Daniela Mercury lançou, na ultima segunda-feira (20), o clipe de "Cirandaia", terceiro vídeo do projeto audiovisual do álbum homônimo, seu 26º trabalho. A produção dá continuidade à série que contará com 16 clipes, todos gravados em 16 horas consecutivas, feito registrado no Guinness World Records.
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A cantora disponibilizou o vídeo nas plataformas digitais, seguindo o cronograma do projeto que será concluído até maio. Antes de "Cirandaia", já haviam sido lançados os clipes de "É Terreiro" e "Saudade do Mar".
Com direção musical da própria artista e direção-geral de Gringo Cardia, o novo clipe mantém a estética sensível e conceitual apresentada nos lançamentos anteriores. Inspirado na força simbólica da ciranda, o vídeo destaca temas como coletividade, brasilidade e movimento.
"'Cirandaia' é um convite à roda, ao pertencimento e à celebração da vida em comunidade", afirma Daniela Mercury.
O projeto audiovisual nasceu de um feito inédito: a gravação de 16 clipes em 16 horas consecutivas, com participação de alunos da Escola de Arte Spetaculus, fundada por Cardia. A iniciativa reforça o caráter coletivo e experimental da obra.
Projeto aposta em conceito e coletividade
Em entrevista ao POPline, Daniela destacou que "Cirandaia" reflete sua essência artística e a mistura de ritmos que marcam sua trajetória. "Eu não separo as coisas. A Bahia é essa mistura e eu sou filha dessa encontro", afirmou. A artista também reforça o caráter colaborativo do álbum, que reúne diversos convidados e celebra sua carreira.
"Eu nunca fui a favor de rótulos. Resisti a aceitar o nome [axé], porque a imprensa falava 'Diga o nome para o que você está fazendo', na época do 'Canto da Cidade' [1992]. Eu disse 'Faço MPB percussiva, faço samba-reggae', mas não teve jeito. Ficaram: 'Posso chamar de axé?'. Eu disse: 'Pode, o que eu fizer agora vai ser isso, não está nada feito, a gente está fazendo'. Então, quando me perguntam o que é axé, digo que é tudo o que a gente está fazendo e mais um pouco, até o dia em que a gente estiver vivo", elabora a maior representante do gênero baiano.
Participações especiais
O álbum novo tem 12 faixas. Abre com "Axé Salvador", com participações de Tonho Matéria, Ilê Aiyê, Muzenza, Banda Didá e Cortejo Afro. "São todos os cantores dos blocos afro cantando. A gente faz um grande coral afro-brasileiro, com os vozeirões", pontua. Alcione, Dona Onete, Zélia Duncan, Geraldo Azevedo, Gabriel Mercury, Ehuana Yaira Yanomami, Davi Kopenawa Yanomami, Chico César e Rachel Reis também estão na tracklist. Mais músicas sairão em breve, com Lauana Prado e Vânia Abreu entre as convidadas.
O conceito de "Cirandaia"
"Cirandaia é um álbum pra girar, pra dançar, mas também pra pensar. É alegre, mas tem um fundo espiritual, filosófico. Eu quis falar de amor, de respeito, de tecnologia, de tempo, de tudo o que está me atravessando agora", elabora a cantora. O título é uma junção de "ciranda" e "IA", de inteligência artificial. Daniela propõe a junção da ancestralidade e da tecnologia.
(Foto: Divulgação)
"A IA é o quê? Uma Ialorixá, porque quem tem a sabedoria do mundo inteiro é quem veio lá de trás. Eu, inclusive, faço uma fala no final dizendo que ninguém pode dominar todo o conhecimento do mundo, ninguém pode ser dono de todo o conhecimento do mundo, porque isso é um patrimônio da humanidade, que a gente tem que regular inclusive, né?", pondera a cantora.
Assista à entrevista completa:
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