Apple Music revela método para identificar músicas com IA

Nova medida, com utilização de etiquetas, busca transparência sobre uso de tecnologia na criação musical

11 mar 2026 - 16h27
Apple Music revela método para identificar músicas com IA
Apple Music revela método para identificar músicas com IA
Foto: The Music Journal

A Apple Music se tornou a mais recente plataforma de streaming a implementar medidas voltadas à transparência no uso de tecnologia dentro da indústria musical. A iniciativa pretende ajudar ouvintes a entender quando uma música utilizou inteligência artificial em alguma etapa do processo criativo, tema que vem ganhando destaque no setor nos últimos anos.

A estratégia da Apple envolve a introdução de novas "etiquetas de transparência", que deverão ser utilizadas por gravadoras e distribuidoras no momento do upload de músicas para o serviço. Essas marcações indicam quando ferramentas tecnológicas foram empregadas na produção de diferentes elementos de uma obra musical.

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Ao todo, quatro categorias de identificação foram criadas para indicar os possíveis usos da IA em uma produção. As etiquetas são chamadas de Obra de Arte, Faixa, Composição e Videoclipe, e cada uma corresponde a uma etapa específica da criação musical ou visual que pode ter recebido auxílio tecnológico.

Apple: avaliação sobre o que caracteriza partes de IA significativa será definida pelas próprias gravadoras e distribuidoras

Segundo o sistema adotado pelo Apple Music, as etiquetas deverão ser aplicadas quando a tecnologia tiver contribuído com "uma parte substancial" do material final. A avaliação sobre o que caracteriza essa participação significativa será definida pelas próprias gravadoras e distribuidoras responsáveis pelo envio do conteúdo à plataforma.

A política foi detalhada em uma comunicação enviada às empresas do setor e compartilhada com o portal Music Ally. No documento, a plataforma explicou o funcionamento do sistema e afirmou: "Assim como acontece com gêneros, créditos e outros metadados, a Apple deixa a cargo dos provedores de conteúdo a decisão sobre o que se qualifica como conteúdo de IA".

De acordo com a Apple, as novas identificações já podem ser utilizadas pelas empresas de distribuição de conteúdo. No entanto, a companhia informou que elas "serão obrigatórias ao fornecer novos conteúdos ao Apple Music no futuro". A iniciativa também foi apresentada como "um primeiro passo concreto rumo à transparência necessária para que o setor estabeleça as melhores práticas e políticas que funcionem para todos".

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A medida também levanta discussões sobre possíveis diferenças entre plataformas de streaming. A iniciativa do Apple Music surge após o Spotify ter anunciado apoio a um novo padrão de créditos musicais envolvendo inteligência artificial, desenvolvido pelo consórcio DDEX.

Na ocasião, o executivo Sam Duboff, do Spotify, explicou como funcionaria o modelo proposto pelo grupo. Segundo ele: "Se uma faixa incluir vocais gerados por IA, instrumentação por IA, um instrumento específico gerado por IA ou pós-produção assistida por IA, como mixagem ou masterização, essas informações podem ser exibidas nos créditos do Spotify ou de qualquer outro serviço que utilize o padrão".

Apesar das iniciativas semelhantes, os sistemas não são idênticos. O modelo do Apple Music segue uma abordagem própria, o que levanta dúvidas sobre a padronização de metadados relacionados à tecnologia dentro da indústria musical. O Deezer, por exemplo, também utiliza uma categoria específica identificada como "música gerada por IA".

Outra questão envolve o cumprimento das regras por parte das empresas responsáveis pelo envio de conteúdo. Em algum momento, gravadoras e distribuidoras deverão aplicar as etiquetas ao enviar músicas ao Apple Music. No entanto, ainda não está totalmente claro o que acontecerá caso essas informações não sejam fornecidas corretamente.

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A política já existente da Apple relacionada a fraudes de streaming indica que a empresa costuma aplicar penalidades financeiras quando detecta irregularidades em catálogos distribuídos. Esse histórico sugere que a ausência de transparência sobre o uso de inteligência artificial ou IA também poderá gerar consequências no futuro.

Com a introdução das novas Etiquetas de Transparência, a empresa descreve quatro categorias principais para identificar o uso de tecnologia no conteúdo musical. A etiqueta Arte indica que a IA foi usada para criar parte significativa da capa ou de elementos gráficos. Já a etiqueta Faixa sinaliza quando a tecnologia contribuiu diretamente na gravação sonora.

A etiqueta Composição identifica quando a tecnologia foi utilizada para gerar letras ou elementos estruturais de uma música. Por sua vez, a etiqueta Videoclipe indica que a IA foi usada na criação de componentes visuais de vídeos musicais ou conteúdos audiovisuais relacionados.

Segundo a empresa, as Etiquetas de Transparência devem ser aplicadas sempre que uma parte significativa da obra tiver sido criada com auxílio de IA. As gravadoras e distribuidoras poderão incluir uma ou mais etiquetas ao enviar o material, da mesma forma que já fazem com gêneros, créditos e outros metadados definidos pela Apple.

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A empresa afirma que continuará acompanhando o desenvolvimento das regras do setor relacionadas ao uso de IA. Nesse cenário, o Apple Music pretende manter o foco em transparência e igualdade de condições para criadores e distribuidores, enquanto a indústria musical define padrões e políticas para lidar com o avanço da tecnologia.

The Music Journal Brazil
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