A Playboy decidiu reinventar um de seus maiores símbolos. Em sua nova fase, a tradicional revista masculina está reformulando a imagem das famosas "coelhinhas" e dos ensaios fotográficos, em uma tentativa de modernizar a marca e apresentar uma abordagem que considera mais artística e respeitosa da nudez.
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Segundo Philip Picardi, editor-chefe e diretor de marca da publicação, a proposta é reforçar a distinção entre o conteúdo da Playboy e a pornografia disponível atualmente na internet.
"Sempre houve uma diferença entre a Playboy e a pornografia, especialmente em relação aos tipos de conteúdo pornográfico que são muito comuns hoje em dia e aos quais as pessoas têm acesso por possuírem uma conta nas redes sociais", afirmou à revista Press Gazette.
A nova identidade já trouxe uma segunda edição da revista, após o retorno da versão impressa, que havia sido interrompida em 2020. O destaque da publicação foi a atriz e modelo Cara Delevingne, na edição de verão deste ano. A primeira capa da nova fase teve a cantora colombiana Karol G na capa, na edição de primavera. A partir de agora, a revista terá circulação trimestral, com referência às estações do ano.
Picardi, que é o primeiro editor-chefe assumidamente gay da história da Playboy, afirmou que vê o projeto como uma oportunidade de resgatar a dimensão artística da nudez. "Achei o desafio de trazer de volta a arte e a reflexão à nudez extremamente empolgante como artista."
Apesar da proposta de renovar a imagem da revista, ele evita definir a publicação como feminista. "Não chego a chamar o que fazemos na Playboy de feminista, porque acho que é um termo carregado de significado e tenho certeza de que muitas pessoas discordariam dessa classificação."
O objetivo, segundo o executivo, é recuperar a essência que tornou a Playboy uma das revistas mais influentes do mundo, ao mesmo tempo em que amplia sua atuação para outras plataformas, como produções audiovisuais.
"Há uma autenticidade e uma crueza nas imagens que me renderam um feedback muito positivo. Não apenas de homens, mas também um feedback excepcional de mulheres."
A reformulação acontece após anos turbulentos para a marca. Nos últimos anos, a Playboy enfrentou repercussão por denúncias envolvendo seu fundador, Hugh Hefner. Morto em 2017, aos 91 anos, ele foi acusado por ex-namoradas, antigas coelhinhas e ex-funcionárias de promover uma cultura de manipulação, coerção e exploração sexual na Mansão Playboy.
A revista chegou a abandonar completamente os ensaios com nudez em 2015, mas voltou atrás dois anos depois. Em 2020, interrompeu a circulação da edição impressa, retomando a publicação apenas seis anos depois, agora com uma proposta editorial renovada.
A estratégia também vem sendo acompanhada de uma melhora financeira da empresa. Em 2025, a Playboy registrou crescimento de 4% na receita e reduziu o prejuízo líquido de US$ 79,4 milhões (cerca de R$ 405 milhões) para US$ 12,7 milhões (aproximadamente R$ 65 milhões), reforçando o movimento de reestruturação da marca.