Kanye West é proibido de entrar no Reino Unido após polêmica e pressão de patrocinadores em festival

Governo britânico nega autorização de entrada ao rapper em meio a críticas por declarações antissemitas. Marcas deixam evento e artistas cobram medidas mais concretas, enquanto Ye sugere diálogo; entenda

7 abr 2026 - 11h14

O rapper Kanye West, também conhecido como Ye, foi impedido de entrar no Reino Unido após ter sua autorização eletrônica de viagem negada pelo governo britânico. A decisão ocorre em meio à controvérsia envolvendo sua participação como atração principal do Wireless Festival, prevista para uma série de apresentações.

Segundo informações divulgadas pela Variety, o pedido de entrada foi recusado sob a justificativa de que a presença do artista "não seria favorável ao interesse público". A medida vem após pressão de políticos, entidades e patrocinadores do evento.

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Declaração e tentativa de diálogo

Em comunicado, West afirmou que tem acompanhado a repercussão de sua participação no festival e disse que seu objetivo seria "apresentar um show de mudança", defendendo mensagens de união e paz por meio da música.

"Tenho acompanhado a conversa sobre o Wireless e quero abordar isso diretamente. Meu único objetivo é ir a Londres e apresentar um show de mudança, trazendo união, paz e amor por meio da minha música. Também estou disposto a me encontrar pessoalmente com membros da comunidade para ouvir. Sei que palavras não são suficientes — vou ter que mostrar mudança por meio das minhas ações. Se vocês estiverem abertos, estou aqui."

A declaração ocorre após uma série de críticas relacionadas a falas e conteúdos anteriores associados ao artista.

Saída de patrocinadores

A crise se intensificou com a retirada de grandes patrocinadores do festival. Empresas como Pepsi, PayPal, Diageo e Rockstar Energy decidiram não associar suas marcas ao evento diante da repercussão negativa.

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O afastamento dessas companhias ampliou a pressão sobre a organização do festival, que mantém a programação mesmo diante das críticas e perdas comerciais.

Reações públicas

O ator David Schwimmer criticou a permanência de West no line-up e elogiou as empresas que romperam com o evento. "Ao contrário do Wireless e da Festival Republic, elas decidiram não dar espaço a um artista que se tornou um dos mais reconhecíveis propagadores de ódio no mundo", escreveu.

Em publicação nas suas redes sociais, ele afirmou que o artista ainda não apresentou medidas concretas que sustentem um pedido de desculpas consistente.

Schwimmer também questionou o histórico de retratações do rapper, destacando a ausência de ações práticas após declarações anteriores. "Até que ele demonstre um compromisso em reconstruir a confiança, não deveria receber uma plataforma para se apresentar."

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Defesa da organização

O diretor do festival, Melvin Benn, defendeu a decisão de manter West como atração principal. Ele afirmou que, embora considere declarações passadas do artista "inaceitáveis", acredita na possibilidade de mudança e na importância de oferecer uma segunda chance. "Testemunhei muitos episódios de comportamento desprezível que precisei perdoar e seguir em frente", afirmou.

A posição, no entanto, foi contestada por organizações como a Campaign Against Antisemitism, que acusaram a produção de lucrar com a controvérsia.

Pressão política

A participação de West no festival também gerou reações no meio político. O primeiro-ministro Keir Starmer classificou como preocupante a contratação do artista diante de declarações consideradas antissemitas, reforçando a necessidade de combater esse tipo de discurso.

"Todos têm a responsabilidade de garantir que a Grã-Bretanha seja um lugar onde pessoas judias se sintam seguras", disse.

A decisão do governo de barrar a entrada do rapper encerra, ao menos por ora, a possibilidade de sua apresentação no evento em Londres.

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