Em conversa intimista, Alex Warren e Megan Moroney destacam como a vulnerabilidade e a transparência guiam suas composições para a Geração Z. Ambos construíram carreiras de sucesso impulsionadas pelo TikTok, conquistaram fãs leais com músicas confessionais e lidam com as pressões da fama, críticas e a busca por autenticidade nos palcos. Celebrando álbuns lançados no mesmo ano e uma amizade crescente, os músicos refletem sobre suas trajetórias, ídolos e o valor de transformar dores reais em arte.
Alex Warren e Megan Moroney podem atuar em gêneros diferentes, mas compõem suas músicas a partir de uma premissa muito semelhante: sendo o mais pessoais e sinceros possível com seus fãs. "Acho que sempre defendo a vulnerabilidade, mesmo que seja algo estranho", diz Moroney, sentada em um carro do lado de fora de um restaurante em Franklin, no Tennessee, ao lado de Warren — que concorda veementemente.
"Existem muitos músicos misteriosos por aí para quem quiser conferir", ele acrescenta. "Mas acho que tenho a cara de qualquer outro cara branco que você encontraria em um Buc-ee's [rede americana de postos de combustíveis]; não sinto que preciso interpretar esse papel [misterioso]."
Warren e Moroney construíram suas carreiras transformando os altos, baixos e desgostos amorosos da vida da Geração Z em hits capazes de lotar arenas. Moroney explora uma vertente de country e pop que ela chama de "cowgirl emo", enquanto Warren mistura pop, rock e folk em um estilo próprio de hinos intensos.
A dor de perder um dos pais ou um tio, os relacionamentos no início da casa dos vinte anos, gafes sociais, inseguranças — nada fica de fora para esses artistas radicados em Nashville, que se divertem ao conversar sobre tudo o que parecem ter em comum. "É meio louco, nossas histórias", diz Moroney. "Existem muitos paralelos entre nós."
É verdade. Ambos os artistas impulsionaram o início de suas carreiras graças às redes sociais e ao TikTok, emplacaram grandes sucessos a partir de seus álbuns de estreia — ela, com "Tennessee Orange", que conquistou cinco discos de platina; ele, com "Ordinary", que quebrou recordes — e realizaram colaborações que atravessam diferentes gêneros musicais.
https://www.youtube.com/watch?v=u2ah9tWTkmk
Ambos lançaram álbuns de sucesso este ano: Cloud 9, de Moroney, uma obra bem elaborada e com uma estética voltada para o rosa; e Wildchild, de Warren, um trabalho profundamente confessional. E, como descobriram, nenhum dos dois gosta de ouvir música enquanto está no carro. "Pelo visto, sou um psicopata por causa disso, mas encontrei alguém igual a mim!", diz Warren, entusiasmado.
Eles também são fãs um do outro. Warren chegou a entrar em contato com Moroney em 2024, depois que sua esposa lhe apresentou a música "Tennessee Orange".
https://www.youtube.com/watch?v=MPacja3hGdA
Ele enviou uma mensagem direta (DM) para Moroney elogiando muito o trabalho dela — mas não obteve resposta. "Você nunca viu", diz ele, rindo. "O quê! Peço mil desculpas!", exclama Moroney. (Vale ressaltar que, depois, ela passou a segui-lo de volta.) Após a tarde que passaram no Tennessee, os dois voltarão a se encontrar em Los Angeles, no dia 23 de outubro, para o evento ao vivo Musicians on Musicians, da Rolling Stone. E, a partir de agora, nenhuma mensagem ficará sem resposta. "Somos superamigos!", diz Moroney.
Warren: Sinceramente, estou ganhando muitos pontos aqui, porque minhas irmãs são suas fãs incondicionais. Elas foram ao seu show em Nashville e, quando liguei para contar que participaria desta conversa, elas estavam usando camisetas suas. Então, muito obrigado por me fazer parecer um cara legal para elas!
Moroney: Icônico! Precisamos mandar um vídeo para elas.
Warren: Tem tanta coisa que eu poderia dizer... Para começar, lembro que nós dois tocamos em um evento da Billboard; você se apresentou logo depois de mim. Todo mundo estava acompanhado por um pianista ou uma banda, mas me lembro de ver você subindo ao palco apenas com um violão. Fiquei ali assistindo e você simplesmente arrasou. Muita gente se apresentou naquela noite, mas você se destacou porque... bom, não quero ser vulgar, mas você chegou lá com uma atitude de quem diz: "Eu dei conta do recado".
