O Agente Secreto vem chamando a atenção da imprensa internacional desde que estreou no Festival de Cannes, em maio de 2025. O longa que concorre a quatro Oscars saiu da riviera francesa com dois prêmios na competição (de melhor ator, para Wagner Moura, e melhor diretor, para Kleber Mendonça Filho), um feito raro, além do prêmio FIPRESCI e do Art House Cinema Award (AFCAE).
Desde então, o filme acumulou dezenas de vitórias em festivais e premiações internacionais, o que aumentou sua visibilidade e a repercussão na imprensa estrangeira. Confira o que a imprensa especializada já escreveu sobre o filme brasileiro.
Humor anárquico
A análise feita por David Rooney para o Hollywood Reporter começa destacando toda a sequência da Perna Cabeluda, que o crítico explica ser uma metáfora para as perseguições travadas pelo regime militar.
"É o tipo de desvio bizarro que você não espera encontrar em um thriller político de época centrado em um pai viúvo cuja vida está em perigo", continua. "Mas momentos de humor anárquico em meio a um suspense genuíno são exatamente o que torna o quarto longa-metragem de ficção de Kleber Mendonça Filho uma obra original e emocionante."
Estudo sobre a corrupção
Peter Bradshaw, do jornal The Guardian, define O Agente Secreto como "um estudo em forma de romance sobre a corrupção nos níveis altos e baixos da hierarquia social". O texto dá nota máxima para o filme, e afirma que a história faz uma reflexão a respeito "da crueldade cotidiana da tirania policial".
"Enquanto o filme progredia, me peguei o comparando a Sergio Leone, a Profissão: Repórter, de Antonioni, em sua progressão lenta rumo a um desfecho violento, passando por Elmore Leonard via Quentin Tarantino, Cidade de Deus de Meirelles e Lund e Roma de Alfonso Cuarón."
Longo e pouco estimulante
O jornal espanhol El País fez uma crítica negativa. O texto de Carlos Boyero afirma que o filme não despertou emoções, perturbações ou distrações. Ele acrescenta que precisa que algum "espectador entusiasmado" explique o enredo, porque não conseguiu "entender nada".
"Pior ainda: não me importo nem quando [o filme] finge ser transparente, mesmo que tenha pretensões estilísticas demais", completa.
Carnaval e carnificina
Em análise publicada no jornal The New York Times, a crítica Manohla Dargis elogia a capacidade de Kleber Mendonça Filho de encontrar humor em meio ao terror, afirmando que o diretor abraça a "sensibilidade libertadora".
"O filme evita em grande parte os corredores do poder político e, em vez disso, se passa ao sol e no chão, onde as pessoas vivem o aqui e agora. Alguns celebram o carnaval descalços, dançando alegremente juntos na poeira, enquanto outros são derrubados pela violência, seu sangue escorrendo para a terra", descreve.
'Sóbrio, mas envolvente'
É com as palavras acima que David Ehrich, do IndieWire, define O Agente Secreto.
Os elogios ao tom prosseguem. "Focado, mas abrangente, o primeiro filme de época do diretor está absolutamente repleto da música, das cores e do estilo do 'Milagre Brasileiro' que marcou o auge da ditadura militar no país, e ainda assim todos esses elementos — juntamente com a maior parte das evidências diretas da própria ditadura militar — são sublimados na sensação de travessura que permeia todo o filme."
Por fim, o crítico ressalta que Mendonça "exuma o passado como a base para uma história puramente ficcional, e, ao fazê-lo, articula o quanto a ficção pode ser ainda mais valiosa como um veículo para a verdade do que é uma ferramenta para acobertá-la."