Num intervalo de oito dias no mês de julho, Lucélia Santos, a inesquecível protagonista de ‘A Escrava Isaura’, foi obrigada a se despedir de dois amigos próximos, com quem também tinha laços profissionais. Ambos morreram de problemas relacionados ao coração.
O primeiro foi o ator João Signorelli, de 69 anos, com quem ela dividia o palco em seu espetáculo ‘Vozes da Floresta - Chico Mendes Vive’. Os dois estavam de viagem marcada a Portugal para encenar a peça. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória.
Na semana seguinte, a atriz foi surpreendida com a morte repentina, por infarto, do assessor, Eduardo Meirelles, 30 anos, autor do livro ‘Lucélia Santos - Coragem para Lutar’, sobre seu ativismo político e ambiental. “Era um dos meus melhores amigos, como um filho.”
As duas perdas provocaram forte abalo emocional, conforme a artista relatou no podcast ‘A Beleza das Pequenas Coisas’, durante recente passagem por Lisboa.
“Pessoalmente, fiquei muito sensível ao tema da morte”, disse. Seguidora do Budismo Tibetano, ela buscou apoio na ideia de que a interrupção da vida terrena é apenas uma passagem até a próxima reencarnação.
“O estudo sobre a morte tem sido muito presente para mim. Não com medo, mas com muita atenção e curiosidade.”
As fatalidades obrigaram Lucélia a reestruturar a viagem à Europa, sem João Signorelli, e rever a gestão do conteúdo de suas redes sociais, que eram administradas por Eduardo Meirelles. A atriz confessa dificuldade de enfrentar essa fase.
“Eu estou extremamente sensível e o mundo não está para amadores. O problema não é físico nem de idade, é existencial e em relação à energia do planeta”, explica.
“Tenho tido a necessidade de muito recolhimento, reflexão e meditação para poder sobreviver em sociedade e me recuperar.”
Para homenagear João Signorelli e Eduardo Meirelles numa rede social, Lucélia Santos postou a mesma frase: “As pessoas não morrem, apenas ficam encantadas”.