Flip 2026 divulga programação completa com Zadie Smith, Ana Paula Tavares, Cármen Lúcia e mais; veja

A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty tem Orides Fontela como autora homenageada, ocorre entre 22 e 26 de julho e anuncia início da venda de ingressos

23 jun 2026 - 11h12

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) anunciou a programação para sua 24ª edição, que ocorre na cidade histórica fluminense entre os dias 22 e 26 de julho. O evento terá grandes nomes da literatura mundial, como a premiada escritora inglesa Zadie Smith e a angolana Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões 2025

O crítico literário Augusto Massi e a poeta e ensaísta Marília Garcia farão a mesa de abertura, um tributo à poeta Orides Fontela (1940-1998), escolhida como autora homenageada da Flip 2026. Batizada de Entra furtivamente a luz, a mesa será na quarta, 22, às 19h30.

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Estão também entre os destaques o franco-argelino Kamel Daoud, autor de Língua Interior (DBA), a portuguesa nascida em Angola Djaimilia Pereira de Almeida, de Luanda, Lisboa, Paraíso e Esse Cabelo (Todavia) - eles dividem mesa na quinta, 23 -, a catalã Eva Baltasar, de Boulder (Dublinense), e a americana Katie Kitamura, de Audição (Fósforo). E também a alemã Carmen Stephan, que escreveu um romance sobre a malária e fará mesa com o médico e escritor brasileiro Drauzio Varella na sexta, 24.

Milton Hatoum, que recentemente tomou posse como membro da Academia Brasileira de Letras, também está confirmado. E ainda a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia. Com mediação de Paula Miraglia, ela falará sobre seu livro Pela Mão do Povo - Democracia e Voto no Brasil e discutirá ataques à democracia brasileira também na sexta, 24.

Flip 2026 terá Zadie Smith, Ana Paula Tavares e a ministra do STF Cármen Lúcia.
Flip 2026 terá Zadie Smith, Ana Paula Tavares e a ministra do STF Cármen Lúcia.
Foto: Companhia das Letras e Editorial Caminho / Reprodução e Wilton Junior/Estadão / Estadão

Outra mesa de tom político será a do escritor ucraniano Andrei Kurkov e da escritora canadense de origem ucraniana Maria Reva, que vão debater os dilemas de narrar um conflito como a guerra na Ucrânia na quinta, 23, às 12h, com mediação de Laura Capelhuchnik. Confira abaixo a lista de autores e a programação completa.

Ao todo, o Programa Principal da Flip 2026 conta com 21 mesas, uma a mais do que a edição anterior. Neste ano, alguns horários foram realocados: na sexta e no sábado, a última mesa do dia será às 19h, e não às 21h. No domingo, serão três mesas, em vez de uma, às 10h, às 12h e às 15h30.

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A curadoria da 24ª Flip é da editora e crítica literária Rita Palmeira, que já atuava como mediadora do Programa Principal da festa desde 2017.

Orides Fontela é a autora homenageada da 24ª Flip

Como é tradição desde a primeira edição, a escolha do homenageado costuma promover o resgate e novas leituras de sua obra, além de guiar os debates e temas da Flip - antes e durante a festa em si. Este ano, a celebração de Orides Fontela começa com um show em São Paulo, nesta terça, 23, apresentado pela cantora Fabiana Cozza com o sanfoneiro Cleber Silveira na Casa Natura (saiba mais), e segue com o Ciclo do Autor Homenageado, na sede do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc.

O evento ocorre entre 25 e 27 de junho e terá nomes como Alcides Villaça, Fernando Paixão, Olgária Matos e Paulo Henriques Britto. A entrada é gratuita, mas os ingressos são limitados: é preciso retirar a senha com uma hora de antecedência na própria bilheteria do CPF Sesc-SP (Rua Dr. Plínio Barreto, 285).

Com a escolha de Orides Fontela, este é o segundo ano consecutivo em que a Flip elege um poeta como homenageado - no ano passado, o escolhido foi Paulo Leminski (1944-1989), contemporâneo de Orides. Também é o retorno de uma mulher como homenageada; a última havia sido Pagu (1910-1962), em 2023.

