O consagrado ator Flávio Migliaccio cometeu suicídio aos 85 anos em 2020, em seu sítio no Rio de Janeiro. Conhecido por papéis marcantes na TV Globo, ele deixou uma carta de despedida desabafando sobre o declínio da velhice, o descaso com os idosos no Brasil e a desilusão com os rumos da humanidade. Seu filho, Marcelo, relatou em entrevista o cansaço físico e mental do pai, que já expressava a intenção de partir, embora discorde de que a longa trajetória do artista tenha sido em vão.
Flávio Migliaccio, conhecido por ter atuado em novelas da TV Globo, como Rainha da Sucata (1990), A Próxima Vítima (1995), Torre de Babel (1998), Senhora do Destino (2004), Caminho das Índias (2009), Passione (2010), Êta Mundo Bom! (2016) e Órfãos da Terra (2019), o último folhetim que teve a presença do astro, faleceu em 2020.
Aos 85 anos, o ator tirou a própria vida no sítio onde vivia, na Serra do Sambê, Rio Bonito, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Uma carta de despedida foi encontrada junto com o corpo do famoso.
"Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste país é o caos, como tudo aqui. A humanidade não deu certo. Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora… Num país como este. E com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje", escreveu Migliaccio.
Nada se encaixa mais nesse tema, "perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira", do que a carta de suicídio do ator Flávio Migliaccio (eterno seu Chalita)
"Me desculpe, mas não deu mais, a velhice nesse país é um caos, como tudo aqui(...) cuidem das crianças!" https://t.co/0AtKCkdJWQ
— Pedro Petralha Enviando mentira (@pedro_enviando) November 9, 2025
HERDEIRO SE MANIFESTOU
Marcelo Migliaccio, filho do veterano, foi entrevistado pela Veja e falou sobre o pai. "Numa de nossas últimas conversas, eu tentava, mais uma vez em vão, motivar aquele homem cansado, desiludido com a avalanche fascista que toma conta do planeta. 'O mundo está um lixo', ele me disse. Dias depois, ou antes, não me lembro, ele me deu outra razão para justificar seu desejo de sair definitivamente de cena: 'Já não escuto direito, minha vista está falhando, a memória também. Daqui para frente só vai piorar. Já vivi demais. Oitenta e cinco anos. Chega'", relembrou o rapaz.
"Usei todos os meus argumentos, mas meu pai não queria mais jogar. Era uma decisão tomada, acho que muitos anos antes daquele domingo em que ele disse que daria uma caminhada pelo bairro e sumiu. Só não posso concordar com uma frase escrita por ele na carta de despedida, a de que seus 85 anos não valeram de nada. Para muita gente, e especialmente para mim, cada olhar, cada sorriso e cada lágrima foram fundamentais", apontou Marcelo.
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