Maju Coutinho anuncia gravidez aos 48 anos e especialistas explicam os desafios da gestação tardia

Jornalista espera o primeiro filho com Agostinho Paulo Moura; médicos destacam como a idade interfere na fertilidade e nas possibilidades de uma gravidez espontânea

29 ago 2026 - 12h37
Resumo
A jornalista Maju Coutinho anunciou sua primeira gravidez aos 48 anos, reacendendo o debate sobre a gestação tardia. Especialistas alertam que, após os 35 anos, a fertilidade diminui e aumentam os riscos de aborto e alterações genéticas. Contudo, técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro e a ovorecepção, viabilizam a maternidade nessa fase, exigindo um pré-natal rigoroso para monitorar condições como pressão alta e diabetes gestacional.

A jornalista Maju Coutinho, de 48 anos, surpreendeu os seguidores ao anunciar que está esperando seu primeiro filho. A gravidez foi revelada por ela em uma publicação nas redes sociais. O bebê é fruto do relacionamento com o artista plástico Agostinho Paulo Moura, de 61 anos.

Maju Coutinho anuncia gravidez do primeiro filho
Maju Coutinho anuncia gravidez do primeiro filho
Foto: Reprodução/Instagram / Contigo

"Mãe de primeira viagem e pai de terceira viagem embarcando no show da vida particular", escreveu Maju.

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A notícia chamou a atenção de muitos internautas principalmente por conta da idade da jornalista. Isso acontece porque a fertilidade feminina sofre alterações importantes ao longo dos anos. A mulher já nasce com uma quantidade determinada de óvulos e, com o envelhecimento, tanto a reserva ovariana quanto a qualidade dos óvulos diminuem.

Chances de gravidez diminuem com a idade

De acordo com o ginecologista Dr. Igor Padovesi, especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e idealizador do 'Expert em Menopausa', plataforma de educação médica voltada à menopausa, a possibilidade de uma gravidez espontânea diminui de maneira significativa depois dos 35 anos.

"Principalmente a partir dos 35 anos, a chance de gravidez espontânea cai significativamente. Aos 40 anos, considerando uma mulher sem nenhum outro fator de infertilidade e um parceiro que também não apresente nenhum problema, a chance de gravidez espontânea a cada ciclo, ou seja, a cada tentativa, é de 5% a 10%, no máximo. Isso aos 40 anos. Daí para frente, as chances são ainda menores. As mulheres engravidam aos 40 anos ou mais, mas é uma situação de exceção", explica o especialista.

A ginecologista Ana Paula Fabricio, que possui Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO), também relaciona o aumento da idade materna a mudanças no momento escolhido para ter filhos.

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"As mulheres hoje priorizam o sucesso profissional, a carreira, a estabilidade financeira e só depois a maternidade. Antes era o contrário", afirma.

Envelhecimento também afeta a qualidade dos óvulos

Além de a quantidade de óvulos diminuir, o envelhecimento também provoca alterações na qualidade dessas células. Segundo o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, esse processo pode reduzir as chances de uma gravidez e aumentar a possibilidade de aborto espontâneo.

"Uma mudança importante na qualidade do óvulo é a frequência de anormalidades genéticas chamadas aneuploidia (muitos ou poucos cromossomos no óvulo). Na fertilização, um óvulo normal deve ter 23 cromossomos, de modo que, quando fertilizado por um espermatozoide também com 23 cromossomos, o embrião resultante terá o total de 46 cromossomos. Mas, à medida que uma mulher envelhece, mais de seus óvulos têm poucos ou muitos cromossomos. Isso significa que, se ocorrer a fertilização, o embrião também terá muitos ou poucos cromossomos. A maioria das pessoas está familiarizada com a Síndrome de Down, uma condição que ocorre quando o embrião tem um cromossomo extra. E a maioria dos embriões com muitos ou poucos cromossomos não resulta em gravidez ou resulta em aborto espontâneo. Isso ajuda a explicar a menor chance de gravidez e maior chance de aborto em mulheres com mais idade", esclarece o Dr. Rodrigo.

O Dr. Igor Padovesi aponta ainda que o risco de aborto espontâneo aumenta consideravelmente com o avanço da idade.

"Aos 40 anos, a taxa de aborto espontâneo fica entre 30% e 40%. "E a chance de ter um bebê com síndrome de Down aos 40 anos é de aproximadamente 1%, ou seja, cerca de um caso a cada 100 nascimentos. Aos 30 anos, essa chance é de 1 para 1.000 e, aos 20, de 1 para 2.000. Então, 1% ainda pode parecer um número baixo, mas representa um risco cerca de dez vezes maior do que aos 30 anos", acrescenta o ginecologista.

