O jornalista Chris Hansen avalia processar a produção do filme "Primetime", no qual Robert Pattinson o interpreta na época do programa "To Catch a Predator". Hansen acusa o longa ficcional de exagerar seu desespero por audiência e cogita alegações de roubo de identidade e difamação pelo uso comercial de sua imagem. Ele criticou a postura desonesta dos realizadores por excluí-lo do projeto e considerou a obra um insulto ao combate contra predadores infantis, rotulando Hollywood de predatória.
Chris Hansen gostaria que você se sentasse… em qualquer lugar, menos na exibição de Primetime, a filme que estreia em breve e no qual Robert Pattinson (O Drama) interpreta o ex-repórter do Dateline, famoso por seu programa To Catch a Predator. Ele ainda não viu o filme, que estreou na semana passada no Festival de Cinema de Veneza, e não quer ver, segundo uma nova entrevista.
O jornalista afirmou ao The Hollywood Reporter que não vai aceitar isso passivamente. Ele está consultando advogados e questionando se a representação que Pattinson faz dele em um filme ficcional, que, segundo ele, "exagera" o quanto ele estava desesperado por um sucesso com To Catch a Predator, infringe alguma lei.
"Obviamente, sou uma figura pública e o limite para difamação é alto", disse Hansen em resposta a uma pergunta sobre as objeções semelhantes de Daryl Hannah à série da Disney+ História de Amor. "Várias coisas precisam ser comprovadas. Existem outras teorias jurídicas mais criativas que poderiam responsabilizá-los? Talvez. É falsidade ideológica? O que diferencia isso de um roubo de identidade?"
"Se alguém usa seu nome e imagem para ganhar dinheiro com isso em um empreendimento comercial, isso é roubo de identidade?", continuou. "Não sei. É uma questão para o nosso sistema jurídico, eu acho."
Hansen argumentou que o cineasta Lance Oppenheim, que também codirigiu o aclamado documentário sobre Elizabeth Holmes, You Can See Everything, com Nathan Fielder, usou de artimanhas de Hollywood contra ele.
"Obviamente, sabíamos que algo estava em andamento", disse. "Sou repórter há 45 anos. A gente ouve as coisas. Mas vir até você no último minuto e dizer: 'Já fizemos isso e não achamos que precisávamos falar com você para discutir', parece ardiloso e um tanto desonesto, especialmente porque o projeto é em grande parte uma obra de ficção." Ele também questionou a participação do ex-executivo da NBC, Jeff Zucker, interpretando a si mesmo no filme. "Talvez Jeff seja um insider de Hollywood", disse.
Hansen disse que os produtores, incluindo Pattinson, queriam que ele assinasse um acordo de confidencialidade para assistir ao filme. "Eu disse: 'Adoraria assistir. Concordo em não revelar detalhes da trama nem nada do tipo, mas não acho que preciso assinar um acordo de confidencialidade.' Chegamos a um impasse e foi isso. Vou assistir ao filme em algum momento, presumo que quando for lançado, e poderei julgá-lo com base nisso."
Entretanto, Hansen afirmou que contratou advogados para o caso. "Tenho advogados analisando o caso, os melhores profissionais desta região", revelou. "Mas o que se ganha com isso além de fazer uma declaração? Há algo que possa ser feito? Há alguma justiça a ser feita? Eu não sei."
Ele também não está feliz com a possibilidade do filme ser um grande sucesso. Quando o The Hollywood Reporter perguntou como ele se sentiria se Pattinson fosse indicado ao Oscar por sua atuação, o apresentador do Dateline disse que achava que seria uma péssima imagem. "Acho que é um insulto aos milhares de homens e mulheres que trabalham duro todos os dias para proteger crianças de predadores", disse. "Eles transformam algo muito positivo, muito desafiador e não isento de riscos no que é essencialmente um filme de terror."
"Acho que não é surpresa que um estúdio de Hollywood aja de maneira tão exploradora ou predatória", continuou. "Estamos falando de uma indústria que foi liderada por talvez um dos maiores predadores que já pisaram no planeta, Harvey Weinstein. Eles vão se parabenizar e dizer: 'Que ótimo trabalho. Isso é realmente sombrio, misterioso e intrigante.'"
Mas, na mesma entrevista, Hansen — que desde então cofundou o serviço de streaming de true crime TruBlu — disse que achou o documentário Predators (2025), dirigido por David Osit sobre sua série, questionável.
"Era quase como se perguntassem: 'Você já abraçou o predador do seu bairro hoje?'", afirmou Hansen. "Ele pediu a um sociólogo que analisasse se era apropriado expor esses caras e se estávamos sendo muito duros com eles. Chegou a um ponto ridículo, e acho que as pessoas perceberam isso quando assistiram ao documentário."
Apesar dos problemas de Hansen com Primetime, o filme, que também conta com Merritt Weaver, Skyler Gisondo e Phoebe Bridgers, tem estreia prevista pela A24 nos EUA em outubro. Ainda não há data confirmada para lançamento no Brasil.