Apollonia diz que Prince 'ficaria horrorizado' com a tentativa do espólio de controlar o uso de seu nome

Em uma nova petição judicial, Apollonia afirma que, dois meses antes da morte de Prince por overdose, ele foi "enfático" ao dizer que ela deveria continuar usando e se apresentando sob o próprio nome

18 jan 2026 - 10h28
(atualizado às 10h46)

Apollonia diz que Prince nunca quis lhe causar tristeza alguma — portanto, seu espólio também não deveria fazê-lo.

Prince e Apollonia durante apresentação em meados dos anos 1980
Prince e Apollonia durante apresentação em meados dos anos 1980
Foto: Richard E. Aaron/Redferns / Rolling Stone Brasil

Em uma nova declaração apresentada na sexta-feira em seu processo federal, a modelo e atriz conhecida como Apollonia afirma que Prince foi "enfático", durante um encontro cara a cara dois meses antes de sua morte, ao dizer que ela deveria continuar usando e se apresentando com o nome que ele lhe deu para interpretar seu interesse amoroso no icônico filme de 1984 Purple Rain.

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Apollonia, de 66 anos, afirma que Susan Moonsie, outra integrante do grupo feminino Apollonia 6 — formado por Prince após o lançamento do longa — estava com ela na reunião de 28 de fevereiro de 2016, realizada imediatamente após o show Piano and a Microphone de Prince em Oakland, Califórnia.

"Durante nossas conversas naquela noite, Prince foi enfático ao dizer que deveríamos continuar com nossos empreendimentos, como performances musicais, merchandising e projetos audiovisuais, e que ele queria que nós duas usássemos as marcas Apollonia e Apollonia 6 para podermos ganhar a vida, permanecer criativas e ter segurança financeira em nossos anos mais avançados", escreveu Apollonia, nascida Patricia Kotero.

Kotero, que agora processa o espólio, afirma que Prince nunca registrou a marca com seu nome enquanto estava vivo e que, portanto, a Paisley Park Enterprises (PPE), empresa que administra o espólio, extrapolou ao assumir o controle da marca Apollonia em junho passado e tentar cancelar seus outros registros e pedidos junto ao Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos. Kotero pede agora que o tribunal rejeite o pedido do espólio para que sua ação seja arquivada.

"A verdade é que nada disso teria acontecido se Prince ainda estivesse vivo", escreveu ela na declaração apresentada na sexta, 16. "Ele ficaria horrorizado com a conduta imprópria da PPE e com os esforços da PPE para usurpar seus desejos. Eu não confio na PPE e tenho medo de que, se a PPE conseguir atingir seu objetivo de tirar de mim as marcas Apollonia, minha identidade seja perdida, meus direitos sejam reduzidos, meu negócio seja interrompido e eu fique impossibilitada de usar as marcas Apollonia sem sofrer represálias da PPE".

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Kotero entrou com a ação pela primeira vez em agosto, afirmando que "atuou de forma célebre" em Purple Rain e que Prince "consentiu e incentivou" o uso do nome de sua personagem antes de sua morte acidental por overdose de fentanil, em abril de 2016, aos 57 anos. Ela alegou que era "altamente provável" que o espólio a processasse por violação de marca registrada caso tivesse sucesso em seus esforços junto ao escritório de marcas, e por isso pediu ao tribunal uma declaração judicial confirmando que ela tem direito ao seu nome e às marcas associadas.

Em um comunicado publicado no Instagram oficial de Prince em agosto passado, o espólio afirmou ter o direito de "proteger e preservar os ativos e o legado de Prince". A nota dizia ainda que o espólio tentou repetidamente resolver a disputa de forma privada e alegava ter oferecido a Kotero múltiplas oportunidades para se apresentar em Paisley Park.

Em um pedido para arquivar o processo apresentado em 13 de outubro, o espólio reforçou a alegação de que não tem intenção de impedir Kotero de usar o nome. "O réu jamais ameaçou processar a autora, jamais pediu que ela cessasse o uso de seu nome artístico adotado, nem jamais solicitou que interrompesse qualquer uma de suas atividades comerciais", dizia a petição, obtida pela Rolling Stone. O espólio argumentou que a questão da titularidade deveria ser resolvida pelo escritório de marcas, e não pelo tribunal.

Em uma queixa emendada, Kotero afirmou acreditar que o espólio estava tentando garantir o controle do nome Apollonia para empreendimentos como o musical Purple Rain, encenado no State Theatre, em Minneapolis, antes de uma possível temporada na Broadway. Ela citou uma imagem promocional da produção que mostrava a atriz Rachel Webb com o nome "APOLLONIA" impresso de forma proeminente. Kotero disse que a imagem violava seu direito de publicidade. "Os réus não têm autoridade para permitir que um terceiro use o nome, a imagem, a voz, a aparência ou outros elementos de identidade da autora, incluindo sua imagem do filme original", afirmou o documento.

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O espólio rebateu dizendo que o uso do nome abaixo da fotografia de outra atriz em materiais publicitários era insuficiente para sustentar uma alegação legal. "A autora apenas alegou que o réu utilizou o nome de uma personagem de Purple Rain, um filme no qual a autora apareceu anteriormente", argumentou o espólio no pedido de arquivamento.

"Estamos muito confiantes de que Apollonia prevalecerá na proteção de seu nome", disse à Rolling Stone o advogado de Kotero, Daniel M. Cislo. Os advogados do espólio não responderam imediatamente a um pedido de comentário feito na sexta-feira. Uma audiência sobre o pedido de arquivamento do espólio está marcada para 13 de fevereiro.

Após alcançar a fama em Purple Rain, Kotero fez turnês internacionais para promover o filme e seu hit "Sex Shooter". Ela e Prince se tornaram "amigos para a vida toda", segundo o processo, e ela coescreveu com ele o sucesso de 1986 das Bangles, "Manic Monday". Ela também fez vocais na música "Take Me With You", de Prince, usando seu nome artístico. Em 1985, tornou-se presença regular na série de TV Falcon Crest, usando novamente o nome Apollonia. Seu álbum solo autointitulado foi lançado em 1988.

Prince não deixou testamento nem filhos quando morreu, o que levou a uma disputa conturbada por seus bens. Seus seis irmãos acabaram herdando participações iguais no espólio.

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