Moroney: Vocês vão deixar isso no texto? Pode isso?
Warren: Você tem essa aura inspiradora, de quem abraça quem realmente é. Você é uma pessoa confiante. O que eu admiro — e até invejo um pouco — é essa energia contagiante de ser, sem pedir desculpas, exatamente quem você é. E, ao mesmo tempo, existe uma coerência em tudo: o uso do rosa, os figurinos, a sua personalidade... tudo isso está tão presente que eu sei exatamente quem você é. Quando vejo esse cenário com nuvens, sei que é um projeto seu. Sei que é você. Acho que o mundo que você criou é simplesmente incrível. É algo em que você pensa de forma deliberada, ou isso surge naturalmente para você?
Moroney: Eu diria que, na maior parte, surge naturalmente. Acho também que é quase como uma forma de honrar os sonhos que eu tinha quando era pequena. Recebi a oportunidade de fazer uma turnê em arenas; então, o que eu quero fazer? E a resposta é: "Quero entrar voando por uma janela, quero que todas as minhas guitarras sejam cravejadas de brilhos e quero um figurino novo a cada noite — afinal, é uma turnê em arenas e eu posso fazer isso!"
Tenho certeza de que muitas pessoas veem você como uma referência. Como você se sente em relação a isso?
Warren: Eu adoro. Às vezes, fico na dúvida se não estou compartilhando coisas demais, já que conto tudo; tem horas que me pergunto: "Será que quero mesmo compartilhar isso?". Mas, no fim das contas, a resposta acaba sendo sempre "sim". Falo sobre a perda dos meus pais, falo sobre minha esposa e sobre tudo o que é real na minha vida — coisas que as pessoas, normalmente, não costumam comentar.
No meu caso, especificamente — seja quando vivi em situação de rua, quando conheci minha esposa ou quando perdi meus pais —, senti uma solidão profunda. Parecia que eu estava sozinha com aquele sentimento, como se fosse a única pessoa passando por aquilo. Conforme fui compondo essas músicas e fazendo esses shows, as pessoas começaram a trazer seus pais falecidos para os meus shows. Eles trazem as cinzas — na urna ou em um saquinho — e pedem para eu autografar. Muita gente provavelmente diria: "Isso me deixa desconfortável". Eu adoro.
Moroney: Uau.
Warren: Eu adoro. Mas tem um motivo. Você mantém aquela pessoa viva a cada conversa e guarda uma lembrança linda. Não dá para controlar a perda, não dá para controlar o luto, mas dá para controlar como você reage a isso.
Moroney: Acho isso muito especial: conseguir compor músicas que ressoam com as lutas de outras pessoas, fazendo com que elas se enxerguem em você e no seu trabalho. Elas te admiram porque você está vivendo seus sonhos, mesmo tendo passado por situações tão difíceis. Ainda assim, você segue em frente e faz as coisas darem certo. Acho que isso inspira as pessoas; é algo realmente especial: "Aqui estão meus segredos mais profundos e sombrios".
Warren: Exato. Estou sempre sendo totalmente transparente.
Moroney: É preciso coragem para ser a pessoa que coloca tudo às claras, sem rodeios, não é?
Muitas vezes me pergunto: 'Será que quero compartilhar isso?'. No fim das contas, a resposta quase sempre é sim. - Warren
Warren: Se alguém critica a mim ou à minha música, na verdade, essa pessoa está criticando a mim mesmo. Sou eu ali, porra. Alguém diz: "Odeio essa música. É sem graça, não diz nada". E eu penso: "Porra, eu escrevi essa música sobre o meu pai que já morreu, seu babaca".
Moroney: Sinto exatamente a mesma coisa. Já li tudo o que podia sobre mim. Fiquei meio anestesiada, mas, é, é difícil ouvir alguém dizer: "Odeio essa música". Aquilo sou eu. Não inventei nada; veio direto de dentro de mim. Não é imaginação. Veio daqui, de dentro.
Warren: Eu sofria muito com o hábito de checar a internet depois de uma apresentação, ou de olhar o Twitter logo antes de subir ao palco. Muitas vezes, eu acabava procurando justamente pelos comentários que não eram nada gentis comigo. Obviamente, isso me deixava muito mal antes de começar o show. Criava uma sensação de que, ao entrar no ambiente, eu pensava: "Ah, todo mundo aqui me odeia, e agora preciso tentar conquistá-los". Era uma obsessão pouco saudável, essa coisa de querer ser querida por todos. Acho que passo por isso porque me entrego por completo; compartilho praticamente todos os detalhes da minha vida pessoal. Para mim, é uma forma de dizer: "Foi por isso que passei, e vejam só onde estou hoje".
