Por que X-Men '97 é tão elogiado? Veja 8 motivos para assistir à animação mesmo se detestar a Marvel

Primeira temporada da série chega ao fim aclamada pela crítica e também pelos fãs de heróis, mas o trabalho se prova ser excelente também para quem não é um grande fã das produções de super-heróis

19 mai 2024 - 17h10

Sei o que passou pela sua cabeça: o que estou fazendo aqui lendo sobre uma animação infantil dos anos 90 que ganhou um revival forçado de um estúdio que não acerta nada desde que dizimou (ficcionalmente) metade dos habitantes do universo em Vingadores: Guerra Infinita, lançado em 2018?

Equipe de mutantes X-Men está de volta em nova animação
Equipe de mutantes X-Men está de volta em nova animação
Foto: Disney+ / Divulgação / Estadão

Com o último episódio da primeira temporada lançado na quarta, 15, no Disney+, X-Men '97 é tudo isso que você pensou, exatamente, mas também é mais: trata-se do melhor trabalho publicado pelo estúdio em décadas, criado para um público amplo - desde que se disponha a dar play na produção apesar dos conceitos pré-estabelecidos.

Continuação da série dos anos 90, a nova animação, comandada por Beau DeMayo, cujo currículo não impressionava a princípio, com trabalhos de roteiro para alguns episódios da série The Witcher, da Netflix, e Moon Knight, da Marvel/Disney+, resgata o espírito da versão anterior, seja nos traços dos personagens, nos frames por segundo da tela, na dublagem e no tempo de cada episódio (todos curtos, com 30 minutos de duração).

Em tempos de nostalgia em alta, Marvel fez bem em resgatar um queridinho dos fãs. Melhor ainda em evitar um remake e realmente desenvolver a história a partir do narrativa deixada lá atrás.

Neste caso, X-Men '97 começa a partir da morte do Professor Charles Xavier, conhecido como o mentor dos mutantes bonzinhos, os X-Men, em um mundo que despreza a nova raça, considerada por muitos como uma evolução do homo sapiens.

Pois bem, a série já se inicia com a revelação e quem "herdou" os X-Men do Professor Xavier: o rival e outrora melhor amigo Magnus, ou o vilão Magneto, que tanto deu trabalho para os heróis durante a série dos anos 90.

Em minutos, X-Men '97 subverte o status quo e coloca antigos rivais de um mesmo lado, em uma jogada brilhante de Xavier nos momentos finais de vida.

A partir daí, a animação embarca numa jornada com reviravoltas interessantes, ritmo alucinante de ação, personagens com camadas profundas e mortes trágicas. Ou seja, puro suco de delícia pop, ideal até para quem não gosta de heróis que usam cueca sobre a calça.

Abaixo, listamos 8 motivos para você dar uma chance para X-Men '97 e entender por que a cada quarta-feira, a cada novo episódio lançado, as redes sociais terem sido inundadas de elogio.

1° motivo: Um vilão que virou herói, depois vilão, depois eu não sei mais…

O arco de Magneto é uma das obras mais primorosas da cultura pop dos anos 20, decididamente. A frase "Magneto estava certo" vai mexer com suas convicções quando o vilão se mostrar o mais sensato.

DeMayo investiga o que faz do vilão ser tão adorável, apesar do instinto violento. Testemunhamos a transição do personagem em alguém com quem conseguimos nos relacionar. E, depois, vemos este mesmo personagem se perder em um misto de fúria, luto e revolta.

2° motivo: Uma dose de nostalgia

X-Men '97 tem gostinho de infância, mas diferentemente daquele chocolate que amávamos nos primeiros anos de vida que hoje tem gosto de plástico e açúcar, a produção faz atualizações o suficiente para se manter relevante.

Mesmo assim, a série mantém os dubladores possíveis, assim como os traços de cada personagem. Revisitamos cenários e figurinos dos anos 90, quase como um recado para apagar a fase sombria de heróis na TV e cinema, com uniformes contidos, em couro escuro: aqui, você verá a turma de collants amarelo e azul, ok?

3° motivo: Protagonistas que se alternam

Escrevi acima sobre Magneto, mas o personagem não é o protagonista da animação. Na verdade, nenhum deles é o único protagonista: Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Vampira, Gambit, Professor Xavier, cada um deles ganha tempo de tela e espaço para amadurecer na frente dos olhos do espectador.

