Após quase ser descartado como baixa fiscal pela Warner Bros., o filme "Coyote vs. Acme" foi resgatado pela Ketchup Entertainment e chega às plataformas digitais. Dirigida por Dave Green e coescrita por James Gunn, a mistura de live-action e animação traz o Coiote processando a Acme por produtos defeituosos, com Will Forte e John Cena no elenco. Concluída sob custo de US$ 70 milhões, a obra superou o limbo corporativo e estreou aclamada pela crítica, alcançando 95% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Quase apagado pela Warner Bros., Coyote vs. Acme finalmente está chegando ao público por meio das plataformas digitais. O filme, que chegou a ser engavetado pelo estúdio, estará disponível nos catálogos do Prime Video, Apple TV, Google Play, YouTube e Vivo Play para aluguel ou compra. Mas qual é a história da produção que quase nunca chegou às telas? Descubra a seguir:
Qual é a história de Coyote vs. Acme?
Dirigido por Dave Green, Coyote vs. Acme mistura animação e live-action para contar uma história que parece ter saído de uma piada dos próprios Looney Tunes. Depois de anos sendo vítima dos produtos defeituosos da Acme em sua tentativa de capturar o Papa-Léguas, Wile E. Coyote decide processar a empresa. Para isso, ele conta com a ajuda do advogado fracassado Kevin Avery, interpretado por Will Forte, enquanto John Cena vive o advogado da corporação. Lana Condor também integra o elenco.
Como Coyote vs. Acme nasceu?
A história de Coyote vs. Acme começou anos antes de o filme se tornar um dos casos mais curiosos de Hollywood. Em meados de 2016, James Gunn, antes de assumir o comando da DC Studios, levou à Warner Bros. uma ideia baseada em um conto de Ian Frazier que imaginava o Coiote entrando com um processo contra a Acme, empresa responsável pelos produtos que repetidamente transformam suas tentativas de capturar o Papa-Léguas em desastres.
Inicialmente, Gunn seria o diretor do projeto, mas precisou abrir mão da função por estar envolvido com outros trabalhos. Foi então que a Warner convidou Dave Green para assumir a direção. O cineasta já tinha experiência com produções que misturavam animação e live-action e acabou sendo considerado por Gunn a pessoa ideal para encontrar o equilíbrio entre a diversão, a loucura e o lado emocional da história.
"Acho que existem poucos diretores por aí que conseguem equilibrar a diversão, a loucura e a doçura da história", disse Gunn sobre Green. Mesmo deixando a direção, Gunn continuou envolvido no projeto como um dos roteiristas. Sob o comando de Green, a proposta ganhou influências de diferentes gêneros, passando pela comédia, pelo drama e pelo suspense jurídico.
Entre as referências utilizadas pelo diretor estavam Uma Cilada para Roger Rabbit, O Informante, O Veredicto e Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento. A ideia era transformar uma premissa absurda em uma história que também tivesse peso dramático e estrutura cinematográfica.
"Ele levou essa piada a um ponto em que havia um certo rigor cinematográfico nela", afirmou a roteirista Samy Burch. O produtor Chris DeFaria também destacou o comprometimento de Green com a proposta e a seriedade com que o diretor decidiu tratar a história.
Entenda o caso
O filme custou aproximadamente US$ 70 milhões e chegou a ser planejado para lançamento pela própria Warner. Entretanto, em novembro de 2023, o estúdio decidiu não disponibilizá-lo ao público e tentou transformá-lo em uma baixa fiscal. A decisão provocou uma reação imediata de fãs e profissionais de Hollywood, especialmente porque Coyote vs. Acme já estava concluído e havia recebido reações positivas em sessões de teste.
A repercussão foi tamanha que a Warner acabou permitindo que os produtores procurassem outro distribuidor. Netflix, Amazon e Paramount demonstraram interesse, mas as negociações não avançaram. O valor pedido pela Warner teria dificultado a aquisição e, por algum tempo, o filme permaneceu novamente em uma espécie de limbo.
Foi preciso que Green, Gunn e o produtor Chris DeFaria continuassem lutando para encontrar uma saída. Depois de anos de incerteza, Coyote vs. Acme finalmente encontrou uma nova casa na Ketchup Entertainment, que adquiriu os direitos da produção e decidiu apostar em um lançamento nos cinemas.
Recepção positiva
E foi justamente aí que a história ganhou uma nova camada de ironia. Antes mesmo da estreia comercial, as primeiras críticas começaram a aparecer, e a recepção está sendo muito mais positiva do que se poderia esperar de um filme que passou anos sendo tratado como um ativo descartável. Coyote vs. Acme figura atualmente com 95% no Rotten Tomatoes, a partir de 85 avaliações, com críticos destacando o humor, o coração da história e a maneira como a produção recupera o espírito dos Looney Tunes sem depender apenas de nostalgia.
O entusiasmo chegou ao ponto de publicações classificarem o longa como um dos melhores filmes de animação/live-action do ano, enquanto outras destacam justamente o absurdo de uma produção considerada descartável pelo estúdio ter se transformado em uma das grandes surpresas da temporada. O Hollywood Reporter, por exemplo, chamou atenção para o prazer de finalmente poder assistir ao filme e para sua força como homenagem aos personagens clássicos.
Ironia do destino
Mais do que uma simples comédia dos Looney Tunes, Coyote vs. Acme acabou se tornando uma espécie de comentário involuntário sobre a própria indústria cinematográfica. Dentro da história, o Coiote tenta responsabilizar uma gigantesca corporação pelos produtos que repetidamente arruinaram sua vida.
Fora dela, o próprio filme precisou lutar contra decisões corporativas, interesses financeiros e a ameaça de nunca ser visto pelo público. É difícil imaginar uma campanha de marketing capaz de criar uma ironia tão perfeita. O Coiote finalmente conseguiu chegar ao público justamente depois de sobreviver à sua própria Acme.