A memória afetiva, muitas vezes, é um tesouro guardado a sete chaves, mas a era digital trouxe uma nova urgência em documentar cada instante. Para Junior Lima, essa busca por registros se tornou uma saga pessoal, especialmente quando o assunto é o icônico Michael Jackson.
O cantor brasileiro recentemente revisitou um capítulo de sua infância que, apesar de grandioso, permanece envolto em certo mistério fotográfico.
O ano era 1993. O Brasil fervia com a expectativa da lendária turnê Dangerous, que traria o Rei do Pop em seu auge para solos tupiniquins. Naquele cenário efervescente, um jovem Junior Lima, ainda criança e já imerso no universo musical, teve a chance de viver o sonho de milhões de fãs: encontrar seu ídolo. E não foi apenas uma vez, mas duas ocasiões distintas, que hoje alimentam uma curiosa frustração.
A primeira oportunidade surgiu com a pompa que se esperaria de uma chegada real. Junior Lima foi convidado para recepcionar Michael Jackson diretamente na porta do avião.
"O ano era 93. Foi quando ele veio para o Brasil. Ele fez dois shows na turnê do disco Dangerous. Eu tive duas oportunidades de encontrar o Michael Jackson.
Oportunidade número um, me convidaram para receber ele na porta do avião", relembrou o artista.
A cena, capturada por câmeras de reportagem, existe, mas com uma peculiaridade frustrante: a imagem de Junior, segurando uma flor, é quase imperceptível.
"Existem imagens de uma reportagem e você vê que tem uma criança com uma flor na mão, mas não dá para ver a criança. Só quem me conhece muito vai conseguir me reconhecer, mas mal dá para me ver", lamentou, evidenciando como, às vezes, até em momentos históricos, o registro pode ser traiçoeiro.
A segunda chance de estar próximo ao astro foi ainda mais notável. Michael Jackson, conhecido por suas performances grandiosas e mensagens de união, incorporou em seu show a canção Heal The World, com crianças no palco. O empresário responsável por trazer a turnê ao Brasil propôs a Junior que ele aprendesse Libras para participar da apresentação.
"Oportunidade número dois, o empresário que trouxe ele para o Brasil perguntou se eu topava fazer uma aula de Libras para eu poder participar do show dele, para ficar do lado do Michael Jackson na música Heal The World. E obviamente eu topei", contou o cantor, revivendo a emoção daquele convite.
No entanto, apesar da magnitude do momento - estar no palco com o Rei do Pop -, Junior Lima se depara com um vazio em seus álbuns pessoais. As fotos desse dia tão especial parecem ter se perdido no tempo ou nunca terem sido devidamente guardadas. Esse buraco na memória visual se tornou uma das "maiores frustrações da vida" para o artista, que hoje faz um apelo aos fãs.
"Se alguém foi nesse segundo show, olha nas suas fotos, vê se tem algum registro por favor e me manda".
A história de Junior Lima ressoa com a experiência de muitos que viveram momentos marcantes antes da ubiquidade das câmeras de celular e das redes sociais. Na era do streaming e do compartilhamento instantâneo, a falta de registros digitais de um evento tão significativo como este é quase impensável.
A narrativa de Junior nos lembra que, mesmo para figuras públicas, a memória é um bem precioso e, por vezes, incompleto.
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