O criador de Star Wars, George Lucas, se uniu ao debate sobre as implicações do uso da Inteligência Artificial no cinema. Em entrevista para o A Rabbit's Foot, o diretor afirmou que a tecnologia será uma parte inevitável do futuro da produção audiovisual.
"A inteligência artificial significa que é muito mais fácil para nós fazermos filmes", disse. "[Negar o uso da IA] é como dizer: 'Bem, eu acredito que a charrete é o futuro. Esses carros quebram, precisam de gasolina, têm todo tipo de problema e, em breve, vão transformá-los em tanques, e aí vão matar pessoas. É terrível.' Não há nada que se possa fazer a respeito. Isso é progresso, é o futuro."
A IA tem gerado polêmicas crescentes na indústria cinematográfica, ascendendo dúvidas especialmente em relação a direitos de uso de imagem e ao seu potencial de substituir o trabalho de atores e profissionais dos bastidores.
Questionado sobre os riscos da tecnologia, Lucas rebateu: "Se você quer uma IA que diga quando algo é falso e de onde veio, a IA pode fazer isso. Os humanos não conseguem, não somos tão inteligentes".
Ele continuou, afirmando que a responsabilidade de potenciais erros em uma produção é do ser humano que aplicou a IA. "A ideia principal é que você é um ser humano, você é responsável pelo que diz e pelo que faz, e se estiver fazendo algo ilegal, deve ser punido por isso. Seja o que for que você faça, você deve ser responsabilizado. É como na vida real."
O debate polarizado sobre a IA no cinema
A discussão sobre inteligência artificial tem se polarizado cada vez mais. Enquanto cineastas renomados como Martin Scorsese (Os Bons Companheiros) e Steven Soderbergh (Onze Homens e um Segredo) defendem o uso da IA na produção cinematográfica — Scorsese foi inclusive anunciado como "consultor" da empresa de tecnologia Black Forest Labs —, outros artistas a enxergam como uma ferramenta com o único objetivo de reduzir custos, aumentar produtividade e diminuir dependência de mão de obra criativa.
Kane Parsons, por exemplo, novato da indústria e diretor de Backrooms: Um Não-Lugar, criticou o uso da IA, afirmando que ela "derrota completamente o propósito [de fazer cinema]".
Até mesmo o Papa Leão XIV se pronunciou sobre os perigos da tecnologia: "Não basta invocar a ética em abstrato; são necessários marcos legais, supervisão independente, usuários informados e um sistema político que não abdique de sua responsabilidade. Uma IA mais moral não é suficiente se essa moralidade for determinada por poucos", afirmou.
Apesar disso, os avanços são exponenciais e ainda não há uma regulamentação robusta na área. Na última semana, foi anunciado que Tilly Norwood, primeira atriz totalmente gerada por inteligência artificial, fará sua "estreia" no filme Misaligned. O SAG-AFTRA, sindicato de atores dos Estados Unidos, tem se manifestado contra a criação desta IA desde o ano passado.