdade entre os povos.
"Não haverá paz até que exista igualdade", declarou, sob aplausos da plateia.
Julian Casablancas também enviou uma mensagem de apoio, destacando a importância de cuidar dos mais vulneráveis e continuar lutando por uma sociedade mais justa. Ilana Glazer, por sua vez, incentivou o público a continuar usando sua voz para apoiar a liberdade palestina.
A programação começou com uma introdução de Liam Cunningham, ator conhecido por interpretar Davos Seaworth na série Game of Thrones. Em seguida, a cantora Lina Makoul, de origem palestina e israelense, apresentou uma performance musical sem palavras, introduzida como uma forma de expressão diante dos riscos associados a declarações públicas.
Repertório reúne sucessos e protesto
No palco, Macklemore combinou o repertório que consolidou sua carreira com novas composições de conteúdo político. A apresentação começou com "Chant", ao lado de Tones and I, e seguiu com hits como "Thrift Shop", "Same Love", "Glorious", "These Days" e "Good Old Days".
A noite também marcou a apresentação de "Where Is Our Love?", música inédita escrita pelo rapper na semana anterior. A faixa aborda a situação palestina e amplia o debate para outras crises internacionais, incluindo a violência associada às operações do serviço de imigração dos Estados Unidos, o ICE, e as emergências humanitárias no Congo e no Sudão.
O encerramento ficou por conta de "Can't Hold Us", quando Macklemore entrou na plateia e foi carregado pelos fãs. Antes de deixar o palco, reafirmou seu compromisso com a causa palestina e prometeu continuar defendendo a libertação coletiva.
Música, posicionamento e responsabilidade pública
A estreia da turnê Free Palestine evidencia como os palcos internacionais continuam sendo espaços de expressão política e mobilização social. Ao reunir artistas de diferentes áreas e destinar a arrecadação a organizações de apoio à Palestina, Macklemore converteu sua saída da turnê de Ed Sheeran em uma iniciativa com objetivos humanitários explícitos.
Os próximos shows acontecem em Paris, na quinta-feira, e Londres, na sexta-feira. A expectativa é que a turnê mantenha a combinação entre apresentações musicais, discursos e arrecadação de recursos, consolidando o projeto como uma das iniciativas recentes de maior visibilidade em torno do apoio artístico à população palestina.