Com quase 12 anos de carreira, Sarah Roston lançou o álbum autoral "Sensível ao Toque", projeto viabilizado pelo ProAC que já supera 100 mil reproduções. Criado com seu irmão Saulo Roston e mais de 60 profissionais, o disco mistura ritmos como R&B, sertanejo psicodélico e afrobeat. Em tom autobiográfico, a obra reflete sobre as relações contemporâneas, traçando uma jornada que vai da liberdade sexual e do desapego até a redescoberta do amor e de conexões mais profundas.
Com quase 12 anos de carreira, Sarah Roston vive uma nova fase com o lançamento de seu álbum autoral, Sensível ao Toque. O projeto já ultrapassou 100 mil reproduções e reúne experiências pessoais, diferentes referências musicais e reflexões sobre as relações contemporâneas.
"Esse álbum é um suco de mim. Tem um pouco de tudo", define a artista, que morou em oito cidades brasileiras, incluindo Rio Branco, no Acre, e cidades do Mato Grosso. Essa trajetória influenciou diretamente a sonoridade do disco, que passeia pelo sertanejo psicodélico, R&B, afrobeat, bachata, arrocha e grooves brasileiros.
Do desejo ao amor
O álbum também apresenta uma jornada sobre relacionamentos. As primeiras faixas exploram desejo, liberdade sexual e a possibilidade de "passar o rodo". Aos poucos, porém, a narrativa chega ao questionamento sobre relações sem definição e ao desejo de construir conexões mais profundas.
"Teve um momento de revolução sexual, todo mundo transando um monte, mas e aí? Qual é o próximo passo?", questiona Sarah.
A artista explica que o disco acompanha justamente essa transformação: da vontade de experimentar até a coragem de escolher amar. A faixa "Suquinho da Garota", por exemplo, retrata um relacionamento duradouro que ainda preserva paixão e desejo, enquanto "Iluminar" representa o momento de se entregar novamente ao amor.
"Quando você anda amando, você anda com um sol no peito."
Um projeto viabilizado pelo ProAC
A produção do álbum ganhou estrutura por meio do ProAC, programa de incentivo à cultura do Estado de São Paulo. Sarah se inscreveu em 2024 e, inicialmente como segunda suplente, recebeu a confirmação da contemplação em 2025.
A artista conta que foram cerca de 800 projetos inscritos e que oito pessoas negras foram contempladas no estado de São Paulo. Para ela, o resultado reforçou a importância dos editais para artistas independentes e possibilitou colocar em prática a pesquisa sonora que havia desenvolvido para o álbum.
A notícia também chegou de forma inesperada. Segundo Sarah, ela havia sonhado com imagens ritualísticas e coroas poucos dias antes de receber a mensagem de que o projeto havia sido aprovado.
"Eu ajoelhei no chão, comecei a chorar", lembra.
Com o financiamento, o projeto envolveu mais de 60 profissionais, entre músicos, equipe de estúdio e audiovisual, além de assessoria e estrutura para os shows.
Música feita em família
A construção do disco também contou com a participação do irmão da cantora, Saulo Roston, músico que venceu o reality Ídolos. Os dois trabalharam juntos na composição e na construção da sonoridade.
"Eu falo que é um álbum nosso", afirma Sarah.
Para ela, ter ao lado alguém que conhece profundamente sua trajetória ajudou a enfrentar as dúvidas e os desafios do processo criativo.
Agora, com o álbum lançado e novos shows sendo articulados, Sarah pretende ampliar a conexão com o público. Ela também adianta a participação em um projeto musical sobre futebol, com uma faixa dedicada a Zagallo, além de novos trabalhos e remixes de Sensível ao Toque.
Mais do que apresentar um novo repertório, a cantora vê o disco como o início de uma fase mais autoral. "Espero que as pessoas encontrem nele fôlego, vida, dança".
Confira a entrevista completa: