Aos 79 anos e após o sucesso em "O Agente Secreto", Tânia Maria estrela o filme "Yellow Cake", dirigido por Tiago Melo. Na trama, ela vive Dona Rita em uma Paraíba explorada por norte-americanos em busca de urânio para combater a dengue. Em alta no cinema nacional e já escalada para novos longas, a atriz paraibana celebra a carreira ativa, afirmando que a idade não é um obstáculo para trabalhar e continuar sonhando.
Depois de conquistar o Brasil e o mundo como a carismática Dona Sebastiana, de O Agente Secreto (2025), dona Tânia Maria só pensa em fazer mais filmes. Yellow Cake — que estreou no Olhar de Cinema 2026, sob gritos e aplausos empolgados, e agora passa pela 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo antes de chegar aos cinemas, em novembro — é a prova disso.
Na novidade, ela interpreta dona Rita, uma moradora de Picuí, no sertão da Paraíba, que é invadida por norte-americanos com o intuito de explorar as reservas de urânio locais e, a partir do minério, desenvolver uma solução para o problema da epidemia do Aedes aegypti, responsável por transmitir a dengue, entre outras doenças.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, que esteve presente na estreia nacional de Yellow Cake, realizada em junho no emblemático teatro Ópera de Arame para mais de 1.500 pessoas, dona Tânia afirmou que, ao ser convidada para participar da produção, não pensou duas vezes: "Eu gosto muito de filme. Adoro filmar. O que me convida, eu vou", declara. "[E esse filme] é bom demais. Me deixou com muito ansiedade. A história é muito boa."
Assim como Sebastiana, Rita também é uma mulher decidida, sem receio de expressar as suas opiniões e que não abre mão de fumar o seu cigarro uma vez ou outra. Porém, dona Tânia garante que a intenção não era evocar a sua personagem anterior: "Foi tudo decorado. Tudo do roteiro", revela a atriz, celebrando a parceria com Tiago Melo (Azougue Nazaré), que escreveu e dirigiu a novidade. "Ele nos dava tudo. Nós ensaiamos muitos dias", completa.
Apesar de ter o roteiro na ponta da língua, uma cena ainda surpreendeu dona Tânia ao reassistir ao filme no Olhar de Cinema. Em uma sequência, dona Rita fuma enquanto conversa com Rúbia, personagem de Rejane Faria (Marte Um), que a questiona sobre os efeitos do cigarro na sua saúde. A senhora responde que fuma há anos e nunca sentiu nada, então o fumo não fazia mal a ela.
À época das gravações, dona Tânia fumava três carteiras de cigarro por dia e, assim como a sua personagem, também acreditava que o cigarro não fazia mal à sua saúde — até adoecer e precisar parar de fumar. Hoje, ao rever a cena, a reação da atriz é quase cômica: "Assistindo ao filme, eu falei: 'Meu Deus, estou doida de dizer que não faz mal?'", conta, ao risos.
Nos elencos dos inéditos Sábado Morto, longa de Leonardo Lacca (Seu Cavalcanti) com Jesuíta Barbosa (Homem com H), e A Adoção, de Allan Deberton (O Melhor Amigo), dona Tânia sonha em continuar a fazer filmes e nem pensa em deixar a idade impedir de realizar esse desejo:
"Não tem idade [para sonhar]. A idade que a pessoa tem, [ela tem que ir] em frente, porque ninguém é velho, não. A idade é só número. A idade é a que a pessoa quiser", declara. "Eu não sou velha, não. Eu me julgo nova. Eu decoro, eu trabalho, sou artesão. Ainda faço muita coisa."
E, tirando filmes de terror, nada ou ninguém consegue assustar dona Tânia: "[Fazer cinema] é tudo de um jeito só. Os diretores são todos iguais, eu não sei distinguir. Leonardo Lacca, Kleber, Tiaguinho... Eu não sei distinguir um do outro. Todos são bons", afirma. "Então fazer cinema não é uma tarefa muito difícil para a senhora?", pergunto, na esteira de sua resposta. "É, não", me responde, sem titubear.
https://youtu.be/s0Q0zJOyPLU?si=97H3HnWQegoMRY7R