Orides Fontela, autora homenageada da Flip 2026, em 1996.
Foto: Itamar Miranda/Estadão / Estadão

Nascida em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, Orides Fontela publicou seu primeiro livro, Transposição, em 1969, com a ajuda de seu conterrâneo e crítico literário Davi Arrigucci Júnior. A obra tinha poemas escritos durante sua infância e a adolescência e rapidamente ganhou destaque entre entusiastas da poesia.

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O trabalho chamou a atenção de críticos como Antonio Candido (1918-2017) e Décio de Almeida Prado (1917-2000) e, com isso, Orides chegou a publicar poemas no icônico Suplemento Literário do Estadão. Nos anos seguintes, ela lançou livros como Helianto (1973), Rosácea (1986) e Alba (1983), que acabou lhe rendendo um Prêmio Jabuti em 1983. Em 1996, Orides também foi premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) pelo livro Teia.

A obra da autora foi compilada em três publicações: Trevo (1988, Livraria e Editora Duas Cidades), Poesia Reunida (2006, Cosac Naify) e Poesia Completa (2015, Hedra). A Editora Hedra, que atualmente detém os direitos da obra de Orides, também publicou O Enigma Orides, biografia da poeta escrita pelo jornalista e antropólogo Gustavo de Castro.

Em meio à celebração da obra na Flip, a editora está lançando novas edições dos cinco livros publicados em vida pela autora. Além de resgatarem as obras originais, os volumes apresentam textos críticos, alguns inéditos, de intelectuais que analisaram a poesia de Orides.

Programa Principal da 24ª Flip

A apresentação das mesas é dos organizadores

Quarta-feira, 22/7

  • 19h30 - mesa 1 - entra furtivamente a luz

Augusto Massi + Marília Garcia

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O crítico literário Augusto Massi, amigo e editor de Orides Fontela, divide a mesa com a poeta e ensaísta Marília Garcia. Massi discorrerá sobre a obra de Orides e Garcia fará leitura performática de um poema encomendado especialmente para a abertura da 24ª Flip.

Quinta-feira, 23/7

  • 10h - mesa 2 - saber de cor o silêncio

Edimilson de Almeida Pereira + José Tolentino de Mendonça

mediação Sofia Mariutti

Poetas de uma mesma geração, donos de obra vasta e ambos detentores de grande erudição, o português José Tolentino Mendonça e o brasileiro Edimilson de Almeida Pereira conversam sobre linguagem poética, enigma e identidade.

  • 12h - mesa 3 - não vim. não vi. não havia guerra alguma

Andrei Kurkov + Maria Reva

mediação Laura Capelhuchnik

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Como narrar o que se viu e o que não se viu mas que está acontecendo? Maria Reva, escritora canadense de origem ucraniana, conversa com o escritor Andrei Kurkov sobre seus livros que, por caminhos distintos (ela, em romance engenhoso e bem-humorado; ele, em diários), tratam da guerra da Ucrânia e do dilema ético que acompanha narrativas de conflitos de grande dimensão.

  • 15h - mesa 4 - mas para que serve o pássaro? o pássaro não serve

Andréa del Fuego + Paulliny Tort

mediação Micheline Alves

Duas das mais inventivas ficcionistas brasileiras da atualidade se encontram para conversar sobre seus livros, sobre a capacidade de fabulação e a função da literatura.

  • 17h - mesa 5 - a infância volta devagarinho

Andrea Bajani + Maria Esther Maciel

mediação Anabela Mota Ribeiro

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Dois grandes escritores, um italiano e uma brasileira, se reúnem para conversar sobre seus romances em que questionam o amor compulsório dos filhos por seus pais e revisam a relação familiar.

  • 19h - mesa 6 - falo do que impede o sono

Djaimilia Pereira de Almeida + Kamel Daoud

mediação Adriana Ferreira Silva

Vencedor do Goncourt 2024, Kamel Daoud e a premiada escritora luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, autora de Luanda, Lisboa, Paraíso, conversam sobre a construção de seus romances e também sobre esquecimento, luto e dever de memória.

  • 21h - mesa 7 - do livro ao palco: Dalton, que tinha um cachorro

Denise Stoklos

Espetáculo inspirado na obra de Dalton Trevisan, com direção de Alessandra Maestrini. A apresentação marca a estreia do espetáculo.