Encaro isso quase como uma história inspiradora, algo com que posso ajudar outras pessoas. Mas, ao mesmo tempo, sinto inveja de quem consegue manter um pouco de privacidade. Como você lida com isso? Já conseguiu encontrar esse equilíbrio?
Moroney: Quanto a essa questão da internet, nunca senti necessidade de me defender, porque é uma batalha que não dá para vencer. Acho que precisei aprender a ser menos dura comigo mesma, especialmente em relação às apresentações. Já aconteceu de eu chorar até dormir depois de um show, só porque as coisas não saíram como eu esperava.
Não sei se você ficou sabendo, mas, recentemente, durante a turnê Cloud 9 — numa apresentação em Denver —, precisei subir ao palco e cancelar três músicas do repertório porque eu simplesmente não conseguia falar. Eu estava muito, muito doente... Vinte minutos antes de entrar, minha voz tinha sumido completamente. Pensei: "Bom, isso já aconteceu antes, vai dar tudo certo". Mas, na hora, não saiu som nenhum. E o público já estava lá. Foi horrível. Chorei no palco. Então, fiquei pensando: o que você escolheria? Você escolheria um problema com o retorno de ouvido no Grammy [os fones de retorno de Warren não estavam funcionando corretamente durante sua apresentação na premiação de 2026] ou preferiria cancelar um show no palco, logo na terceira música, e acabar chorando ali mesmo?
Warren: Sinto muito. Eu escolheria o Grammy. Por incrível que pareça, o Grammy — e tudo o que aconteceu naquela noite — foi a melhor noite da minha vida.
Moroney: Sério?
Warren: Aquilo me deu confiança, porque eu sempre achei que as pessoas me odiavam. E, bom, algumas pessoas realmente me odeiam. Quando aquilo aconteceu, voltei para o meu lugar e lembro que minha esposa disse: "Podemos ir embora". Eu respondi: "Todo mundo aqui me odeia. Estão todos rindo de mim, falando de mim. Não quero nem ver o que estão comentando na internet". Mas meus amigos insistiram: "Cara, dá uma olhada na internet". Eu perguntei: "O quê?". Eles repetiram: "Dá uma olhada". Eu disse: "Não quero ver isso". Eles insistiram: "Confia em mim, dá uma olhada". Quando olhei, vi que todo mundo estava comentando: "Eu sei o que aconteceu. Entendi o que houve, e por aí vai". Foi a melhor noite da minha vida; foi apenas um imprevisto, um acidente isolado.
Moroney: Infelizmente, as coisas nem sempre saem como a gente quer. Às vezes penso: "Quem dera eu fosse um robô, porra".
Warren: Isso só mostra que você é humana.
[Minha turnê] é uma forma de honrar os sonhos que eu tinha quando pequena. O que eu quero fazer? 'Quero entrar voando por uma janela e ter todas as minhas guitarras cheias de brilhos'. - Megan Moroney
Moroney: Eu queria muito que isso não tivesse acontecido, mas simplesmente foge do nosso controle.
Warren: Eu nunca vou fazer playback. Nunca farei nada disso. Vou sempre tocar ao vivo. Uma vez precisei cancelar um show na Nova Zelândia, e foi o pior dia da minha vida. Eu estava chorando.
Moroney: Eu acho que somos iguais nesse aspecto. Nada me dói mais do que a sensação de ter decepcionado as pessoas que se importam comigo. Mas o legal é ouvir você dizer que o episódio do Grammy acabou sendo algo positivo. Da mesma forma, quando aconteceu aquele show em Denver, as pessoas ficaram chateadas no início, claro, mas a reação principal dos meus fãs foi de compreensão. Às vezes, ao rever um vídeo, você tem a sensação de pensar: "Nossa, sou eu ali"? Isso acontece com você?
Warren: Sim. Sou meu pior crítico. Infelizmente, critico tudo o que faço, mas, nos últimos quatro ou cinco meses, passei a me sentir muito mais confiante.
Moroney: Para mim, é como uma experiência fora do corpo... Sinto que alguns artistas são, o tempo todo, exatamente quem são no palco — mantêm a mesma energia. Claro, sou eu mesma, de forma autêntica, mas é uma versão exagerada de mim.
