DNA de D4vd teria sido encontrado em saco de lixo ligado ao sangue da vítima adolescente

O cantor enfrenta acusações de ter assassinado Celeste Rivas Hernandez para encobrir o abuso sexual da adolescente de 14 anos

24 jul 2026 - 11h46

D4vd, cantor com certificações de platina acusado de assassinar a adolescente Celeste Rivas Hernandez, de 14 anos, permaneceu em silêncio em um tribunal de Los Angeles nesta quinta, 23, enquanto uma perita criminal da polícia testemunhava que seu DNA estava entre o material genético encontrado em um saco de lixo que pode se tornar uma prova importante no caso. As informações são da Rolling Stone.

D4vd
D4vd
Foto: Pascal Le Segretain/Getty Images / Rolling Stone Brasil

O saco, que segundo os promotores continha vestígios de sangue ligados a Rivas, foi apreendido na garagem da casa alugada pelo cantor em Hollywood Hills durante busca realizada em 17 de setembro de 2025. A operação ocorreu pouco depois de os restos mortais desmembrados e em avançado estado de decomposição da adolescente serem encontrados no porta-malas dianteiro do Tesla do músico, que havia sido rebocado. A Promotoria afirma que o artista, nascido David Anthony Burke, esfaqueou Rivas até a morte na residência em 23 de abril de 2025 e desmembrou seu corpo na garagem, provavelmente semanas depois.

Publicidade

Samantha Tosch, perita criminal do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD), afirmou que um esfregaço coletado do saco de lixo durante a busca na casa continha uma mistura de DNA de quatro pessoas. Segundo ela, ao menos dois dos contribuintes eram homens, e o DNA de Burke "estava incluído nesse perfil de mistura".

Ela acrescentou que uma amostra retirada de um dos lenços umedecidos encontrados dentro do saco continha DNA que era três trilhões de vezes mais provável de pertencer a Rivas do que a uma pessoa desconhecida. O DNA de Burke, por outro lado, não foi detectado nesse lenço.

Outra perita já havia testemunhado, durante a audiência de múltiplos dias para determinar se há causa provável para o prosseguimento do processo, que diversos lenços de limpeza do tipo Clorox, cobertos por manchas marrons, foram encontrados em um saco de lixo interno colocado dentro do saco externo. Após aplicar uma solução química que fica rosa intenso na presença de sangue, os lenços apresentaram resultado presuntivo positivo, o que levou à realização dos testes de DNA.

No depoimento desta quinta-feira, Tosch afirmou que outros vestígios suspeitos de sangue coletados em diferentes pontos da garagem também correspondiam ao perfil genético de Rivas. Segundo ela, amostras retiradas de uma máquina de remo aparentemente manchada de sangue apresentaram correspondência, assim como amostras de um tapete de borracha preto no chão, de um carregador de Tesla e de uma lona verde. A perita também disse que o DNA de Rivas foi detectado em um compartimento do porta-malas traseiro do Tesla de Burke, separado do porta-malas dianteiro onde seus restos mortais foram encontrados.

Publicidade

Durante o contra-interrogatório conduzido pela advogada de defesa de Burke, Blair Berk, Tosch reconheceu que o DNA pode ser transferido para um objeto sem que a pessoa o toque diretamente. Berk também questionou o software utilizado pelo LAPD, sugerindo que ele apenas calculava a probabilidade de o DNA de Burke estar presente na mistura. "Ele não está dizendo que o DNA de David Burke foi definitivamente encontrado", afirmou.

Tosch concordou que essa interpretação era "justa", mas reiterou que continua sendo sua opinião profissional que o DNA de Burke estava presente no saco de lixo externo. A Promotoria alega que Burke chamou Rivas até sua casa em Hollywood Hills por meio de um Uber em 23 de abril de 2025, esfaqueou fatalmente a adolescente no abdômen para encobrir o abuso sexual que cometia contra ela e, em seguida, partiu para uma turnê de divulgação. Segundo os promotores, ele retornou posteriormente a Los Angeles, desmembrou o corpo da jovem em uma piscina inflável na garagem e escondeu os restos mortais em seu Tesla.

