O humor surgiu na infância de Fabão como sobrevivência contra o bullying e a homofobia, ajudando-o a encontrar sua voz e ocupar espaços. Essa defesa inicial transformou-se em uma carreira multifacetada no entretenimento, abrangendo atuação e apresentação. Sem se prender a rótulos ou expectativas alheias, ele valoriza sua autenticidade e mantém a curiosidade como motor profissional, buscando sempre novos formatos e projetos para continuar experimentando.
Antes de virar apresentador, humorista e um dos rostos de Infiltrado na Cozinha, Fabão já tinha descoberto uma ferramenta importante para atravessar momentos difíceis: fazer rir. Ainda na infância, quando enfrentava bullying e homofobia, o humor apareceu quase como uma forma de sobrevivência.
"Quando você é criança e percebe que consegue transformar uma situação difícil em uma situação minimamente engraçada, aquilo vira uma ferramenta de sobrevivência", conta.
Com o tempo, aquilo que começou de maneira instintiva ganhou novos significados. Fabão percebeu que o humor poderia ajudá-lo não apenas a enfrentar situações desconfortáveis, mas também a ocupar espaços onde nem sempre se sentia pertencente.
Só mais tarde veio a percepção de que aquela habilidade poderia virar trabalho, carreira e uma maneira de criar conexões. "Hoje eu olho para trás e vejo que aquele menino já estava encontrando a própria voz, mesmo sem saber", reflete.
Sem precisar caber na expectativa dos outros
Se pudesse voltar no tempo e conversar com o menino que enfrentava o bullying na escola, Fabão teria uma mensagem simples. Ele diria que não é preciso diminuir quem você é para atender às expectativas de outras pessoas.
A mudança de perspectiva, porém, veio com o tempo. Hoje, ele consegue enxergar que justamente aquilo que um dia parecia motivo para se esconder também poderia aproximá-lo de outras pessoas. "Ele ainda vai encontrar muita gente que vai gostar exatamente das coisas que faziam ele se sentir diferente", afirma.
Fabão abre o coração sobre como o humor o ajudou a lidar com homofobia na infância - Foto: Divulgação
E talvez essa ideia ajude a explicar também a forma como Fabão enxerga a própria carreira. Depois de passar pela internet, pelo entretenimento, pela atuação e pela apresentação, ele não parece interessado em escolher um único caminho.
Sempre existe uma próxima coisa
Para Fabão, uma das melhores partes de trabalhar com entretenimento é não sentir que existe um lugar definitivo para chegar. Pelo contrário: a vontade é continuar experimentando.
Ele ainda quer atuar mais, fazer ficção, continuar apresentando e criar novos formatos. Também pretende se permitir testar coisas que ainda nem sabe fazer. "Gosto muito dessa sensação de estar começando alguma coisa nova", explica.
A curiosidade, então, parece ser uma espécie de combustível. Enquanto existir uma ideia capaz de provocar aquele pensamento de "meu Deus, eu quero fazer isso", Fabão pretende correr atrás.
E, entre tantos projetos possíveis, uma coisa já está clara: o menino que encontrou no humor uma maneira de ocupar seu espaço cresceu, transformou essa habilidade em carreira e continua procurando novos lugares para chamar de seus.