Warren: Essa dicotomia entre o palco e a vida fora dele, né? Eu não gosto de me vestir assim. Estou sempre de bermuda de surfe e camiseta. Então, assim que saio do palco, tiro a roupa que estou usando e coloco uma roupa de banho.
Moroney: Roupa de banho. Entendi. Eu não faço isso.
Warren: É quase como um momento "Hannah Montana". Fiquei curiosa: você tem três álbuns de estúdio, certo? É muita música. Qual delas você acha que melhor te define como músico, além de representar bem o seu som e a sua forma de compor?
Moroney: Uma à qual sempre volto — embora seja uma resposta bem óbvia — é "Tennessee Orange". Ela resume o tipo de música que meus fãs gostam. Tem tudo o que é essencial: é criativa, honesta, traz um refrão marcante e conta uma história. Sinto que, na essência, todas as minhas músicas são assim. E, obviamente, eu sou um "Georgia Bulldog" [torcedor do time da Universidade da Geórgia], então a música tem tudo a ver comigo.
Warren: Eu morro de inveja dessa música. A composição é muito criativa.
Moroney: É difícil dizer coisas que ainda não foram ditas.
Warren: Ou então, ao escrever uma música de amor, é muito fácil cair no clichê brega.
Moroney: Tipo rimar "girl" com "world". Provavelmente eu já cometi esse erro.
Warren: Para mim, sempre foi um desafio escrever músicas de amor, porque eu desejava muito conseguir fazer isso. Eu queria poder enviar uma música para a minha esposa e dizer: "É assim que eu me sinto em relação a você". Toda vez que ouço essa sua música, sinto uma inveja enorme da forma como sua mente funcionou para criá-la; é uma maneira tão criativa de dizer: "Eu o escolhi, escolhi esta vida, escolhi esta pessoa — e eu a amo".
Moroney: Certo. Tenho uma pergunta aleatória: se você tivesse que se desfazer de um dos seus álbuns — de modo que ele desaparecesse para sempre —, qual seria e por quê?
Warren: Tenho dois. Então, você está me obrigando a escolher um ou outro... Eu teria que abrir mão de You'll Be Alright, Kid — aquele que tem a faixa "Ordinary" e as outras.
Moroney: Uau. Uau.
Warren: Este novo álbum tem uma música chamada "Wildchild". O único motivo pelo qual eu manteria esse álbum é por causa dessa música. Minha principal lembrança musical de quando eu era criança é entrar no carro e ouvir os CDs do meu pai. A gente ouvia John Mayer — ele era obcecado por John Mayer, Train, Coldplay e Rascal Flatts, mas o John Mayer era o favorito dele. Quando meu pai faleceu, entrei no carro dele, coloquei o câmbio em "drive" e, de repente, começou a tocar um álbum do John Mayer. Por isso, quando compus "Wildchild" para o meu pai, incluí a voz dele na música e pedi ao John que fizesse um solo de guitarra nela.
https://www.youtube.com/watch?v=LNCPwi8M-aQ
Infelizmente, eu critico tudo o que faço. Mas, recentemente — nos últimos quatro ou cinco meses —, passei a me sentir muito mais confiante. - Warren
Moroney: Icônico. Então, se o John Mayer era o ídolo do seu pai, quem é o seu? Quem é o seu "John Mayer"? É o próprio John Mayer?
Warren: Essa é uma ótima pergunta. Vou te dar uma opinião um tanto polêmica: é estranho dizer Shawn Mendes?
Moroney: É uma resposta excelente.
Warren: Eu escolheria o Shawn Mendes porque, enquanto eu crescia, a ideia de seguir na música parecia algo inalcançável. O caminho para chegar lá parecia impossível; era como se você precisasse ser "descoberto" e tudo tivesse que ser perfeito. O Shawn fazia vídeos na internet para divulgar suas músicas. Ele provou que era possível, não importa quem você seja.
Moroney: E ele tem vários sucessos, aliás.
Warren: Pois é, exatamente. Acho que foi muito legal poder pensar: "Ah, posso gravar um vídeo, postar um registro meu cantando e, assim, me tornar um músico". É algo possível.
Moroney: Antigamente, parecia muito mais difícil.
Warren: É impressionante ver quantos músicos hoje — que a gente olha e pensa: "Nossa, que artista incrível!" — surgiram nas redes sociais e plataformas do tipo. Não importa quem você seja ou onde esteja, você pode ser um músico. Acho isso muito legal.
