Morre Luiz Carlos Barreto, produtor e lenda do Cinema Novo, aos 98 anos

Barretão, como era conhecido, tem uma longo histórico de sucessos, como 'Vidas Secas', 'Terra em Transe' e 'Dona Flor e seus dois maridos'

22 jul 2026 - 10h55
(atualizado às 11h42)
Produtor Luiz Carlos Barreto morreu aos 98 anos
Produtor Luiz Carlos Barreto morreu aos 98 anos
Foto: ALEX RIBEIRO/ESTADÃO

O produtor e diretor Luiz Carlos Barreto morreu aos 98 anos, na madrugada desta quarta-feira, 22. A informação foi confirmada por familiares ao jornal O Globo. Barretão, como era conhecido, enfrentava problemas de saúde desde março de 2024, quando sofreu uma queda em uma viagem ao Ceará. Ele estava internado desde terça-feira. A causa da morte não foi revelada.

Natural de Sobral (CE), ele se mudou aos 17 anos para o Rio de Janeiro, onde atuou como fotógrafo e jornalista, produzindo reportagens freelances à alguns veículos, como a revista A Cigarra e O Cruzeiro. Aos 21, ele conheceu Lucy, que viria a se tornar sua esposa. 

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“Eu a conheci fazendo uma reportagem sobre a Miss Goiânia, e, como a mãe da Lucy era goiana, recepcionou a moça no apartamento da família em Laranjeiras. Na época, os concursos de Miss Brasil eram importantes, era moda. Foi lá que eu conheci a Lucy – ela tinha uns 17 anos. Eu fiquei muito fascinado com os olhos verdes dela. Foi amor à primeira vista”, disse em uma artigo publicado no Estadão em 2013. 

Enquanto namoravam, mudaram-se para Paris, na França, onde ele foi correspondente. Foi lá que ele teve o primeiro contato com o mundo do cinema. “Foi muito prazerosa a minha formação. Não cheguei a concluir o ginásio nem mesmo a universidade. Aprendi por meio do concreto da vida”, declarou. 

Graduado em Letras, ao longo de sua carreira, Barretão se tornou um dos nomes mais importantes da história do cinema brasileiro, pois esteve presente no movimento Cinema Novo, influenciado pelo Neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa, nos anos 1960, em plena ditadura militar. O grupo marcava o descontentamento de cineastas com relação às questões políticas e sociais do Brasil naquela época. 

Inclusive, foi nesse mesmo período em que esteve à frente da direção de fotografia dos longas Vidas secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em transe (1967), de Glauber Rocha, ambos de grande importância para a história do cinema nacional. 

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Em 1963 ele fundou a produtora L.C. Barreto Produções Cinematográficas, que tornou possíveis as produções como Garrincha — Alegria do povo (1963), de Joaquim Pedro de Andrade; A hora e vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos; O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), de Glauber Rocha; e Brasil ano 2000 (1969), de Walter Lima Jr.

Ao longo de sua trajetória, ele acumulou mais de 80 produções, entre elas a adaptação de Jorge Amado, Dona Flor e seus dois maridos (1976), de Bruno Barreto, seu filho mais velho. O primogênito não foi o único a embarcar no cinema. Lucy, e os outros dois filhos, Fábio e Paula, também são envolvidos no universo cinematográfico. 

É de Barretão também a adaptação do livro de Fernando Gabeira, O que é isso, companheiro? (1997), para as telonas, que acabou indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Em 2009, ele produziu o Lula, o filho do Brasil (2009). 

Já em 2022, a produtora fez o Deus ainda é brasileiro, de Cacá Diegues, continuação de Deus é brasileiro (2003), com Antônio Fagundes. Em março de 2024, o cineasta sofreu uma queda durante uma viagem à Fortaleza, onde seria homenageado por sua contribuição ao cinema. Ele passou por duas cirurgias e ficou um longo período internado. 

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Além dos filhos e da esposa, Luiz Carlos Bottero deixa nove netos: Julia, Mariana, Lucas e João, filhos de Fábio; Helena, Olympia e Gabriel, de Bruno; e Camilla e Felipe, de Paula. 

Fonte: Portal Terra
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