Técnicas de reprodução podem ampliar as possibilidades

Apesar da redução da fertilidade com o passar dos anos, uma gravidez em idade mais avançada continua sendo possível. Além das gestações espontâneas, existem tratamentos de reprodução humana que podem ser utilizados de acordo com as características de cada paciente.

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Entre eles está a Fertilização In Vitro (FIV), procedimento no qual a fecundação acontece em laboratório antes que o embrião seja transferido para o útero.

"No procedimento, o óvulo é fecundado com o espermatozoide em laboratório, formando o embrião que, após atingir certo grau de desenvolvimento, é transferido para o útero da mulher", explica o especialista.

Outro recurso importante é a possibilidade de realizar testes genéticos nos embriões. Dessa maneira, podem ser identificadas alterações cromossômicas antes da transferência para o útero.

"Na FIV, os embriões podem ser avaliados por meio de exames genéticos. Dessa forma, apenas os embriões saudáveis e que não apresentam alterações cromossômicas são selecionados e implantados novamente no útero, o que reduz significativamente o risco de aborto", diz o Dr. Rodrigo Rosa.

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Entretanto, o especialista ressalta que a idade do óvulo utilizado continua sendo um fator determinante para as chances de sucesso da técnica.

"Para se ter uma ideia, a chance de gravidez na FIV com óvulo próprio aos 44 anos é de 5% e aos 45 anos é menor que 1%, Mas aqui também existem exceções à regra, como mulheres com reserva ovariana acima da média ou que congelaram os óvulos anteriormente. Porém, quando esse não é o caso, a solução é o tratamento conhecido como ovorecepção", acrescenta o especialista em reprodução humana.

O que é a ovorecepção?

A ovorecepção é uma alternativa dentro dos tratamentos de reprodução assistida que utiliza óvulos doados para a realização da Fertilização In Vitro.

Segundo o Dr. Rodrigo Rosa, essa estratégia pode elevar as chances de gravidez para cerca de 60% por tentativa, inclusive entre mulheres acima dos 40 anos.

Após a escolha da ovorecepção, os óvulos doados são fertilizados em laboratório com os espermatozoides. Os embriões passam então por um período de desenvolvimento e acompanhamento antes de serem selecionados para a transferência.

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"No período que procede a fertilização dos óvulos, os embriões vivem em um prato, em um forno aquecido à temperatura corporal. A equipe monitora seu crescimento e desenvolvimento e, eventualmente, escolhe o correto para transferir de volta para o útero. O embrião então é gentilmente transferido de volta ao útero em um processo semelhante ao do teste de Papanicolau. Se você tiver muitos embriões saudáveis neste estágio, eles podem ser congelados para uso posterior", acrescenta o médico.

Como é confirmada a gravidez após a transferência?

Depois da transferência do embrião, é necessário aguardar alguns dias para verificar se houve implantação no útero. O teste costuma ser realizado aproximadamente uma semana e meia a duas semanas após o procedimento.

"Um simples exame de sangue, ou mesmo um teste de gravidez caseiro, detectará os níveis de gonadotrofina coriônica humana (HCG), um sinal de que você finalmente está grávida", diz o Dr. Rodrigo.

Com a confirmação da gestação, começa o acompanhamento da gravidez até o parto. Apesar de seguir os mesmos princípios de outras gestações, uma gravidez em idade mais avançada exige atenção especial a alguns fatores de risco.

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Pré-natal exige atenção redobrada

Para a ginecologista Dra. Ana Paula, mulheres que engravidam depois dos 40 anos devem passar por uma avaliação médica antes mesmo de iniciar a gestação. Cuidados relacionados ao peso, alimentação, exercícios físicos e suplementação também podem ser importantes.

"Depois dos 40 anos, é muito importante fazer uma avaliação médica completa antes de uma gestação, controlar o peso, ter uma alimentação saudável, manter um bom estilo de vida, com prática de atividade física, e fazer uma suplementação adequada. Além disso, durante a gestação, é fundamental ter um acompanhamento pré-natal bastante rigoroso e criterioso", explica a ginecologista Dra. Ana Paula.

Durante a gravidez, alguns problemas de saúde também precisam ser monitorados com atenção, entre eles a pressão arterial e os níveis de glicose.

"Na gravidez tardia, também é muito importante monitorar a pressão arterial, porque existe uma chance maior de pré-eclâmpsia. A glicemia também deve ser acompanhada, pois há risco de diabetes gestacional. Por isso, o acompanhamento frequente com um profissional experiente é fundamental", finaliza a Dra. Ana.

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