O senador Flávio Bolsonaro utilizou verba pública do Senado para viajar a São Paulo e visitar o banqueiro Daniel Vorcaro no mesmo dia de sua soltura da prisão, em 29 de novembro de 2025. Embora tenha negado proximidade no passado, registros revelam que Flávio foi um dos primeiros a telefonar para o dono do Banco Master após a liberação. Mensagens anteriores também expõem contatos frequentes e apoio do parlamentar ao empresário nos dias que antecederam a prisão dele pela Polícia Federal.
Logo depois que Daniel Vorcaro chegou à sua mansão nos Jardins, em São Paulo, após deixar o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos na manhã de 29 de novembro de 2025, um funcionário se aproximou e entregou um celular ao banqueiro. Do outro lado da linha estava Flávio Bolsonaro. O candidato à Presidência foi uma das primeiras pessoas a telefonar para Vorcaro após a soltura.
A informação é mais um dado que o senador omitiu sobre a relação entre os dois. Por meses, Flávio negou publicamente até mesmo conhecer o dono do Banco Master. A versão só mudou em maio de 2026, quando o Intercept revelou a proximidade entre eles e um pedido de US$ 24 milhões. Mais de uma semana depois, o senador convocou uma coletiva para admitir que havia visitado Vorcaro em sua mansão, alegando querer "dar um ponto final" na relação.
As viagens pagas pelo Senado
O ICL Notícias revelou que Flávio usou passagens pagas pelo Senado Federal para viajar a São Paulo justamente no dia 29 de novembro, dia em que Vorcaro foi solto. Ele embarcou às 11h40 de Brasília para Congonhas em um voo da Latam, ao custo de R$ 2.216,77, e retornou à capital federal na mesma noite, em um voo da Azul por R$ 413,22.
Dois dias depois, em 1º de dezembro, Flávio voltou novamente a São Paulo, retornando a Brasília na manhã do dia seguinte. O custo total dessas viagens foi de R$ 2.919,29, também pago pelo Senado. De volta à capital federal, foi ao encontro de Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal. Na sexta-feira seguinte, dia 5, anunciou em São Paulo sua candidatura à Presidência.
Os quatro dias antes da prisão
Antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos em 17 de novembro de 2025, enquanto tentava embarcar para o exterior, Flávio havia tentado falar com ele todos os dias nos quatro dias anteriores. As mensagens foram reveladas pelo Estado de S. Paulo.
Em 13 de novembro, às 9h13, escreveu: "Fala mermão! Bom dia! Pode atender?" Vorcaro respondeu que retornaria em meia hora, mas não há registro de ligação. No dia 14, uma chamada de voz não foi atendida. No dia 15, Vorcaro justificou a ausência dizendo estar em trânsito. No dia 16, após outra chamada ignorada, o banqueiro disse que estava na igreja e ligaria depois.
Foi nesse dia que Flávio enviou a mensagem que resume bem o tom da relação entre os dois. "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs."
No dia seguinte, Vorcaro foi preso.
A assessoria de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar o caso, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.