A Polícia Federal prendeu preventivamente o deputado estadual eleito Márcio Canella e o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim na 8ª fase da Operação Unha e Carne. A ação desarticula um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos, utilizando principalmente uma rede de postos de combustíveis. A Justiça determinou a suspensão de 112 empresas e apura crimes de organização criminosa, corrupção e cartel. As defesas ainda não se manifestaram sobre o caso.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (15), a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro. Entre os alvos de mandados de prisão preventiva estão o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim, além de outros quatro policiais civis.
Segundo as informações da investigação, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa que teria utilizado uma rede de postos de combustíveis para ocultar a origem de recursos ilícitos.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.
A operação também determinou medidas contra empresas supostamente ligadas ao esquema, incluindo a suspensão de atividades e o bloqueio de patrimônio.
PF investiga esquema de R$ 7,6 bilhões no Rio de Janeiro
A oitava fase da Operação Unha e Carne tem como foco uma estrutura empresarial que, segundo as suspeitas investigadas pela Polícia Federal, seria utilizada para movimentar e ocultar dinheiro de origem ilícita.
De acordo com os investigadores, postos de combustíveis teriam desempenhado um papel central no funcionamento do suposto esquema. Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão.
As medidas também incluem o sequestro de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas associadas aos investigados. Desse total, 96 são postos de combustíveis.
Além da suspeita de lavagem de dinheiro, o inquérito apura possíveis crimes de formação de cartel, comercialização ilegal de combustíveis, corrupção, violação de sigilo funcional e participação em organização criminosa armada.
Quem é Márcio Canella, alvo da operação da Polícia Federal?
Márcio Canella é presidente do União Brasil no Rio de Janeiro e ex-prefeito de Belford Roxo, município da Baixada Fluminense. O político foi eleito deputado estadual com aproximadamente 197 mil votos, tornando-se o segundo candidato mais votado para o cargo na eleição mencionada.
Em julho de 2026, Canella já havia sido preso em flagrante após agentes da Polícia Federal encontrarem um fuzil em seu veículo. Na ocasião, o político alegou que a arma pertencia a seu segurança. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou sua soltura.
Agora, Canella volta a ser alvo de uma investigação da PF, desta vez relacionada a suspeitas de crimes financeiros e à atuação de uma possível organização criminosa.
Quem é Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do RJ?
Outro nome atingido pela operação é o delegado Marcus Amim, que já ocupou cargos importantes na administração pública do Rio de Janeiro. Ao longo de sua trajetória, Amim presidiu o Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ) e comandou a Secretaria de Polícia Civil durante o governo de Cláudio Castro.
Ele deixou o comando da pasta em setembro de 2024 para atuar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O delegado já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão em etapas anteriores da Operação Unha e Carne. Nesta nova fase, a investigação avançou com a expedição de mandado de prisão preventiva contra o ex-secretário.
O que dizem as defesas de Márcio Canella e Marcus Amim?
Após a operação, a defesa de Márcio Canella informou que ainda não havia tido acesso ao conteúdo da decisão judicial que fundamentou o mandado de prisão preventiva.
Até a divulgação das informações, os advogados de Marcus Amim não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações.
As investigações continuam em andamento, e as suspeitas apuradas pela Polícia Federal ainda não representam condenações definitivas dos envolvidos.
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