Estilista Carla Folloni comenta o futuro da moda, o impacto das canetas emagrecedoras e o poder das influencers

Criadora da Maison SPA defende roupas menos padronizadas e mais conectadas à personalidade das mulheres, sejam famosas ou anônimas

8 ago 2026 - 15h26
(atualizado às 15h26)

Celebridades como Suzy Rêgo, Solange Couto, Claudete Troiano, Myriam Rios, Vida Vlatt, Olga Bongiovanni, Lidi Lisboa e Leda Nagle já posaram para editoriais ou campanhas publicitárias da estilista Carla Folloni.

Agora, ela decidiu ser sua própria garota-propaganda.

Publicidade

Em conversa com a coluna, comenta a ascensão das influenciadoras, as mudanças na criação de roupas provocadas pelo emagrecimento com medicamentos injetáveis e a busca por mais autenticidade.

Você sempre escalou famosas da TV para suas campanhas. Agora a moda está dominada pelas influenciadoras. Está revendo o marketing?

Sempre convidei mulheres lindas e poderosas, independentemente do peso. Para mim, o que interessa é o poder da loba, como diria Shakira. Claro que o mercado de influenciadoras mexeu muito com a classe artística, porém, creio que há espaço para todos os perfis.

Hoje, as artistas da televisão ainda são referências de estilo e influenciam as vendas ou o poder está todo com as influencers?

Publicidade

Existem atrizes, apresentadoras e cantoras que também se tornaram relevantes nas redes sociais. O que dita o sucesso de uma celebridade é sua capacidade de influenciar positivamente. Esse mundo dos influenciadores é mais comercial para os jovens. Cada vez mais, o público vai deixar de consumir o superficial e valorizar o conteúdo.

Carla Folloni já vestiu Alcione, Vera Holtz, Fabiana Karla e outras famosas 'plus size': "Cada mulher é única"
Carla Folloni já vestiu Alcione, Vera Holtz, Fabiana Karla e outras famosas 'plus size': "Cada mulher é única"
Foto: Divulgação

Quais famosas são uma referência de elegância para você?

Gosto do visual de pessoas clássicas como Costanza Pascolato, Leda Nagle, Susana Vieira e Sílvia Poppovic.

As canetas emagrecedoras estão cada vez mais acessíveis. Esse fenômeno de emagrecimento afeta o segmento ‘plus size’ da moda?

Fico feliz pela cliente que se sente bem ao eliminar peso. Na minha marca, reduzimos os tamanhos. Faço ajustes e sob medida. Cada mulher tem um tipo de corpo e a moda precisa ser o mais democrática possível.

Há uma retração do movimento ‘body positive’ (aceitação dos corpos fora do padrão de magreza), inclusive com influenciadora da área anunciando que vai emagrecer. O que acha desse fenômeno?

Publicidade

Acredito no equilíbrio. Caso essas mulheres estejam procurando mais saúde, ok. Mas observo muitas delas em busca exclusivamente da beleza estética a qualquer preço, inclusive colocando em risco a saúde física e a saúde mental.

Carla Folloni com Suzy Rêgo, que posou para a marca antes e depois de emagrecer
Foto: Reprodução

Após tantos temas de coleções, você disse ter buscado inspiração na sua própria história. Como ocorreu esse processo?

Foi a busca pela melhor versão de mim e por respostas para questões filosóficas e religiosas. O método de Sócrates, baseado no questionamento constante, me auxilia no desenvolvimento de uma coleção. Por exemplo, questiono a pessoas próximas se usariam tal peça e por quê. Aos 46 anos, tive que me desconstruir para me conectar novamente ao universo criativo. E a natureza continua a ser uma grande fonte de inspiração, onde eu busco as raízes para o ego feminino. O Yin de tudo.

Dizem que, apesar de tantos recursos de criação, como a IA, a moda em geral passa por uma crise criativa. Concorda?

Acredito em ciclos. As novas tecnologias trazem um primeiro estágio de empolgação. Porém, humano é humano e robô é robô. Como vamos crer em universos tão artificiais? A empatia é manifestada pela similaridade. Nós, seres humanos, somos indivíduos com qualidades e defeitos, o que nos torna únicos e interessantes. Em breve, esse ciclo de padronização de moda, fotos e pensamentos irá se encerrar e dará início a um ciclo mais desenvolvido com a combinação entre o universo da IA e a realidade. Aposto na beleza da imperfeição.

Carla Folloni afirma preferir não usar IA no trabalho de criação: "Humano é humano e robô é robô"
Foto: Divulgação

Usa Inteligência Artificial na criação de suas coleções?

Publicidade

Não. Para mim, a melhor interpretação de uma coleção ainda é o cérebro humano e meu conhecimento de estética e modelagem. Uso IA para lazer e busca de palavras.

Ainda existe tendência de moda?

A moda ficou diversa por conta dos modismos. Essa tendência ‘fast fashion’ (ciclo acelerado de produção e consumo de roupas) tende a diminuir. As festas que exigem looks mais refinados estão voltando. Cresce a procura por peças mais elaboradas para atender à personalidade de quem veste.

O que as mulheres, famosas ou anônimas, vão usar no próximo verão?

Aposto em túnicas, calças maxi pantalonas, chemisiers de linho e vestidos de festa com babados.

Blog Sala de TV -  Todo o conteúdo (textos, ilustrações, áudios, fotos, gráficos, arquivos etc.) deste blog e a obtenção de todas as autorizações e licenças necessárias são de total responsabilidade do colunista que o assina. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. Qualquer dúvida ou reclamação, favor contatá-lo diretamente no e-mail beniciojeff@gmail.com.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se