Após passar por provações na última década, o cinema brasileiro está em um momento de popularidade elevada, graças ao sucesso de obras nacionais no Oscar. Entretanto, a trajetória da sétima arte no país vai além do passado recente. Uma lista com os melhores filmes brasileiros da história reforça isso.
O jornal O Globo convidou 185 profissionais de cinema - dentre eles diretores, roteiristas, atores, produtores, compositores, fotógrafos e críticos - para selecionar os 100 melhores filmes brasileiros da história. Os sucessos mais recentes do audiovisual nacional no Oscar, Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025), não conseguiram chegar ao topo do ranking. Terminaram na 13ª e 23ª posição, respectivamente.
Entre os votantes estão os diretores Kleber Mendonça Filho, Walter Salles, Anna Muylaert, Bruno Barreto e Carla Camurati, bem como os atores Selton Mello, Marcos Palmeira, Valentina Herszage, Matheus Nachtergaele e Fabíula Nascimento.
Top 5
Em 5º lugar ficou Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos. O filme, um marco do Cinema Novo - movimento dos anos 1960 que introduziu elementos de neorrealismo italiano e nouvelle vague ao cinema nacional -, adapta o romance clássico de Graciliano Ramos sobre uma família pobre no sertão nordestino. O longa fez parte da competição oficial do Festival de Cannes em 1964.
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O filme que alcançou a 4ª posição foi Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho. O longa conta uma narrativa semidocumental sobre a vida de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba que foi assassinado em 1962. As filmagens começaram na década de 1960, mas acabaram interrompidas pela ditadura militar, com parte da equipe presa sob acusações de comunismo. Coutinho retomou o trabalho 17 anos depois, fazendo entrevistas com quem participou das gravações originais e a família do morto, até então escondida.
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Cidade de Deus (2002), talvez o filme brasileiro mais famoso no exterior, ficou em 3º lugar. Dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, é um épico sobre as vidas dos moradores da comunidade que dá nome ao longa, mostrando o preconceito sofrido pelos moradores no resto da cidade e o aumento da violência local.
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A segunda posição ficou com Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), considerado por muitos a obra-prima de Glauber Rocha e outro marco do Cinema Novo. O filme segue um vaqueiro chamado Manoel (Geraldo Del Rey), que mata um coronel e foge pelo sertão, encontrando seitas religiosas e cangaceiros no caminho.
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Ao final, o eleito campeão entre os melhores filmes brasileiros da história foi Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles. O longa, que conta a história de uma professora (interpretada por Fernanda Montenegro) auxiliando um garoto a encontrar seu pai no Nordeste, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1999, perdendo para A Vida É Bela (1997), de Roberto Benigni.
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Os melhores filmes brasileiros da história
Confira abaixo a lista completa de melhores filmes brasileiros da história, segundo O Globo, com os nomes de seus respectivos diretores:
100. Temporada, de André Novais Oliveira
99. A festa da menina morta, de Matheus Nachtergaele
98. Justiça, de Maria Augusta Ramos
97. Elena, de Petra Costa
96. Anjos do Arrabalde, de Carlos Reichenbach
95. A rainha diaba, de Antonio Carlos da Fontoura
94. Os saltimbancos trapalhões, de J. B. Tanko
93. Cabaret mineiro, de Carlos Prates Correa
92. Carvão, de Carolina Markowicz
91. O homem que virou suco, de João Batista de Andrade
90. Chuvas de verão, de Cacá Diegues
89. Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé
88. Ganga bruta, de Humberto Mauro
87. Filme de amor, de Júlio Bressane
86. A hora e vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos
85. Notícias de uma guerra particular, de João Moreira Salles e Kátia Lund
84. Mato seco em chamas, de Adirley Queirós e Joana Pimenta
83. Sem essa, aranha, de Rogério Sganzerla
82. Inferninho, de Pedro Diógenes e Guto Parente
81. Oeste outra vez, de Erico Rassi
80. O cangaceiro, de Lima Barreto
79. As boas maneiras, de Marco Dutra e Juliana Rojas
78. A marvada carne, de André Klotzel
77. Cidade Baixa, de Sergio Machado
76. Ônibus 174, de José Padilha
75. O menino e mundo, de Alê Abreu
74. A falecida, de Leon Hirszman
73. Que bom te ver viva, de Lúcia Murat
72. Saneamento básico, o filme, de Jorge Furtado
71. A lira do delírio, de Walter Lima Júnior
70. Bang bang, de Andrea Tonacci
69. Tudo bem, de Arnaldo Jabor
68. Malu, de Pedro Freire
67. Noite vazia, de Walter Hugo Khouri
66. Alma no olho, de Zózimo Bulbul
65. Dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha
64. O homem do Sputnik, de Carlos Manga
63. Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans
62. Tatuagem, de Hilton Lacerda
61. Toda nudez será castigada, de Arnaldo Jabor
60. Alma corsária, de Carlos Reichenbach
59. Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz
58. O lobo atrás da porta, de Fernando Coimbra
57. O invasor, de Beto Brant
56. A vida invisível, de Karim Aïnouz
55. Carandiru, de Héctor Babenco
54. Estômago, de Marcos Jorge
53. Amor maldito, de Adélia Sampaio
52. À meia-noite levarei sua alma, de José Mojica Marins
51. Rio, Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos
50. Boi Neon, de Gabriel Mascaro
49. Branco sai, preto fica, de Adirley Queirós
48. Carlota Joaquina, princesa do Brazil, de Carla Camurati
47. Lavoura arcaica, de Luiz Fernando Carvalho
46. O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade
45. Todas as mulheres do mundo, de Domingos Oliveira
44. Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos
43. Assalto ao trem pagador, de Roberto Farias
42. Tropa de elite, de José Padilha
41. Baile perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira
40. Manas, de Marianna Brennand Fortes
39. São Bernardo, de Leon Hirszman
38. Mar de rosas, de Ana Carolina
37. Serras da desordem, de Andrea Tonacci
36. O céu de Suely, de Karim Aïnouz
35. Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles
34. Rio, 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos
33. Os fuzis, de Ruy Guerra
32. Marte um, de Gabriel Martins
31. Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto
30. O auto da compadecida, de Guel Arraes
29. Amarelo Manga, de Cláudio Assis
28. Bicho de sete cabeças, de Laís Bodanzky
27. Cinema, aspirinas e urubus, de Marcelo Gomes
26. Terra estrangeira, de Daniela Thomas e Walter Salles
25. Jogo de cena, de Eduardo Coutinho
24. Santiago, de João Moreira Salles
23. O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho
22. Ilha das flores, de Jorge Furtado
21. Iracema, uma transa amazônica, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna
20. O pagador de promessas, de Anselmo Duarte
19. Eles não usam black-tie, de Leon Hirszman
18. O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla
17. O som ao redor, de Kleber Mendonça Filho
16. São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sergio Person
15. Madame Satã, de Karim Aïnouz
14. Edifício Master, de Eduardo Coutinho
13. Ainda estou aqui, de Walter Salles
12. Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade
11. Que horas ela volta?, de Anna Muylaert
10. A hora da estrela, de Suzana Amaral
9. Terra em transe, de Glauber Rocha
8. Limite, de Mário Peixoto
7. Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues
6. Pixote, a lei do mais fraco, de Héctor Babenco
5. Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos
4. Cabra marcado para morrer, de Eduardo Coutinho
3. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lund
2. Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha
1. Central do Brasil, de Walter Salles