Monark é condenado a pagar R$ 100 mil por defender criação de partido nazista

Em 2022, Monark defendeu a liberdade de expressão irrestrita, inclusive com permissão para partido nazista

16 set 2026 - 18h10
(atualizado às 18h33)
Bruno Aiub, o Monark
Bruno Aiub, o Monark
Foto: Reprodução/YouTube

O influenciador Bruno Monteiro Aiub, conhecido como Monark, foi condenado nesta terça-feira, 15, ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos por defender a criação de um partido nazista no Brasil.

O caso ocorreu em 8 de fevereiro de 2022, durante o programa Flow Podcast, que era transmitido ao vivo pelo YouTube. Na ocasião, Monark e o apresentador Igor Coelho entrevistavam os deputados federais Kim Kataguiri (Missão) e Tabata Amaral (PSB). Eles debatiam os limites da liberdade de expressão quando Monark disse ser adepto da liberdade de expressão irrestrita, com a permissão, inclusive, da apologia ao nazismo. “Eu acho que tinha de ter o partido nazista reconhecido pela lei. (...) Se o cara quiser ser antijudeu, eu acho que ele deveria ter o direito de ser”, disse o influenciador. A defesa dele diz que recorrerá da condenação.

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A incitação ao nazismo não é permitida no Brasil. Desde 2003, há um entendimento no Supremo Tribunal Federal (STF) segundo o qual a liberdade de expressão prevista na Constituição não engloba a apologia ao nazismo.

Monark foi condenado no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo. Na decisão, a juíza Adriana Cardoso dos Reis avaliou que a ideia exposta pelo influenciador “não representa uma simples opinião política protegida pelo regime democrático”. Em nota, a defesa de Monark chamou a decisão de “absolutamente equivocada”.

“O nazismo se estruturou historicamente na ideia de supremacia racial, na segregação de grupos e na perseguição e extermínio sistemáticos de judeus e de outras minorias. Portanto, o nazismo não representa ideologia política legítima no debate democrático, e sim sistema histórico voltado à segregação e ao extermínio de grupos humanos, em especial a comunidade judaica”, disse a magistrada. “O pronunciamento em favor da criação de um partido nazista ofende a integridade moral da sociedade brasileira, que erigiu como pilares invioláveis a dignidade da pessoa humana e a vedação ao racismo. A afetação coletiva restou amplamente evidenciada pelas reações públicas documentadas nos autos, com manifestações contundentes de entidades civis, órgãos representativos e representações consulares.”

O MP de São Paulo havia pedido uma indenização de R$ 4 milhões de indenização por danos morais coletivos. Na decisão, a juíza afirmou que o pagamento é devido pelo “alcance das declarações do réu”, que foram difundidas por meio das redes sociais. O montante fixado pela juíza, no entanto, foi menor do que pediu o MP. Segundo a decisão, o valor será revertido ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos (FID).

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Hugo Freitas Reis, advogado membro da defesa de Monark, diz que seu cliente defende uma ideia ampla de liberdade de expressão, mas repudia grupos que se associam ao nazismo e antissemitismo. “O apresentador demonstrou cabalmente, de forma inequívoca, que jamais defendera o nazismo, o antissemitismo ou a criação de partidos nazistas; ao contrário, repudiou de forma dura todos esses grupos ou formas de pensamento e defendeu que fossem combatidos pela sociedade. O que o apresentador fez foi defender uma concepção ampla da liberdade de expressão, coerente com sua própria ideologia anarquista autodeclarada, na qual haveria liberdade de expressão e associação para todos, até mesmo para grupos que o apresentador repudiava, como os nazistas”, disse o advogado. ”Essas manifestações foram confundidas pelo Judiciário com suposta defesa do nazismo, em erro inescusável.”

Caso teve ‘vaivém’ de promotores; relembre

Em abril deste ano, o promotor do MP-SP responsável pelo caso foi substituído durante a tramitação da ação civil pública. O servidor mudou o posicionamento do órgão sobre o processo e pediu que Monark não fosse condenado pela fala. Depois, o posto passou por nova alteração, e o sucessor voltou a pedir a condenação do influenciador.

Fonte: Portal Terra
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