Zach Cregger leva sensações dos jogos 'Resident Evil' aos cinemas: 'Queria protagonista como eu'

Diretor de 'A Hora do Mal' diz que preferiu reproduzir o que sente jogar os games, enquanto Austin Abrams interpreta um protagonista apavorado diante do horror; leia entrevistas

20 set 2026 - 12h26
Resumo
O diretor Zach Cregger traz aos cinemas uma nova adaptação de Resident Evil focada na experiência de sobrevivência e tensão dos games. Em vez dos heróis clássicos, o filme introduz Bryan (Austin Abrams), um entregador comum criado para funcionar como avatar do jogador desamparado. Diante das críticas prévias sobre a falta de fidelidade aos jogos, o cineasta defende a qualidade de sua obra e pede que o público assista ao longa antes de julgá-lo, confiante na visão que imprimiu ao projeto.

Novo filme de Resident Evil trará pela primeira vez uma perspectiva de survival horror aos fãs.
Novo filme de Resident Evil trará pela primeira vez uma perspectiva de survival horror aos fãs.
Foto: Columbia Pictures/ Divulgação / Estadão

Zach Cregger conhece Resident Evil por dentro. O diretor de A Hora do Mal e Noites Brutais jogou repetidamente os games da franquia e sabe o que, para ele, os torna tão atraentes: não apenas o terror, mas a sensação de sobrevivência, o gerenciamento de recursos e a progressão de armas. Seu novo Resident Evil estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 17, mas, em vez de colocar Leon Kennedy ou outro personagem familiar no centro da trama, Cregger criou Bryan, um entregador médico interpretado por Austin Abrams.

A ideia era fazer do personagem uma espécie de avatar do jogador — alguém despreparado, assustado e tentando sobreviver a uma situação que está muito além de sua capacidade.

"Eu joguei todos os jogos tantas vezes que sinto que sei exatamente como eles evoluíram", contou o cineasta ao Estadão. "O que eu amo nesses jogos é a jogabilidade: o terror, o gerenciamento de recursos, a sobrevivência. São essas sensações que me fazem voltar a jogar Resident Evil de novo e de novo — e foi isso que eu quis celebrar no filme: o ritmo, o tom, a progressão das armas."

Agora que o longa está pronto, o diretor acompanhou algumas reações antecipadas na internet, reclamando que o filme tem pouco a ver com os games, mas não vê muito o que fazer diante delas. "Não posso mudar o filme. E, aliás, o filme é ótimo", afirma.

Para Cregger, a discussão só faz sentido depois que o público assistir ao longa. "Quando você for ao cinema e formar sua opinião depois de ver, aí sim, tudo bem. O que você pensar é justo", diz, se defendendo das críticas que surgem só a partir do trailer. "Mas acho que as pessoas precisam ao menos assistir ao filme antes de decidir se é bom ou ruim."

A segurança do diretor também tem relação com o momento em que Resident Evil foi produzido. Cregger começou a trabalhar no longa antes mesmo de A Hora do Mal, seu segundo filme, chegar aos cinemas. Quando o filme com Tia Gladys estreou e passou a ocupar o centro das atenções, ele já estava concentrado na produção de Resident Evil.

"Eu comecei Resident Evil antes mesmo de A Hora do Mal sair. Então, quando A Hora do Mal saiu e teve seu momento, eu já estava de cabeça baixa, trabalhando neste aqui", afirma. "Eu não tive espaço para ficar pensando 'será que isso vai ser tão bom quanto blá-blá-blá?'. Não é assim que eu penso."

Para Abrams, a lógica é parecida, mas passa menos pelo gênero e mais pelo cineasta. "Acho que quem está dirigindo é, de fato, a coisa mais importante."

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