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Sexta-feira, 24/7

  • 10h - mesa 8 - água parada água parada água parando

Carmen Stephan + Drauzio Varella

mediação Laura Capelhuchnik

Uma conversa sobre escrita, doenças tropicais, medicina, vida e morte. Carmen Stephan, escritora alemã que escreveu um romance sobre a malária (narrado pelo mosquito transmissor), e o renomado escritor e médico Drauzio Varella, autor de, entre outros livros, O médico doente, em que trata do momento em que contraiu febre amarela e esteve à beira da morte.

  • 12h - mesa 9 - mesa Zé Kleber: a severa arquitetura serenamente prende-nos

José Godoy + Solano Benítez

mediação: Francesca Angiolillo

De que modo se habita um espaço? A serviço de quem está o uso que se faz de um determinado lugar? Como esse habitar pode estar a serviço da vida ou de políticas repressivas? Esta mesa reúne dois latino-americanos, um arquiteto paraguaio e um jornalista brasileiro, para debaterem diferentes formas de ocupar o espaço. Se José

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Godoy relata suas descobertas sobre a Ilha Dawson, território chileno que foi usado para extermínio de indígenas e, décadas depois, sob o governo Pinochet, para tortura e encarceramento de dissidentes políticos, Benítez fala de sua experiência como inventor de espaços que reivindicam estreita relação com a natureza e respeito às populações locais.

  • 13h30 - mesa 10 - estado de sítio, estado de sido, estase

Cármen Lúcia

mediação Paula Miraglia

A ministra do Supremo Tribunal Federal fala de seu recém-lançado livro Pela mão do povo - Democracia e voto no Brasil, bem como dos recentes ataques à democracia brasileira.

  • 15h - mesa 11 - como revelar-te se me revelas?

Flávia Péret + Julieta Correa

mediação Natalia Timerman

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A conversa reúne uma escritora mineira e uma escritora argentina para falar de seus livros, que, enquanto refletem sobre a relação entre neta e avó, e mãe e filha, narram, de forma delicada e bem-humorada, o processo de adoecimento por demência de mulheres de sua família.

  • 17h - mesa 12 - e perdura. apesar.

Bethânia Pires Amaro + Nathacha Appanah

mediação Gabriela Longman

Duas escritoras, uma brasileira e uma franco-mauriciana, conversam sobre seus livros que têm protagonistas mulheres. Em comum, seus livros revelam inúmeras formas de violência a que são submetidas suas personagens. Ganhadora do Femina 2025 com um dos romances de maiorrepercussão no ano passado na França, Nathacha Appanah se encontra com Bethânia Pires Amaro, que recebeu o Jabuti (Contos) em 2024.

  • 19h - mesa 13 - o tecido: não sabemos qual a trama

Katie Kitamura + Marta Pérez-Carbonell

mediação Gabriela Mayer

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Até onde acreditar no que se lê? Em que medida se pode narrar a vida do outro sem se preocupar com as consequências dessa decisão? As romancistas Katie Kitamura e Marta Pérez-Carbonell conversam sobre narradores pouco confiáveis, histórias que desestabilizam leitores e o efeito ilusório que a ficção pode trazer.

Sábado, 25/7

  • 10h - mesa 14 - a saída é a volta

Eduardo Halfon + Paloma Vidal

mediação Gabriela Mayer

A mesa reúne um escritor guatemalteco de origem judaica, criado nos Estados Unidos e hoje residente em Berlim, e uma escritora argentina que vive no Brasil, com passagens por Estados Unidos e França. Ele escreve em espanhol apesar de ter o inglês como língua principal; ela escreve em português apesar de sua língua materna ser o espanhol. Os dois são personagens de seus próprios romances e aqui se reúnem para falar de seus projetos literários, de deslocamentos e identidades.

  • 12h - mesa 15 - se o delírio te eleva à potência do abismo

João Cezar de Castro Rocha + Paulo Schiller

mediação Anabela Mota Ribeiro

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Encontro de dois ensaístas para debater o autoritarismo e a ascensão da extrema direita. O crítico literário João Cezar de Castro Rocha e o psicanalista e tradutor Paulo Schiller recuperam os argumentos que sustentam seus livros mais recentes para tentar entender, a partir do repertório de suas respectivas áreas de atuação, como comportamentos associados ao autoritarismo ganharam a cena nos últimos tempos.

15h - mesa 16 - o boi é só. o boi é só. o boi.

