Internações e proximidade nos últimos meses
No último ano de vida do autor, as complicações da doença se intensificaram e as internações hospitalares se tornaram mais frequentes. Ainda assim, a família buscou manter a proximidade.
"Às vezes alguém do hospital ligava dizendo: 'Seu pai sonhou com você, fala um oi'. Então fazíamos uma videochamada. Pequenos gestos nos aproximavam mesmo nos dias mais difíceis", relembrou.
Julia também recordou o último Natal ao lado do pai. Segundo ela, naquele momento já havia uma compreensão silenciosa sobre a fragilidade da situação.
"Conversei com ele, beijei sua testa e disse que ele podia descansar. Não era resignação, era um reconhecimento do que já vinha acontecendo."
O cuidado com o legado
Após a morte do autor, Julia passou a se dedicar à preservação da obra do pai. Entre os projetos estão documentários que resgatam sua trajetória e a importância de seus personagens na televisão brasileira.
Ela está à frente das produções O Leblon de Manoel Carlos e As Helenas de Manoel Carlos, além de organizar um grande acervo deixado pelo escritor.
"Catalogar cada caixa tem sido também uma forma de atravessar o luto. Meu pai dizia que o que construiu era maior que o tempo. Para mim, isso virou um compromisso", afirmou.