Uma declaração exibida na televisão aberta provocou repercussão política e jurídica nesta quinta-feira (12). A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) apresentou uma representação ao Ministério Público de São Paulo pedindo a investigação do apresentador Ratinho, após comentários feitos durante seu programa no SBT. O documento foi encaminhado ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi) e solicita a abertura de um inquérito policial. De acordo com a petição, a conduta pode ser enquadrada como discurso discriminatório, cuja pena pode chegar a até seis anos de prisão, caso seja confirmada a prática de crime.
O pedido ocorre um dia após Erika Hilton assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A eleição da parlamentar, realizada na quarta-feira (11), enfrentou oposição de setores do Centrão e de parlamentares da direita, que tentaram impedir sua escolha para o cargo. Na representação apresentada ao Ministério Público, a equipe jurídica da deputada sustenta que as falas do apresentador estariam baseadas na "repetição de afirmações destinadas a negar a condição feminina da parlamentar e a sustentar que mulheres trans não poderiam ser consideradas mulheres" em espaços institucionais voltados à pauta feminina.
Veja o vídeo do apresentador:
Ratinho critica Érika Hilton, Pabllo Vittar e diz que casais LGBT+ estão exagerando:
"Eu acho que devia deixar uma mulher ser a presidente da Comissão das Mulheres. Ano passado, a mulher mais bonita ganhou: o Pabllo. Ele tem saco, gente. O que é isso? Mulher não tem saco. Estão… pic.twitter.com/B2mPTnZnnm
— QG do POP (@QGdoPOP) March 12, 2026
Declarações exibidas na TV geram reação
Segundo o documento, o fato de as declarações terem sido transmitidas em rede nacional teria ampliado o alcance das falas e intensificado seus efeitos. O texto afirma que "as declarações proferidas pelo apresentador não se limitaram a uma crítica política", mas representariam "a negação explícita de sua identidade de gênero", o que caracterizaria um discurso discriminatório. Ainda de acordo com a petição, a repercussão do episódio se espalhou rapidamente nas redes sociais após a exibição do programa.
Durante a atração exibida na noite de quarta-feira (11), Ratinho comentou a eleição da deputada para a presidência da comissão e mencionou diretamente sua identidade de gênero. Em um dos momentos que mais repercutiram, o apresentador afirmou: "Ela não é mulher, ela é trans". Em seguida, acrescentou sua opinião sobre o cargo: "Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?". Em outro trecho, declarou ainda: "Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias". O caso agora deverá ser analisado pelo Ministério Público de São Paulo