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As mulheres estão dominando a música country. Por que os lineups dos festivais não refletem isso?

Os festivais Stagecoach e Gulf Coast Jam estão apostando exclusivamente em artistas masculinos como atrações principais, em um ano em que Ella Langley, Kacey Musgraves e outras estão fazendo o maior sucesso

24 set 2026 - 17h07
Resumo
Apesar do sucesso comercial recorde das mulheres na música country em 2024, grandes festivais como o Stagecoach e o Gulf Coast Jam continuam a priorizar homens brancos como atrações principais. Salvo exceções como o Two Step Inn, a representatividade feminina segue marginalizada devido ao machismo nas rádios, disparidades salariais e contratos desiguais, criando um descompasso evidente entre as escalações desses eventos e a real preferência do público que consome o gênero musical.

O verão estadunidense mal acabou, e a temporada de festivais do ano que vem já começa a dar as caras. E na música country, apesar de ser um ano excepcional para as mulheres — Ella Langley está quebrando recordes, Kacey Musgraves tem uma das turnês mais comentadas e Shania Twain está de volta para receber seus louros — a maioria das programações de festivais conta uma história diferente.

Shania Twain (esquerda) e Ella Langley (direita) (Fotos: Kevin Mazur/Getty Images for SiriusXM e Taylor Hill/FilmMagic)
Shania Twain (esquerda) e Ella Langley (direita) (Fotos: Kevin Mazur/Getty Images for SiriusXM e Taylor Hill/FilmMagic)
Foto: Rolling Stone Brasil

Primeiro, as boas notícias: alguns festivais, como o Two Step Inn, no Texas, estão quebrando paradigmas. Acontecerá nos dias 17 e 18 de abril em Georgetown, Texas, e a programação estelar contará com uma atração principal feminina, Langley, em uma das noites (Brooks & Dunn serão a atração principal na outra), além de uma série de artistas, incluindo Kaitlin Butts e Carter Faith (que se apresentarão juntas em um tributo a Dolly Parton), Flatland Calvary, Stella Lefty, Sheryl Crow, Michelle Branch e a banda mexicano-americana de primeira geração Los Hermanos Mendoza. O festival também apresenta uma excelente seleção de artistas mulheres mais experientes que nem sempre recebem o reconhecimento que merecem, como Jo Dee Messina, Pam Tillis e Lorrie Morgan. Enquanto isso, o Windy City Smokeout 2027, em Chicago, escalou Megan Moroney como uma de suas quatro atrações principais (os outros três são homens, porque mais mulheres seria, você sabe, demais?).

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Agora, as notícias não tão boas. O Stagecoach, conhecido por apresentar uma das programações mais criativas do gênero, terá como atrações principais apenas homens brancos: Riley Green, Zach Top, Garth Brooks e, no horário da madrugada, Florida Georgia Line. O mesmo acontece no Gulf Coast Jam, que ocorre em junho em Panama City Beach, Flórida, onde Bailey Zimmerman, Luke Bryan, Jason Aldean e Zach Top são as atrações principais. Basicamente, é uma sequência intercambiável de homens, uma decisão que, involuntariamente, destaca um problema na maioria dos festivais, incluindo o Two Step Inn: não mais do que um ou dois artistas negros de música country na programação, quando tem algum.

Para ser justo, se você olhar para a segunda linha do pôster do Stagecoach e além, encontrará uma lista bem selecionada de artistas: Brothers Osborne, Willie Nelson, Kelly Clarkson, Stephen Wilson Jr., Charley Crockett, Shaboozey, Maggie Antone, Butts, Faith e muitos outros. Há também uma lista de artistas fora do comum (e de outros gêneros) como Matchbox Twenty, The Fray, Melissa Etheridge, Sean Paul, Flo Rida e o vocalista do Van Halen, David Lee Roth. Mas para um festival que afirma não ser totalmente influenciado por execuções em rádios, uma programação tão centrada em artistas masculinos parece uma grande oportunidade perdida. (Um representante da Goldenvoice, promotora do Stagecoach, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário).

De acordo com a organização Book More Women, o Stagecoach deste ano conta com apenas 17,6% de mulheres (e 0,0% de artistas não-binários ou trans). O Gulf Coast Jam ainda não anunciou nenhum artista que não seja homem, e representantes disseram à Rolling Stone que a programação completa será divulgada na tarde de 24 de setembro — presumivelmente incluindo mais mulheres. Tudo isso contraria as tendências que comprovam que as mulheres não só são algumas das artistas mais rentáveis da música country atualmente, como também que artistas femininas de qualquer gênero estão promovendo alguns dos festivais mais lucrativos da indústria: veja, por exemplo, o Daisy Chain Fields, de Olivia Rodrigo.

Montar a programação de shows é um negócio complicado. Cláusulas de raio de distribuição, relacionamentos, patrocínios e o grau em que devem refletir a programação das rádios country (que ainda tocam muito mais músicas masculinas do que femininas) fazem parte do processo. Às vezes, as mulheres não recebem propostas, enquanto outras vezes, recebem menos dinheiro do que seus colegas homens para o mesmo horário.

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Ainda assim, a América escolheu "Choosin' Texas" e as mulheres da música country este ano. Talvez seja hora de os palcos dos festivais fazerem a mesma escolha.

Rolling Stone Brasil
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