O apresentador Fausto Silva, de 75 anos, passou por dois procedimentos cirúrgicos complexos na última semana: um transplante de fígado realizado em 6 de agosto e, no dia seguinte, um transplante de rim, ambos provenientes do mesmo doador e compatíveis conforme avaliação médica. Ele está internado no Hospital Israelita Albert Einstein desde maio, após uma infecção bacteriana grave evoluir para sepse. No último fim de semana, Faustão foi extubado, apresentou melhora no quadro clínico, conseguiu caminhar e recebeu a visita dos três filhos no Dia dos Pais, mas ainda não há previsão de alta.
Para entender melhor o quadro do ex-Globo, conversamos com o médico nefrologista Dr. Henrique Carrascossi, que explicou o impacto dos transplantes do corpo do apresentador e também analisou sua qualidade de vida daqui para frente.
Novos riscos
Segundo Carrascossi, todo mundo que fez um transplante possui riscos mais elevados: "Todos os pacientes transplantados apresentam imunidade mais baixa para evitar a rejeição dos órgãos. O organismo precisa se adaptar ao novo órgão e à imunossupressão para que não haja rejeição e consequente perda do órgão".
Além disso, esses pacientes estão mais vulneráveis a infecções: "Por isso, ele deve fazer uso desses medicamentos pela vida toda, além de realizar ajustes na alimentação e na rotina, tomando cuidado com ambientes de risco para infecções e evitando exposições desnecessárias".
Pode voltar ao trabalho?
O nefrologista explica que pacientes transplantados podem retomar ao trabalho após uma boa recuperação. Porém, o caso do apresentador é mais delicado: "É importante lembrar que o Faustão já tem 75 anos. Um paciente dessa idade, com quatro transplantes, certamente não terá o mesmo desempenho físico que alguém mais jovem, de 40 ou 50 anos".