A Bienal de Veneza comprometeria sua autonomia e liberdade de expressão se cedesse à pressão da União Europeia para excluir a Rússia de seus eventos, afirmou nesta quinta-feira o presidente da fundação, criticando a recente decisão da UE de cortar o financiamento ao evento.
No início desta semana, a UE informou que decidiu retirar uma subvenção de 2 milhões de euros (US$2,3 milhões) em resposta ao retorno da Rússia à exposição de artes da Bienal deste ano, pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia em 2022.
"(A UE) era uma companheira de viagem com quem compartilhamos parte do caminho e que agora está nos deixando por motivos inteiramente políticos, certamente não jurídicos e muito menos culturais", disse o presidente Pietrangelo Buttafuoco na apresentação do Festival de Cinema de Veneza de 2026.
A Comissão Europeia afirmou que a subvenção foi retirada porque o dinheiro dos contribuintes da UE deve apoiar iniciativas que defendam os valores da democracia e da liberdade, que, segundo ela, a Rússia atualmente não representa.
A Bienal, uma exposição cultural internacional realizada em Veneza a cada dois anos, rejeitou esse argumento, afirmando que a arte deve permanecer um espaço neutro para o diálogo. A Bienal também destacou que o financiamento da UE cofinanciava projetos administrados por sua divisão de cinema que não tinham relação com a participação da Rússia na exposição de arte.
"Estamos aqui para realizar pesquisas internacionais nas artes e atender às suas demandas. Caso contrário, trairíamos os princípios de autonomia, liberdade de expressão, pesquisa, criatividade e imaginação que definem esta instituição há 131 anos", acrescentou Buttafuoco.
Após tomar conhecimento da decisão da UE na quarta-feira, a Bienal afirmou que contestará a medida, ao mesmo tempo em que ressaltou que a perda do financiamento não teria impacto significativo em suas finanças.