Moroney: Vejo muita gente reclamando, dizendo: "Ah, agora o artista também precisa criar conteúdo". Às vezes, é muita coisa para dar conta, mas, por outro lado, é uma grande vantagem poder promover o próprio trabalho dessa forma. Minha primeira música, "Wonder", viralizou no TikTok; eu a lancei de forma independente, escrevi tudo sozinho e não tinha equipe nenhuma. E ela alcançou um milhão de reproduções.
https://www.youtube.com/watch?v=kic5a2tmZvQ
Warren: A minha história é igual à sua.
Moroney: Eu entendo, sim, que pode ser exaustivo, especialmente quando você já está esgotada de todas as outras tarefas que a carreira artística exige. Mas, para mim, é como se... bom, antigamente, a única opção era fazer uma maratona de visitas a rádios.
Warren: Pois é! As visitas a rádios. Não sei se você já passou por isso, mas no country é praticamente obrigatório, né?
Moroney: Já fiz várias visitas a rádios. Não cheguei a fazer uma turnê completa de divulgação, mas, sim, passar de rádio em rádio, tocar suas músicas... E, pelo que ouvi falar, isso era péssimo para os artistas. Muito ruim mesmo.
Você não precisa ser uma coisa só. Não precisa ser pop o tempo todo. Não precisa ser country raiz o tempo todo. - Moroney
Warren: Todo artista deveria ter a experiência de abrir um show para alguém para quem, na verdade, não deveria ter aberto. Lembro que uma vez abri o show de um artista e fui vaiado para fora do palco rapidinho.
Moroney: Eu choraria.
Warren: Eu chorei. Pode acreditar, chorei mesmo. Mas era um show numa universidade, e estava todo mundo bêbado. E lá estava eu, um garoto chorando enquanto cantava sobre a morte do meu pai. Chegou um ponto em que pensei: "Caramba, eu meio que mereci isso". Acho que todo músico precisa tocar para um público que não o quer ali, só para aprender a valorizar o público que realmente veio para te ver.
Queria te perguntar: tecnicamente você é country, mas eu te definiria como cantora e compositora. Você sente que precisa ser country? Ou sente que deveria ser outra coisa?
Moroney: Felizmente, consegui construir uma base de fãs extremamente fiel, e eu presto atenção no que eles querem. Então, meu foco é: do que eles estão gostando? Claro, também tem a ver com o que eu gosto, já que tudo vem da minha cabeça e eu vou ter que tocar essas músicas toda noite. Sinto que meus fãs embarcam comigo em qualquer jornada que eu proponha. Sinto também que, como seres humanos, temos muitos estados de espírito diferentes. Você não precisa ser uma coisa só. Não precisa estar triste o tempo todo. Não precisa fazer música pop o tempo todo. Não precisa ser totalmente voltada ao country o tempo todo. Seja o que for, o resultado no estúdio acaba sendo, geralmente, um reflexo de como me senti inspirada no momento.
Warren: Adoro o termo "emo cowgirl". É algo que vejo com frequência, e foi você quem criou.
Moroney: Cowgirl emotiva.
Warren: Existe alguém em quem você se inspira — alguém que seja para você o tipo de referência que você mesma se tornou para a sua versão mais jovem?
Moroney: No caso do meu pai, uma artista que nós dois amamos é a Kacey Musgraves. Tive uma música com ela no meu álbum mais recente. É aquele momento em que tudo se fecha, em que você pensa: "Minha versão mais jovem jamais acreditaria nisso. Sei que os astros precisaram se alinhar para que eu chegasse aqui, mas será que se alinharam tanto assim?". É por isso que sempre digo: "Deus existe". Sabe o que quero dizer? Algumas coisas são coincidências, mas nem tudo.
Então, sim, acho que a Kacey Musgraves... Lembro-me de ouvir o álbum Same Trailer Different Park (2013) e pensar: "Um dia, se eu chegar a compor músicas, quero que sejam assim". Porque ela era tão... bom, ela ainda é, obviamente, mas aquele álbum é tão inteligente, sagaz e até um pouco ácido — só que, quando ela canta, faz isso com um sorriso. Eu a adoro, e foi muito significativo — como se um ciclo tivesse se fechado — tê-la na música "Bells & Whistles".
https://www.youtube.com/watch?v=J7Bys3edl1Y
Warren: Às vezes, estou no palco e tenho a sensação de que estou fazendo o show de outra pessoa. Olho para a minha vida e parece bom demais para ser verdade. Não que eu não mereça isso, mas tem uma parte de mim que fica pensando: "Cadê a pegadinha?". E como você lida com isso? Você também tem esse tipo de sentimento, ou você simplesmente acorda de manhã e pensa: "Eu arraso"?
