A psicanalista Maria Homem analisou A Odisseia, filme de Christopher Nolan, nesta quarta-feira, 5. Em entrevista ao Estadão no Rio Innovation Week, Maria afirmou que o cineasta "reescreveu um herói contemporâneo por excelência".
Para a psicanalista, Odisseu no filme é "um herói contemporêneo quando diz: 'A guerra não faz sentido; é destruição pura, ela é injusta, ela dá muito trabalho, ela é um custo altíssimo. Ela é o paradigma da força e não o paradigma da palavra'."
Maria lembrou que os gregos já questionavam o tema da resolução de conflitos em vários textos de Eurípedes, como As Troianas. Em Orestéia, peça de Ésquilo, no século 5 a.C., também havia o questionamento de "se o valor da virilidade e do heroísmo da guerra de Homero, do século 7 a.C., era válido", segundo ela.
"Três mil anos depois, no estágio em que estamos, dizemos: 'Não, eu posso ter a culpa porque eu posso achar uma outra maneira mental, lógica, filosófica de resolver os conflitos e as disputas por recursos, por território, por espaço, por reconhecimento'", afirmou a psicanalista.
A Odisseia adapta o clássico poema de Homero para o cinema. Em três semanas de exibição, o filme já arrecadou cerca de US$ 911 bilhões (o equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões, na cotação atual) em bilheteria.