Valentino Garavani bordou seu nome na história com moda com luxo e glamour. Mas, na hora da despedida final, prevaleceu a elegância discreta.
Seu velório, em Roma, seguiu o minimalismo: uma sala branca com poucas cadeiras da mesma cor, vasos e pedestais de vidro transparente, arranjos de flores brancas. Na frente do caixão fechado, um retrato em preto e branco.
Decoração discreta, sóbria, impecável.
Famoso pelos vestidos vermelhos e os brilhos ofuscantes, o ‘imperador’ da alta-costura saiu de cena sem o desfile de vaidades tão comum em funerais de celebridades.
A cerimônia marcada pelo silêncio respeitoso funcionou como aula prática para uma geração acostumada a confundir riqueza com barulho, poder com ostentação.
Por trás das criações exuberantes que o tornaram uma lenda nas vitrines e passarelas, sempre houve um homem avesso ao exibicionismo pessoal.
O mestre italiano nunca sentiu a necessidade de transformar a vida privada em espetáculo nem de usar a própria fortuna como instrumento de autopromoção.
Essa postura explica porque jamais foi refém da fama, apesar de tê-la conquistado em escala planetária.
Valentino Garavani soube ocupar o centro do mundo da moda sem se perder nele, resistindo à tentação de aparecer a qualquer custo ou de confundir reconhecimento com histrionismo.
Sua despedida, coerente com a trajetória, reafirma a lição final: estilo não é ostentação, e sim moderação e delicadeza — inclusive na hora do adeus.