A recente entrevista de Luana Piovani a um podcast de ‘O Globo’ gerou manchetes sobre possíveis processos contra ela. Especialmente por criticar evangélicos e a extrema direita.
Improvável que ações na Justiça calem uma das mais destemidas — e desbocadas — atrizes do nosso tempo.
Talvez instiguem ainda mais sua verborragia necessária em uma época de exagerada autocensura por medo do cancelamento.
Não se trata, aqui, de corroborar as opiniões dela, mas o direito de verbalizá-las em alto e bom som.
E o direito de ser uma artista com autonomia completa, sem rabo preso com emissora, marca publicitária ou plano de marketing.
Estamos a caminho de 2027 e uma mulher tão livre em relação ao corpo, ao desejo e ao pensamento ainda irrita, choca, assusta, ofende.
E a reação automática de quem a reprova é tentar amordaçá-la.
O que Luana diz geralmente suscita tanta polêmica por uma razão óbvia: são temas relevantes negligenciados nas conversas em família, nas escolas, no mundo corporativo, nas igrejas, no Congresso Nacional, na sociedade em geral.
Muitas das vozes que hoje se dizem escandalizadas pelas declarações da atriz permanecem em silêncio diante de discursos muito mais agressivos, discriminatórios e até de desinformação proposital que circulam livremente nas redes sociais e na mídia.
Nesse sentido, Luana funciona como um termômetro social. Ao falar sem filtro, expõe contradições, hipocrisias e explode zonas de conforto de muita gente.
O incômodo que provoca diz menos sobre ela e mais sobre o ambiente em que suas falas reverberam.
E, para a fúria e a frustração dessa turma, quanto mais tentam silenciá-la, mas amplificam sua voz.