Hopi Hari pode fechar? Entenda os direitos da família da mulher que perdeu movimentos em montanha-russa

Breno Hoyos, especialista em Direito Criminal, responde às principais dúvidas jurídicas sobre o caso de Júlia Bossoni

24 set 2026 - 14h55
Resumo
O texto aborda a possibilidade de interdição do parque Hopi Hari e detalha os direitos jurídicos da família de uma visitante que perdeu os movimentos corporais após andar em uma montanha-russa. Diante do grave acidente, a análise foca na responsabilidade civil da empresa, nas indenizações cabíveis por danos materiais, morais e estéticos, além do custeio integral do tratamento médico e das sanções que podem levar à suspensão das atividades do local.

O caso de Júlia Bossoni, de 21 anos, que perdeu os movimentos após andar na montanha-russa Montezum no Hopi Hari, levanta questões jurídicas importantes. O portal Mais Novela conversou com o advogado Breno Hoyos, especialista em Direito Criminal, para entender o que a lei prevê sobre responsabilidade, indenização e possível crime.

Foto: Mais Novela

A família ainda pode processar o parque?

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Sim, e o prazo ainda está longe de acabar. "O prazo é de cinco anos, conforme o art. 27 do CDC, e o acidente ocorreu em abril de 2026. A responsabilidade do parque é objetiva, de acordo com o art. 14 do CDC. Ou seja, a família não precisa provar culpa, apenas o dano e a relação dele com o brinquedo."

Na ação, segundo o advogado, a família pode exigir ressarcimento de todas as despesas médicas presentes e futuras, pensão mensal caso a capacidade de trabalho tenha sido reduzida, indenização por danos morais e estéticos — que podem ser cobrados conjuntamente —, além de indenização para a mãe e outros familiares por dano moral reflexo. Hoyos também destaca a possibilidade de um pedido de urgência para que o parque arque com o tratamento imediatamente, sem aguardar a sentença.

O parque pode ser fechado pelo MP?

O Ministério Público não fecha o parque diretamente, mas pode acionar a Justiça. "Ele pode fazer o requerimento à Justiça, por meio de uma ação civil pública, ou firmar um TAC. A interdição cabe à Justiça e a órgãos competentes, como a prefeitura e o Corpo de Bombeiros."

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O fechamento total do parque, no entanto, é pouco provável. "O mais realista seria interditar apenas a Montezum até a conclusão da perícia." O advogado lembra que em 2012, após uma morte na Torre Eiffel — outra atração do parque —, o Hopi Hari fechou, assinou um TAC e reabriu. Apenas o brinquedo permaneceu interditado.

O caso pode ser considerado crime?

Em tese, sim. "Poderia ser configurado o crime de lesão corporal culposa (art. 129, § 6º, do Código Penal), com pena de dois meses a um ano. A pena pode ser aumentada em um terço caso haja descumprimento de regra técnica."

Hoyos ressalta, no entanto, que tudo depende do laudo pericial. "Só há crime se a perícia apontar falha de manutenção, operação ou gestão. A empresa não responde criminalmente; respondem as pessoas responsáveis. Se o laudo não identificar falha, não há crime." Como referência, no acidente de 2012, 12 pessoas foram denunciadas e três foram condenadas, com as penas convertidas em prestação de serviços à comunidade.

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