Julia Almeida relata como a família lidou com o avanço do Parkinson de Manoel Carlos

Atriz relembra os últimos anos de convivência com o pai, fala sobre os desafios da doença e conta como a família buscou preservar a dignidade e os hábitos do escritor até seus últimos dias

6 mar 2026 - 13h31

Internações e proximidade nos últimos meses

No último ano de vida do autor, as complicações da doença se intensificaram e as internações hospitalares se tornaram mais frequentes. Ainda assim, a família buscou manter a proximidade.

Júlia Almeida relembra os últimos anos de Manoel Carlos e a convivência com o avanço do Parkinson
Júlia Almeida relembra os últimos anos de Manoel Carlos e a convivência com o avanço do Parkinson
Foto: Reprodução/Instagram/@jules_almeida / Estadão

"Às vezes alguém do hospital ligava dizendo: 'Seu pai sonhou com você, fala um oi'. Então fazíamos uma videochamada. Pequenos gestos nos aproximavam mesmo nos dias mais difíceis", relembrou.

Julia também recordou o último Natal ao lado do pai. Segundo ela, naquele momento já havia uma compreensão silenciosa sobre a fragilidade da situação.

"Conversei com ele, beijei sua testa e disse que ele podia descansar. Não era resignação, era um reconhecimento do que já vinha acontecendo."

O cuidado com o legado

Após a morte do autor, Julia passou a se dedicar à preservação da obra do pai. Entre os projetos estão documentários que resgatam sua trajetória e a importância de seus personagens na televisão brasileira.

Ela está à frente das produções O Leblon de Manoel Carlos e As Helenas de Manoel Carlos, além de organizar um grande acervo deixado pelo escritor.

"Catalogar cada caixa tem sido também uma forma de atravessar o luto. Meu pai dizia que o que construiu era maior que o tempo. Para mim, isso virou um compromisso", afirmou.

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