Dave Stewart descartou o retorno definitivo do Eurythmics aos palcos, afirmando ser tarde demais para uma reunião. Segundo o guitarrista, a vocalista Annie Lennox recusa seguidas propostas milionárias de turnê devido ao desgaste físico e à alta exigência vocal do repertório. Apesar de Stewart desejar reviver os clássicos ao vivo, a distância geográfica, o contato cada vez mais raro entre a dupla e a decisão irredutível da cantora de deixar a banda no passado inviabilizam novos shows.
O retorno do Eurythmics aos palcos mundiais foi oficialmente descartado por Dave Stewart. Em conversa com a revista Spin, o produtor e guitarrista revelou que a companheira de banda, a cantora Annie Lennox, rejeita repetidamente ofertas financeiras de grande porte para novas excursões, além de ponderar sobre os desgastes físicos que inviabilizam shows de longa duração.
A lendária dupla britânica não realiza uma turnê tradicional desde 1999, limitando-se a encontros esporádicos, como o ocorrido na cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame. De acordo com o músico, a vontade de subir ao palco sempre existiu de sua parte, mas esbarrou na decisão irredutível da vocalista:
"Eu teria topado na hora, mas a Annie sempre recusou. Acredito, de verdade, que quando você tem músicas que significam muito para as pessoas - e você as toca ao vivo, podendo observar o público à sua frente passando por uma transformação emocional, seja cantando a música, olhando para a pessoa que está ao seu lado ou qualquer outra coisa -, dá para perceber o impacto que isso causa. É claro que a música, por si só, já tem um efeito enorme, mas eu gostaria que as estivéssemos tocando."
Exigência vocal e distância geográfica
Ao refletir sobre outros retornos da música pop britânica, Dave Stewart citou o caso do Tears for Fears:
"Vale lembrar que somos uma dupla. O Tears for Fears, por exemplo, ficou muito tempo sem tocar, mas, nos últimos anos, voltou a se apresentar ao vivo. '".
Além da indisposição da parceira em negociar com promotores, o instrumentista avaliou que a complexidade das faixas originais representa uma barreira técnica quase intransponível no momento:
"Acho que não. Além disso, as músicas são incrivelmente difíceis de cantar, especialmente por uma hora e três quartos ou duas horas. Ela fez uma apresentação não faz muito tempo, mas cantou apenas umas quatro ou cinco músicas e contou com convidados para o resto. É algo extremamente exigente.
Antigamente não era assim. Poderíamos ter feito isso ao longo de uns 25 anos - uma apresentação a cada três anos, por exemplo. Mas, agora, penso ser tarde demais."
O distanciamento físico e a comunicação cada vez mais rara também pesam contra qualquer alinhamento entre os dois músicos:
"Ela mora em Los Angeles e eu vivo entre Nashville e um complexo de estúdios que tenho nas Bahamas. Costumávamos trocar e-mails e conversar bastante, mas, nos últimos dois anos, isso esfriou um pouco. Acho que ela prefere deixar tudo o que diz respeito ao Eurythmics no passado. Nunca fizemos nada do que artistas costumam fazer quando passam por toda essa trajetória e chegam a uma certa idade - como um documentário ou a realização de shows"
Criado em 1980, o Eurythmics lançou oito álbuns de estúdio e superou a marca de 75 milhões de discos comercializados em todo o planeta, impulsionado por clássicos imortais como Sweet Dreams (Are Made of This), There Must Be an Angel (Playing with My Heart), Love is a Stranger, Here Comes the Rain Again e Would I Lie to You.