Moroney: Não, não, não. Quando as coisas estão boas demais, a gente fica esperando por uma pegadinha, porque pensa: "Com certeza não dá para ser tão feliz assim para sempre. Não tem como ter tanta sorte o tempo todo". Já conversei bastante sobre isso com meus pais. Minha mãe disse uma coisa que eu lembro o tempo todo. Sempre que me preocupo que tudo isso possa acabar — que eu vá acordar um dia e todo mundo passe a me odiar, que ninguém queira mais ir aos meus shows ou ouvir minhas músicas —, ela me diz: "Bom, Megan, se for só isso, já terá valido a pena; olha só tudo o que você conseguiu realizar".
Warren: Isso é maravilhoso. A ideia de que a gente consegue fazer isso, nem que seja por um ano que seja...
Moroney: Qual é uma coisa que você aprendeu na indústria e que gostaria de ter sabido quando era a "pequena Alex"?
Warren: Eu achava que tudo precisava ser perfeito. Quando estou aprendendo uma música, se não sai perfeito logo de primeira, eu fico brava comigo mesma. No meu caso, especificamente — quando você faz uma turnê em arenas lotadas, as pessoas estão ali para te ver. Você não precisa estar 1000% perfeita, mas eu encaro cada apresentação como se fosse a última; se algo dá errado, fico muito chateada e acabo me cobrando demais. Antes, eu morria de medo de subir no palco; hoje, mal vejo a hora. Se estou tendo um dia ruim, mal posso esperar para subir no palco, porque sei que o público vai estar ali comigo, me apoiando.
Moroney: E isso é uma prova da base de fãs maravilhosa que você tem. Eles não estão aqui apenas pelas músicas; estão aqui também pela experiência. Sinto que isso é algo muito comum entre muitos artistas — hoje em dia, vai além das músicas, porque as pessoas querem se sentir conectadas a algo maior do que elas mesmas.
No melhor sentido possível, "Ordinary" é onipresente. Então, qual foi o lugar mais inusitado onde você ouviu a música?
Warren: Teve alguns lugares. Acho que o mais estranho foi quando estávamos na Warren Street — o que é irônico — e um dos meus amigos estava sendo preso; o policial, dentro da viatura, estava tocando "Ordinary". Foi muito legal.
Moroney: OK. Adorei essa resposta.
Warren: E você? Qual foi o lugar mais estranho?
Moroney: Eu estava fazendo depilação a laser no corpo todo. Estavam passando o laser em lugares onde, bom, não deveriam passar. E aí começou a tocar "I'm Not Pretty" [single de 2023]... eu só ouvi aquilo e pensei: "OK, então".
https://www.youtube.com/watch?v=SZm8ZxeVlCo
Warren: Pois é! Olha, dá para dizer que é uma música que serve como um incentivo, né? E o que você está fazendo agora? Você acabou de encerrar uma turnê pela Europa, o que é incrível. Para onde você vai agora?
Moroney: Tenho alguns shows no final deste ano, apresentações pontuais, nada de turnê nem nada do tipo. Mas, na verdade, estou tentando viver a vida. Preciso ter material para o meu próximo álbum. Então, estou tentando desacelerar, voltar a ser a "Meg compositora" — uma versão bem mais simples e intimista do que a "Meg dos grandes palcos". Estou só relaxando, passando um tempo com meu cachorro, essas coisas. E você?
Warren: Estou escrevendo um livro agora; estou bem empolgado com isso.
Moroney: Fiquei muito curiosa! Que tipo de livro?
Warren: Eu adoro escrever. Minha esposa lê muitos livros, então decidi escrever um para ela.
Moroney: Isso é tão romântico! Uau.
Warren: Acho que todo mundo tem bastante interesse no fato de eu ter vivido em situação de rua quando criança, de ter conhecido minha esposa enquanto eu não tinha onde morar e de ter seguido uma carreira na música — que, digamos, tem dado bastante certo. Estou muito empolgado com tudo isso. Vai ser muito divertido. Estamos em turnê. Sinceramente, passo a maior parte do tempo com minha família e, quem sabe, começando a formar a minha própria.
Moroney: E o surfe?
Warren: E o surfe.
Moroney: Acho que vou começar a fazer pães e doces. Preciso de hobbies; talvez eu passe um tempo com vocês.
Warren: Sinto que este é o início de uma amizade que você nem sabia que existia.