A jornalista Adriana Araújo criticou na Band News FM a postura de Duda Campopiano, deputada estadual recém-eleita por São Paulo com 2 milhões de votos. Araújo repudiou falas da parlamentar que negam o feminicídio e naturalizam a agressividade masculina, alertando que esse discurso alimenta o ódio e ignora a violência real enfrentada diariamente pelas mulheres no país. Por fim, a âncora lamentou que a busca pelo bem resulte na eleição de ideias extremistas impulsionadas pelas redes sociais.
Nesta segunda-feira (5), Adriana Araújo falou na Band News FM sobre Duda Campopiano, deputada estadual mais votada de São Paulo na eleição de domingo (4). "Por décadas, mulheres lutaram para que ela tivesse o direito de em 2026, se tornar uma deputada estadual em São Paulo", apontou a jornalista.
"O outro ponto do discurso da Eduarda Campopiano, que é gravíssimo, é que ela diz que feminicídio não existe e que o comportamento do homem, naturalmente, tem que ser mais agressivo e até letal. Que homem, que não tem esse comportamento agressivo, que não é capaz de demonstrar agressividade, não é um grande exemplo de homem", destacou a profissional.
"A Eduarda tem 23 anos e ela fala esses disparates sem sentir nenhuma dor. Mas eu gostaria que ela pudesse ter tempo de aprender, de preferência sem sentir dor, que as palavras que ela fala, que ela repete, são palavras que provocam profunda dor em muitas mulheres", lamentou a repórter.
"Porque enquanto ela repete esses bordões que viralizam nas redes sociais e nos grupos de ódio às mulheres, mulheres reais estão sentindo dor na pele. Mulheres são esfaqueadas, estupradas, asfixiadas, todos os dias no nosso país. Mulheres são mortas todos os dias no nosso país, uma a cada seis horas", indicou Adriana.
"Enquanto a Eduarda Campopiano fica dizendo que feminicídio não existe, crianças estão sofrendo a dor de perderem as suas mães e mães estão chorando por enterrarem as suas filhas. Todo os dias no nosso país", contou a âncora do Jornal da Band.
"Esse discurso que a Eduarda Campopiano repete como se fosse boneco na mão de um ventríloquo, simplesmente reforça as campanhas e o sentimento de ódio às mulheres. Sentimento que muitas vezes homens assassinos tentam usar pra explicar seus atos. Só agressividade masculina", declarou Araújo.
"Eu desejo profundamente que a Eduarda Campopiano tenha alguém que estenda a mão na direção dela e diga: respira, para um pouco pra pensar. O que você tá falando machuca e pode levar à morte e à tentativa de feminicídio de muitas mulheres no nosso país", continuou a profissional.
"Eu não me considero inimiga da Eduarda, mas eu me considero uma feminista, aquela que luta pra que as mulheres tenham o mesmo espaço que os homens na sociedade, o mesmo respeito, os mesmos direitos, as mesmas oportunidades. E o direito essencial que toda mulher tem é o direito a viver e a não morrer na mão de homens assassino", falou Adriana.
RECADO PARA OS ELEITORES
"A Eduarda Campopiano vai chegar endossada na Assembleia Legislativa de São Paulo pelo voto de dois milhões de paulistas. E agora eu queria falar com esses dois milhões de paulistas. Eu não acredito que nesses dois milhões de paulistas, todos eles acham que não existe feminicídio, não enxergam a dor de mulheres que são esfaqueadas, que são mortas, que são estupradas. Eu acredito que essas pessoas entendem a gravidade desse problema", avaliou a jornalista.
"E pra vocês, eu queria dizer o seguinte: muitas vezes a gente deseja a bondade, mas a gente vota na direção oposta. A gente deseja a bondade e elege o ódio. Se você puder parar, respirar um instante e pensar sobre isso, talvez nas próximas eleições a gente vá além do videozinho do TikTok e do Instagram. E não elege esse tipo de pensamento", finalizou Araújo, que em alguns momentos da fala quase chorou.
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