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Andreas Kisser leva o peso do rock brasileiro aos Beatles na International Beatleweek

Guitarrista do Sepultura se apresenta na International Beatleweek 2026, em um encontro que aproxima o legado dos Fab Four da força e da ousadia do heavy metal brasileiro

28 ago 2026 - 13h28
Resumo
Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura e ícone do rock brasileiro, participará da International Beatleweek 2026 em Liverpool ao lado da banda Clube Big Beatles. O evento une o peso do heavy metal à celebração do quarteto britânico, simbolizando a profunda influência experimental dos Beatles na evolução do rock pesado e destacando a trajetória de Kisser na internacionalização da música brasileira no lendário palco do Cavern Club.

Liverpool tem uma relação particular com a música. Em poucas cidades do mundo, uma esquina, uma rua, um pub ou uma casa de shows podem carregar tanto peso histórico. Foi ali, entre clubes enfumaçados, pequenas casas de espetáculo e as ruas de uma cidade portuária, que quatro jovens começaram a construir uma história que mudaria para sempre a música popular. É nesse cenário que Andreas Kisser desembarca em 2026 para tocar ao lado da banda Clube Big Beatles, do Brasil.

Andreas Kisser
Andreas Kisser
Foto: Reprodução / Rolling Stone Brasil

Segundo Andreas, "é sensacional tocar nesse lugar mágico que mudou a história da música". Guitarrista, compositor e uma das figuras mais importantes do rock brasileiro, Kisser leva à International Beatleweek 2026 uma guitarra acostumada ao peso, à distorção e à intensidade do heavy metal. A presença do músico brasileiro, conhecido mundialmente por seu trabalho no Sepultura, acrescenta uma nova camada a um festival tradicionalmente associado à celebração da obra dos Beatles. E, talvez, seja justamente essa aparente distância entre os universos que torne o encontro tão interessante. Porque os Beatles nunca foram apenas uma banda de canções pop. Foram, sobretudo, uma força transformadora. Ao longo de uma carreira relativamente curta, ampliaram as possibilidades do estúdio, incorporaram elementos de diferentes culturas, desafiaram formatos estabelecidos e ajudaram a criar as bases para uma série de movimentos que viriam depois — inclusive o rock pesado.

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Muito do que hoje entendemos como linguagem do rock nasceu, direta ou indiretamente, daquele período de experimentação. Andreas Kisser pertence a uma geração que cresceu sob esse impacto. Décadas depois de Please Please Me, Revolver, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e Abbey Road, sua guitarra ajudaria a colocar o Brasil no mapa mundial do metal. Com o Sepultura, o músico participou de uma das trajetórias mais importantes do rock brasileiro, levando uma sonoridade originalmente construída longe dos grandes centros da indústria musical para palcos dos cinco continentes.

Em Liverpool, essas duas histórias se encontram. De Liverpool para o mundo e do Brasil de volta a Liverpool. Existe uma espécie de círculo histórico na presença de Kisser na Beatleweek.

Os Beatles saíram de Liverpool para conquistar o mundo. Andreas Kisser, por sua vez, fez parte de uma geração de músicos brasileiros que precisou conquistar espaço em uma cena internacional dominada por artistas europeus e norte-americanos. O caminho foi diferente, mas a lógica é semelhante: transformar uma identidade local em uma linguagem capaz de atravessar fronteiras.

O Sepultura fez isso levando para o metal referências brasileiras, ritmos, percussões e elementos culturais que ajudaram a redefinir a identidade da banda. Kisser sempre esteve no centro desse processo, não apenas como guitarrista, mas como um músico interessado em ampliar os limites do próprio gênero. É essa inquietação que aproxima sua trajetória da dos Beatles.

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Mais do que reproduzir fórmulas, o Fab Four passaram boa parte de sua carreira procurando maneiras de escapar delas. A cada disco, a banda parecia interessada em descobrir até onde poderia levar suas próprias ideias. O resultado foi uma obra que continuou influenciando músicos muito depois de seu fim.

O heavy metal está entre essas heranças. O legado que não cabe em um gênero. Talvez essa seja a maior força simbólica da apresentação.

Os Beatles pertencem à história do pop, mas sua influência nunca coube dentro dele. O alcance da banda pode ser medido justamente pela diversidade de artistas que, de alguma maneira, encontraram ali uma porta de entrada para a experimentação.

Kisser é parte dessa história.

Sua presença em Liverpool lembra que o legado dos Beatles não está apenas nos acordes de suas músicas mais conhecidas ou nas bandas que reproduzem fielmente seu repertório. Está também na atitude de músicos que decidiram pegar uma guitarra e descobrir o que mais era possível fazer com ela.

Do rock psicodélico ao hard rock, do punk ao heavy metal, a árvore genealógica do rock tem muitos galhos — e as raízes passam por Liverpool.

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Andreas Kisser leva consigo a história de um músico brasileiro que ajudou a internacionalizar o metal de seu país e sobe a um palco no mesmo território simbólico que revelou ao mundo John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

É um encontro entre duas forças que, embora separadas por décadas e continentes, compartilham uma mesma característica: a capacidade de fazer a guitarra soar como algo maior do que um instrumento.

Em Liverpool, onde tudo começou, o eco dessa história continua. E, desta vez, ele vem acompanhado de distorção. A International Beatleweek é um evento anual realizado pelo Cavern Club. Esse ano começou dia 26 de Agosto e irá até o dia 1 de Setembro.

Roll up!

Rolling Stone Brasil
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