Burke se declarou inocente das acusações de homicídio, abuso sexual contínuo de uma menor de 14 anos e mutilação ilegal de restos mortais humanos. Seus advogados afirmam que as provas mostrarão que o cantor não matou Rivas nem causou sua morte. A defesa também questionou por que os investigadores não realizaram testes mais amplos de DNA de contato em outros objetos encontrados na residência do artista.

Lisa LaHendro, perita da unidade de análise de vestígios do LAPD, também depôs nesta quinta-feira. Ela afirmou ter utilizado um microscópio de alta potência para comparar fragmentos de material azul recuperados junto aos restos mortais de Rivas com a piscina inflável encontrada na garagem de Burke.

Publicidade

"É possível ver que as bordas se alinham dos dois lados", disse ela, referindo-se a uma foto de um fragmento recuperado pelo Instituto Médico-Legal colocado ao lado de um buraco na piscina, como se fosse uma peça de quebra-cabeça. "Em algum momento, ambos fizeram parte do mesmo objeto."

LaHendro afirmou ainda que os investigadores encontraram um fragmento de tecido preto em um saco de lixo na garagem de Burke, que foi comparado com a legging preta encontrada junto aos restos mortais desmembrados de Rivas. Ela, porém, não conseguiu estabelecer uma correspondência definitiva. Segundo a perita, a peça de roupa ainda estava molhada, muito suja e bastante deteriorada, tornando os detalhes das bordas pouco confiáveis para comparação.

A audiência começou com o retorno ao banco das testemunhas da perita Lauren Wallace, do Departamento de Polícia de Los Angeles, que forneceu mais detalhes sobre os supostos vestígios de sangue encontrados na casa de Burke. Durante o contra-interrogatório, Wallace afirmou que os investigadores não coletaram amostras de duas motosserras encontradas na garagem do cantor porque ambas apresentaram resultado negativo para possíveis vestígios de sangue. "As motosserras não pareciam ter sido usadas", afirmou ela, explicando que, por isso, os investigadores decidiram "não recolhê-las".

Os promotores já haviam mencionado as duas motosserras em um documento apresentado anteriormente ao tribunal, afirmando que Burke as comprou na Amazon pouco depois do suposto assassinato. Na terça-feira, um detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD) revelou pela primeira vez que os investigadores também acreditam que Burke adquiriu uma terceira motosserra — uma Makita de 10 polegadas — na Home Depot em 4 de maio de 2025, solicitando sua entrega em casa pelo Uber Postmates. Segundo o detetive, essa motosserra Makita nunca foi encontrada.

Publicidade

Uma terceira serra elétrica, localizada no andar superior da residência, também apresentou resultado negativo para vestígios de sangue e foi deixada no local, afirmou Wallace nesta quinta-feira. Defendendo seu trabalho durante o contra-interrogatório, ela explicou que os investigadores não coletaram amostras nem apreenderam objetos considerados "sem valor forense", em parte porque Burke morava na casa e era esperado que seu DNA estivesse presente no imóvel.

Wallace iniciou seu depoimento na quarta-feira, detalhando como processou as evidências na casa alugada por Burke durante a busca realizada em 17 de setembro. Ela afirmou que o Bluestar, um reagente semelhante ao luminol utilizado para detectar possíveis vestígios de sangue, apresentou fortes reações nos tapetes de borracha preta que cobriam o piso da garagem e nos tijolos localizados abaixo deles. Testes feitos no local também deram resultado positivo para possíveis vestígios de sangue na máquina de remo, em uma lona verde amassada e nos lenços de limpeza manchados encontrados dentro do saco de lixo que continha o fragmento de tecido preto.

Wallace também analisou a piscina inflável, afirmando que ela tinha um "cheiro fresco, quase de roupa lavada" e que havia uma folha amaciante presa ao material quando a examinou, meses após o suposto assassinato. Não havia sangue visível, mas uma área brilhou após receber a aplicação do Bluestar.