Ana Paula Tavares

mediação Tarso de Melo

Vencedora do prêmio Camões 2025, a poeta, ensaísta e pesquisadora angolana Ana Paula Tavares fala de sua trajetória e de sua produção poética, ambas profundamente marcadas pela história de seu país e da luta pela emancipação feminina. Conversa também a respeito de sua relação com o Brasil, por meio da língua, da poesia e da literatura, sobretudo a partir dos laços que o unem a Angola.

  • 17h - mesa 17 - não mais sabemos do barco, mas há sempre um náufrago

Hisham Matar + Milton Hatoum

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mediação Paulo Roberto Pires

Hisham Matar conversa com Milton Hatoum sobre histórias de famílias que têm seu destino determinado por governos autoritários. Matar tinha 19 anos quando seu pai foi sequestrado pelo governo do ditador líbio Muammar Gaddafi e nunca mais reapareceu. Hatoum, em sua recente trilogia, narra o desaparecimento de uma mãe ocorrido durante a ditadura militar brasileira. Uma conversa entre dois premiados escritores sobre seus livros e a relação entre memória e literatura, política e ficção, escrita e liberdade.

19h - mesa 18 - e este chão não existe, e esta paz é vertigem

Zadie Smith

mediação Juliana Borges

Entrevista com a escritora britânica Zadie Smith, uma das vozes mais celebradas da literatura em língua inglesa da atualidade. Ela responderá a questões sobre sua obra, a construção fina e arguta de cada um de seus livros, e discutirá temas presentes em seus romances como colonialismo, imigração e racismo.

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Domingo, 26/7

  • 10h - mesa 19 - a porta está aberta

Ernesto Mané + Ève Guerra

mediação Adriana Ferreira Silva

A mesa reúne dois autores que, em seus livros, refletem sobre a relação com a diáspora africana contemporânea e tocam em temas como imigrações, violência, famílias birraciais, afeto, identidade e pertencimento. Se o físico e diplomata brasileiro conta da viagem que fez à Guiné-Bissau para conhecer a família de seu pai, a poeta e professora francesa Ève Guerra narra, em seu premiado romance, a experiência de repatriar o corpo do pai do Congo para a Europa.

  • 12h - mesa 20 - nunca crer no que não canta

Leonardo Gandolfi + Mateus Baldi

mediação Fernando Luna

Nessa mesa se reúnem um poeta cujo olhar se fixa nas pequenas coisas cotidianas e uma contista que mira com delicadeza o espaço urbano e quem o habita. Também aparecem um poeta e pesquisador que enaltece a música em seus versos e nos versos dos outros e uma ensaísta que se dedica a refletir sobre um dos maiores discos da MPB. Trata-se de um encontro sobre poemas, canções e cidades, e o que resulta daí.

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  • 15h30 - mesa 21 - o que faço desfaço, o que amo desamo

Eva Baltasar + Susy Freitas

mediação Micheline Alves

Encontro de duas escritoras de enorme originalidade. A catalã Eva Baltasar, que escreveu uma vertiginosa trilogia sobre a maternidade, e a amazonense Susy Freitas, autora do frenético romance No baile do juízo final. À sua maneira, as duas escritoras esgarçam os estereótipos do feminino e colocam suas personagens em situações-limite de sustentação do próprio desejo.

Preço e como comprar ingressos para a Flip 2026

Os ingressos para Flip 2026 começam a ser vendidos no site oficial do evento a partir desta sexta-feira, 26. No primeiro lote, a preços populares, o acesso a cada mesa do Programa Principal custará R$ 25 (meia) ou R$ 50 (inteira). Segundo a organização, 20% dos ingressos são vendidos por esse valor. O segundo lote custará R$ 70 (meia) e R$ 140 (inteira). No ano passado, os ingressos custaram R$ 135.

Lembrando que a festa conta com venda antecipada de ingressos para paratienses entre esta terça, 23, a partir das 12h, até a quinta, 25, até as 17h na sede da agência de turismo Paraty Tours (Avenida Roberto Silveira, nº 479).

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As mesas acontecem no Auditório da Matriz, mas também serão transmitidas ao vivo no telão da Praça, na Praça da Matriz, e na Casa Patrimônio, no Largo da Santa Rita. Para quem quer acompanhar de casa, de qualquer lugar do Brasil, será possível assistir no site e no YouTube da Flip e pelo canal Arte1.

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