Disney quer lançar uma produção brasileira por mês: 'Aumenta possibilidade de termos fenômeno'

Ao 'Estadão', Monica Albuquerque, líder de conteúdo local, fala sobre estratégia da empresa para aumentar quantidade de filmes e séries nacionais no Disney+

13 out 2026 - 12h12
Resumo
A Disney planeja lançar uma produção original brasileira por mês no Disney+ a partir de 2027, visando criar sucessos com alcance global. A estratégia, liderada por Monica Albuquerque, aposta na diversidade de formatos e gêneros, como séries e documentários, além de buscar lançamentos anuais para evitar a perda de público entre temporadas. O objetivo é fortalecer a relação com a audiência e exportar o talento nacional para o mercado internacional com um fluxo contínuo de novidades.

Após estrear a segunda temporada da série Amor da Minha Vida, protagonizada por Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros, na sexta, 9, a Disney tem um objetivo ambicioso: a partir de meados de 2027, a empresa quer colocar no streaming uma produção brasileira original por mês, segundo Monica Albuquerque, head de conteúdo original do Disney+ Brasil.

Publicidade

"Montar essa relação com a audiência tem a ver também com isso: a gente ter uma oferta sendo feita com frequência regular", explica a executiva ao Estadão. A ideia é que haja uma variedade de gêneros e formatos, envolvendo séries dramáticas, de ação e de comédia, bem como documentários e produções voltadas ao true crime.

O plano atende a uma demanda que veio da matriz da empresa, nos Estados Unidos, e visa também a que as produções brasileiras possam encontrar audiência fora do País. "O Brasil é um polo criativo enorme, gigante, com talentos impressionantes que precisam ser potencializados para a gente também conseguir que essa frequência de consumo se dê em nível internacional. Acho que talvez este seja o diferenciador que a marca traz: trabalhar com talento local, mas desenvolvendo essa ambição de um impacto global."

Segunda temporada de 'Amor da Minha Vida' já está disponível no streaming
Segunda temporada de 'Amor da Minha Vida' já está disponível no streaming
Foto: Disney+/Divulgação / Estadão

A referência são países que também viram suas séries tornarem-se fenômenos do streaming, como Espanha, Coreia do Sul e Turquia. "O fenômeno é uma coisa que não está no nosso controle, é a audiência que decide. Mas se temos frequência, aumentamos a possibilidade de ter um resultado assim."

Monica, que já passou pela Globo e pela Warner Bros. Discovery, teve sua contratação pela Disney anunciada em abril. Nos aproximadamente seis meses em que está no cargo, a empresa focou em se reunir com autores e realizadores, e agregar uma quantidade significativa de projetos que pudessem ser colocados em desenvolvimento, para ter um "planejamento de sustentabilidade".

Publicidade

A executiva diz que o mercado nacional tem reagido bem ao interesse da Casa do Mickey, e que o ambiente da empresa tem sido propício a colaborações. "O mercado brasileiro é incrivelmente talentoso e a gente tem usado também muito do apoio que temos da Disney América Latina, da Disney dos Estados Unidos para fazer esses intercâmbios."

Monica Albuquerque, head de conteúdo original do Disney+ Brasil
Foto: Disney/Divulgação / Estadão

Os processos já estão a todo vapor. Só neste mês começam a ser filmados três documentários e duas séries. Uma delas é Virando o Jogo, trama sobre o jogo do bicho que será estrelada por Glória Pires, Carolina Dieckmann e Gabz e deve chegar à plataforma no próximo ano.

Os polêmicos intervalos entre as temporadas

O planejamento da Disney passa, também, por um elemento que se tornou dor de cabeça para alguns players do streaming: os longos intervalos entre temporadas. Um estudo da Luminate, divulgado em agosto e com índices do mercado americano, constatou que hiatos maiores do que um ano e meio nas séries costumam levar a uma queda de audiência entre temporadas.

A segunda temporada de Amor da Minha Vida chega dois anos após a primeira, mas com a terceira já confirmada. A intenção, de acordo com Monica, é que os títulos da casa tenham temporadas anuais. "O que acaba acontecendo é que precisamos fazer nossas apostas. Se estamos conscientes de que [uma produção] tem esse potencial, a gente tem que entrar em desenvolvimento mais cedo, para poder dar tempo de escrever, gravar e conseguir manter esse ritmo."

Publicidade

Para manter o ritmo, a Disney também planeja otimizar o tempo dos processos de pós-produção, que ganham camadas adicionais no streaming. "É o que custa muito. A gente tem que produzir em vários formatos para várias telas, dublagem, legendagem; são tempos muito longos."

A executiva reconhece que a própria continuidade das séries é um elemento importante na relação com o público, e a empresa tem o exemplo bem-sucedido de Impuros, que já gravou sua sétima temporada. "O mais legal é a gente entender isso, que a gente consegue gerar histórias que tenham fôlego para mais de uma temporada. A nossa indústria no Brasil vive muito de soluços - 'agora isso, agora aquilo'. Acho que é muito legal quando a gente entende que consegue. Temos talento e habilidade para manter e construir essa relação com os fãs."

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se