O detetive William Roecker, do LAPD, também prestou depoimento nesta quinta-feira, descrevendo sua análise dos dados de torres de telefonia associados ao celular de Burke e das informações de localização registradas pelo Tesla do cantor. Segundo ele, os registros mostraram que o telefone e o veículo viajaram juntos da casa de Burke, em Hollywood Hills, até uma área remota do condado de Santa Barbara em três ocasiões, incluindo a noite do suposto assassinato.

Publicidade

De acordo com Roecker, em 23 de abril de 2025, o celular de Burke e o Tesla deixaram a residência por volta das 23h31 e seguiram até uma região "bastante deserta" próxima à Highway 154, perto de onde um funcionário do transporte encontrou, em 7 de janeiro de 2026, o cartão de passaporte americano de Rivas. A Promotoria alega que Burke foi até o local após matar a adolescente para descartar provas.

Roecker afirmou que o celular de Burke ligou para o número de Rivas por volta de 0h04 do dia 24 de abril, embora a ligação aparentemente não tenha sido atendida. O telefone e o Tesla retornaram à residência de Burke por volta das 7h.

O detetive acrescentou que o celular e o carro voltaram à mesma região na noite de 8 de maio e novamente na tarde de 31 de maio. Ele também afirmou que Burke utilizou uma estação de carregamento próxima ao Lago Cachuma, no condado de Santa Barbara. Em outro momento da audiência, uma perita criminal testemunhou que os investigadores encontraram pelo menos 11 aromatizadores de ambiente dentro do Tesla de Burke, incluindo um localizado sob uma massa de larvas de mosca próxima ao local onde os restos mortais de Rivas estavam escondidos.

A audiência preliminar começou na terça-feira com a exibição de fotografias gráficas dos restos mortais da adolescente, encontrados divididos entre dois sacos plásticos pretos no porta-malas dianteiro do Tesla Model X. Os promotores afirmaram que pequenos fragmentos de plástico azul encontrados no joelho de Rivas provinham da piscina inflável. A mãe da adolescente abaixou a cabeça e chorou enquanto as imagens eram exibidas.

Publicidade

O detetive Joshua Byers, do LAPD, afirmou na terça-feira que Burke tinha a palavra "Celeste" tatuada em letras cursivas vermelhas no dedo anelar esquerdo quando foi preso. Ele também disse que dados do Tesla mostraram que o iPhone de Burke foi desconectado do veículo às 14h18 de 29 de julho de 2025. Segundo o detetive, uma câmera de segurança de um vizinho registrou Burke caminhando de volta para casa dois minutos depois. Leitores automáticos de placas da polícia registraram repetidamente o Tesla estacionado na mesma vaga até que o veículo fosse apreendido, em 8 de setembro.

No primeiro dia da audiência, o promotor Silverman exibiu imagens de câmera corporal mostrando policiais do gabinete do xerife interrogando Burke em fevereiro de 2024, após Rivas ser inicialmente dada como desaparecida por sua família. Burke afirmou que havia conhecido a adolescente pela internet, encontrado com ela apenas uma vez pessoalmente e acreditava que ela tinha 18 anos.

Segundo a Promotoria, Burke posteriormente comprou um celular secreto para Rivas e pagou US$ 1 mil a um colega de classe para entregá-lo, depois que os pais da adolescente confiscaram seu aparelho anterior. Byers afirmou ainda que os investigadores encontraram evidências de que Burke viajou com Rivas para o Texas e para Londres, tendo comprado as passagens aéreas de ambos.

Benjamin Greger, ex-gerente financeiro da empresa de gestão de Burke, Mogul Vision, testemunhou que discutiu a transferência de propriedades do cantor no Texas para o nome da mãe dele, com o objetivo de proteger esses bens de uma possível ação civil.

Publicidade

Ao fim da audiência preliminar, o juiz decidirá se a Promotoria apresentou provas suficientes para que o caso siga para julgamento. Caso seja condenado por todas as acusações, Burke poderá receber pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional ou até mesmo a pena de morte, embora os promotores ainda não tenham informado se pretendem pedir a condenação máxima.

Rolling Stone Brasil
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se