Vampiros na cracolândia: Novo filme brasileiro transforma centro de São Paulo em cenário de terror

Love Kills é o primeiro longa-metragem da diretora Luiza Shelling Tubaldini e é estrelado por Thais Lago e Gabriel Stauffer

30 mai 2026 - 04h59
Vampiros na cracolândia: novo filme brasileiro transforma centro de São Paulo em cenário de terror
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O centro de São Paulo já tem muitos perigos, como a criminalidade, a violência e a venda desenfreada de drogas pesadas. Porém, em Love Kills, longa-metragem de estreia da diretora Luiza Shelling Tubaldini e que está em cartaz nos cinemas, a região central da cidade passa a ser assombrada por vampiros.

Love Kills conta a história de Helena (Thais Lago), uma vampira que habita a Terra há séculos e escolhe viver no centro de São Paulo. É nesse local que ela se encontra com Marcos (Gabriel Stauffer), um jovem humano que sonha em trabalhar com gastronomia, mas também precisa lidar com a dependência de crack. Os dois têm um envolvimento inusitado que é ameaçado pela chegada iminente de Leander (Erom Cordeiro), um vampiro poderoso que deseja acertar contas com Helena.

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Thais Lago é a protagonista de Love Kills
Thais Lago é a protagonista de Love Kills
Foto: Reprodução/O2 Filmes

A história é adaptada do quadrinho de mesmo nome do cartunista Danilo Beyruth. Em entrevista ao Terra, Luiza Shelling conta que o autor lhe contou a história antes mesmo de escrevê-la e, naquele momento, ela já sabia que precisava transformar isso em filme. Com mais de 20 anos de carreira como produtora no cinema brasileiro, ela escolheu essa história para estrear como diretora de longa-metragem.

"O filme fala muito sobre a coragem de ser você mesmo. O vampiro é sempre uma metáfora do exilado, o imigrante, a pessoa preta, o indígena, trans e por aí afora. De alguma maneira, esse filme celebra a possibilidade de ser você mesmo, exercer e se expressar com uma verdade que é só sua", diz a diretora.

Gotham City da América Latina 

Shelling escolheu como cenários de Love Kills alguns dos locais mais emblemáticos do centro histórico de São Paulo, como o Viaduto do Chá e o Minhocão, mas também mostrou locais em que os problemas da região são explícitos, como a região onde a cacrolândia costumava ficar quando o filme foi gravado, em 2023.

"O centro de São Paulo é muito mágico para quem conhece ele a fundo. É uma mistura de gente muito diferente, hora em conflito, hora em harmonia. Tem um pouco de tudo naquele lugar. Uma coisa curiosa é que a gente foi para o centro de São Paulo fazer um filme de fantasia, para fazer uma Gotham City da América Latina, e já estava pronto. Foi uma supresa perceber que São Paulo é a cidade mais parecida com Gotham City, até mais do que Nova York", diz a diretora, citando a cidade fictícia e cheia de problemas do universo do Batman.

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Para a cineasta, rodar esse filme foi perceber que São Paulo é um lugar onde a fantasia se encaixa com a realidade. "A gente já vive em um mundo de fantasia, só falta aparecer vampiros em algum lugar. Ao mesmo tempo, é apaixonante, o centro carrega uma autenticidade. É isso que me encanta tanto."

Todo esse universo também encantou Gabriel Stauffer. O ator vivia no Rio, mas se mudou para a região central da capital paulista antes mesmo de começar os trabalhos em Love Kills, pois queria se ambientar com o universo, ainda mais por interpretar um personagem que já teve uma forte dependência de crack e perambula pelas ruas da região. O encanto pelo local foi tanto que ele mudou definitivamente para a Terra da Garoa, mas está longe de muito dos locais onde filmou e viveu situações inusitadas.

Cena de Love Kills no centro de São Paulo
Foto: Reprodução/O2 Filmes

O ator brinca que quase virou um vampiro de verdade durante as filmagens, pois passou mais de um mês trabalhando das 17h às 5h da manhã. "A gente estava de madrugada no centro de São Paulo todos os dias, em uma região bastante violenta e movimentada. Visitamos lugares ali que talvez eu jamais visitasse sozinho. Claro que tinha segurança com a gente, mas teve várias tretas com moradores de rua que não queriam que a gente gravasse ali e jogavam pedras", conta Gabriel.

Terror de Hollywood com orçamento brasileiro

A ação estava nos bastidores, mas também em frente às câmeras. Love Kills conta com muitas cenas de luta entre os vampiros. "Me joguei muito, teve alguns momentos que falei que não precisava nem de dublê. A cena do hospital, no final, com aquelas escadarias, teve uma dificuldade, mas também teve um prazer em fazer aquilo. Foi muito divertido", recorda Thais Lago, protagonista do filme.

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Os atores também comentam que gravaram cenas complicadas, com coreografias de luta, pessoas sendo arremessadas longe e que eram levantadas para sair voando. Se fosse uma produção de Hollywood, eles gravariam cada sequência dessas em duas semanas, mas toda equipe teve que esforçar para dar conta de gravar uma cena inteira em apenas uma noite.

"É muito massa ver que conseguimos fazer cinema com a estrutra que a gente tem, apesar do orçamento não estar à altura do que é mostrado na tela, que se faz milagre. O resultado ficou muito legal. É uma prateleira desse mercado que pode ser muito mais preenchida", comenta Erom Cordeiro, o grande vilão da história.

Erom Cordeiro e Thais Lago em Love Kills
Foto: Reprodução/O2 Filmes

Quando fala na prateleira, Erom Cordeiro se refere aos poucos filmes de terror e fantasia produzidos no Brasil, pois o cinema nacional atualmente tem se voltado principalmente para o drama e a comédia, com poucas obras que fogem disso.

"O artista brasileiro tem condições de fazer, a questão mesmo é de recursos e estrutura para que isso possa ser realizado. O nosso filme, por exemplo, estava em Sitges, que é o festival mais respeitado do mundo para filmes de Fantasia. A gente conseguiu levar o Brasil para um lugar diferente e estabelecer uma marca nossa mundo afora", concorda Luiza.

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Entretanto, a diretora também pensa que Love Kills é um filme que não se encaixa em apenas um gênero. A história é de vampiros, tem elementos de horror e fantasia, muitas cenas de ação e de luta, mas também gira em torno do amor.

"É uma história de amor entre dois personagens, o meu personagem sofre com um amor não correspondido. Ele atravessa séculos tentando resolver o toco que ele levou há 700 anos. Esses personagens estão à procura de preencher esse vazio. Todos estão em busca de algo que está incompleto dentro de si. É um filme de terror, mas é romântico também", define Erom.

Para Gabriel, a história mostra que também é possível encontrar o amor à margem da sociedade. Já Thais, que interpreta uma vampira que lida com um relacionamento abusivo, conta que já passou por situações semelhantes com a da personagem, mas que fazer esse papel lhe deixou uma lição que ela espera passar para o público. "Sinto que a Helena ainda é um organismo vivo dentro de mim. Hoje, ela estava falando para mim: ‘Seja livre, preserve sua liberdade. Apesar dos riscos que existem lá fora, nunca deixe de ter coragem’. Ela é muto corajosa e me lembra disso toda hora", conclui a atriz.

Fonte: Portal Terra
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