Caso ‘farmar aura’ tivesse de ser representado por um personagem de cinema, poderia ser o Agamenon de ‘A Odisseia’.
Aquela virada de corpo que o faz encarar de cima para baixo o general Odisseu se tornou a imagem mais viralizada do filme.
É viril, imponente, intimidador.
Não diz uma única palavra e o rosto dele está encoberto pela sombra do elmo (capacete).
O que existe é uma presença soberana capaz de colocar a todos de joelhos.
Ele conhece a própria força.
“Aquele que conquista a si mesmo é o mais poderoso dos guerreiros”, escreveu o filósofo chinês Confúcio.
A ironia é que, debaixo daquela postura de macho alfa que impressiona e até seduz os fetichistas, há um ator comum.
Benny Safdie nunca se destacou por beleza, virilidade, carisma ou charme.
É um tipo meio nerd, bonachão, introspectivo, desajeitado.
Mas quando está em cena, o talento grita.
Foi assim ao interpretar o controverso Edward Teller em ‘Oppenheimer’.
O desempenho na pele do criador da bomba de hidrogênio, que flerta com a vilania, garantiu sua presença na adaptação da obra de Homero.
Safdie tem presença cênica. Diante da câmera, ele se agiganta como o Cavalo de Troia.
Foi ajudado pelo excelente trabalho de figurino. A armadura preta o deixou com aspecto de super-herói, sendo comparado com o Batman.
O capacete se tornou objeto de desejo, reproduzido por vários fãs em impressoras 3D, como mostram vídeos no TikTok.
Agamenon, o rei de Micenas, virou pop.
E Benny Safdie, aos 40 anos, entrou para o seleto exército de atores mais prestigiados de Hollywood.