Três décadas após o trágico acidente aéreo que interrompeu a trajetória meteórica dos Mamonas Assassinas, o legado da banda continua vivo. No marco de 30 anos da saudade, relembramos a emocionante entrevista de Dona Célia Alves, mãe do vocalista Dinho, concedida à Quem durante o lançamento de seu livro Indo Além da Dor em maio de 2025.
Memórias de Dinho: Além dos palcos e da fama
Para Dona Célia, revisitar o passado é um exercício de gratidão. Ela destaca que, longe das câmeras, o filho era um jovem carinhoso e profundamente ligado aos valores familiares.
"A vida passa tão rápido, quando a gente vê, já se foram trinta anos. Mas agradeço a Deus todos os dias por ter me dado o privilégio de ser mãe de um filho tão especial como o Dinho. Ele foi e continua sendo muito amado. Se tornou inesquecível, não só pra mim, mas pra tanta gente que sente saudade. No meu coração, guardo as alegrias que ele deixou, não a tragédia."
Sobre a personalidade do artista, ela recorda a despedida marcante antes da última viagem: "Meu filho era muito amoroso", lembrou Dona Célia. "No dia da última viagem, ele se despediu de mim com muitos abraços e beijos, como sempre fazia. Era um menino muito carinhoso, muito ligado à família."
A fé como refúgio e os sonhos com o filho
Criado em um ambiente religioso, Dinho mantinha uma espiritualidade simples. Dona Célia reforça que sua própria fé foi o que a sustentou após a perda do filho no auge do sucesso. "Ele foi criado na igreja, aprendeu desde pequeno a temer a Deus. Sempre falei de Jesus para ele e continuo falando até hoje para os meus filhos e netos… Falo sempre do amor de Deus. Ele tinha uma fé simples, mas sincera. Era grato por tudo, e isso era bonito de ver."
Ao falar sobre a dor da perda, ela é enfática sobre o papel da religião em sua caminhada: "Vou te falar com toda sinceridade: Jesus é a razão do meu viver. Se não fosse Ele, eu não estaria mais aqui. Foi Ele quem me sustentou e continua me sustentando até hoje. A fé foi o que me manteve de pé, me deu força nos dias em que eu achava que não ia aguentar. A dor nunca vai embora, mas Deus consola, e a gente segue."
Ela ainda compartilha que, ocasionalmente, recebe visitas do filho em sonhos: "Sonho com ele algumas vezes, sim. Nada de anormal. São sonhos tranquilos, leves, e que só aumentam as memórias boas".
O legado dos Mamonas Assassinas para as novas gerações
Mesmo após 30 anos, o fenômeno musical continua arrebatando fãs que sequer eram nascidos em 1996. Para a mãe de Dinho, ver esse sucesso duradouro é uma prova da autenticidade do grupo.
"Tudo que é bom deve ser lembrado! Fico muito feliz, é emocionante ver como eles ainda são lembrados com tanto carinho. Ver jovens que nem eram nascidos na época cantando as músicas, se emocionando, se divertindo… Isso é muito especial. É sinal de que o que eles fizeram foi verdadeiro, deixou marca", analisa.
Sobre como o vocalista reagiria a esse marco histórico, Célia não tem dúvidas: "Ele estaria radiante! Dinho era um sonhador, um lutador. Sempre correu atrás do que acreditava, com alegria, com coragem. Tenho certeza de que ele estaria muito feliz com tudo isso. E eu, como mãe, fico em paz em poder contar tudo isso."