Falta a Wolverine mais tempo, mas sabendo que o adorável mutante selvagem estará no filme de Deadpool e com o desfecho da primeira temporada de X-Men '97, o fato é perdoável.

4° motivo: "Lembre-se…" Um episódio para quebrar seu coração

O episódio cinco, Remember It, marca o início da segunda metade da temporada. E divide a série, realmente, em um antes e depois. Os ocorridos em Genosha, uma ilha que ergueu uma comunidade utópica totalmente mutante são devastadores e disparam diferentes linhas narrativas para o desfecho no episódio 10.

Se você não demonstrar alguma emoção ao final deste episódio, chame um médico, talvez seu coração tenha se transformado em pedra.

5° motivo: Correção de algumas rotas com os personagens

Parte interessante de X-Men '97 para os já iniciados nas confusas histórias dos mutantes nos quadrinhos é a capacidade de DeMayo e companhia em simplificar o que, outrora, se perdeu na complexidade excessiva das narrativas das histórias em quadrinhos.

A criação de Cable, por exemplo, filho de Ciclope nas HQs, sempre foi confusa. O mesmo para a jornada de Jean Gray e a clone Madelyne Pryor.

A relação entre personagens foi simplificada. De modo que apagam-se as décadas de incongruência dos quadrinhos em torno de uma linha de raciocínio.

6° motivo: Pauta sobre as minorias, é claro

X-Men, em sua essência, é uma equipe de personagens das HQs para debater questões raciais e pautas das minorias. Desde a descoberta da sexualidade à identidade de gênero, passando por racismo, etarismo, misoginia. Tudo se discute no espectro da existência da raça mutante entre nós.

A animação é precisa, sucinta, direta e às vezes indireta.

7° motivo: Liberdade criativa que você não encontraria em nenhum outro lugar

É interessante pensar que DeMayo participou de Moon Knight, uma das séries em live-action (com atores reais) com muito talento desperdiçado - é uma aventura protagonizada por Oscar Isaac sobre o personagem Cavaleiro da Lua, inspirado pela mitologia egípcia e dono de uma síndrome de múltipla personalidade.

O resultado foi desastroso, inclusive porque existem riscos estéticos que não se podem tomar em uma série com um retorno financeiro incerto, como era este o caso, o que faz dos efeitos visuais um show de horrores digno de filmes B. Roteiro sem polidez, decisões estéticas equivocadas e um desfecho decepcionante.

Tudo isso passa por um risco maior. A grana para fazer uma série épica é alta. E o retorno é arriscado. Quando se fala em animação, os custos caem drasticamente, por maior que seja a equipe de animação.

X-Men '97 tem a liberdade criativa que talvez nenhuma live-action teria acesso. Não é por acaso que os filmes de X-Men (e já tivemos 2 trilogias dos mutantes nos cinemas) soassem tão controlados e contidos. Na animação, a liberdade criativa é absolutamente maior. E isso se reflete no resultado da obra em si.

8° motivo: Novelão daqueles

Principalmente nos episódios finais, X-Men '97 envereda para uma narrativa noveleira interessante, pelo dramalhão, humores e reações exageradas. Para quem se acostumou com folhetins de Manoel Carlos, esse espírito é até bem-vindo.

Uma segunda temporada vem aí (sim, este é um 9° motivo que mantive em segredo)

A cena pós-créditos do final e 10° episódio, publicado nesta quarta, 15, indica uma continuação. DeMayo planejara cinco temporadas no total, antes de ser demitido da Marvel sem uma explicação decente. Se nada mudar, teremos mais quatro temporadas pela frente.

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‘X-Men '97’ é um verdadeiro novelão
Foto: Divulgação / Disney+ / Estadão
Ideias de Professor Xavier são debatidas nesta primeira temporada de X-Men ‘97
Foto: Divulgação / Disney+ / Estadão
Madelyne Pryor é uma das personagens importantes desta temporada da série
Foto: Divulgação / Disney+ / Estadão
Cena do episório 'Remember It’, de X-Men ’97’
Foto: Divulgação / Disney+ / Estadão
Magneto, em ‘X-Men '97'
Foto: Divulgação / Disney+ / Estadão
Equipe de mutantes X-Men está de volta em nova animação
Foto: Disney+ / Divulgação / Estadão
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